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🇧🇷 Espécie Brasileira
Unaysaurus tolentinoi
Triássico Herbívoro

Unaysaurus

Unaysaurus tolentinoi

"Lagarto da água negra (Tolentino)"

Período
Triássico · Noriano inicial
Viveu
228–225 Ma
Comprimento
até 2.5 m
Peso estimado
70 kg
País de origem
Brasil
Descrito em
2004 por Luciano A. Leal, Sergio A. K. Azevedo, Alexander W. A. Kellner e Átila A. S. Da-Rosa

O Unaysaurus tolentinoi é um pequeno sauropodomorfo basal do Triássico Superior (Noriano inicial, cerca de 225 milhões de anos) da Formação Caturrita, Bacia do Paraná, sul do Brasil. Com aproximadamente 2,5 m de comprimento e 70 kg, é um dos representantes mais completos conhecidos na América do Sul, com crânio quase intacto e pós-crânio parcialmente articulado. Leal e colegas, em 2004, descreveram o holótipo UFSM 11069 e o recuperaram como Plateosauridae, próximo ao europeu Plateosaurus. Em 2018, Müller, Langer e Dias-da-Silva criaram a família Unaysauridae para acomodar Unaysaurus, o brasileiro Macrocollum itaquii e o indiano Jaklapallisaurus asymmetricus, enquanto Beccari et al. (2021) e Pretto et al. (2019) devolveram o táxon ao entorno de Plateosauridae. A espécie é uma das referências globais para o estudo da transição entre os primeiros sauropodomorfos pequenos e oportunistas e os grandes herbívoros de pescoço longo que dominariam o Jurássico.

Formação Caturrita, parte superior da Sequência Candelária da Supersequência Santa Maria, Bacia do Paraná, Rio Grande do Sul. Idade Noriana inicial, cerca de 225,42 +/- 0,37 Ma pela datação U-Pb em zircão de Langer et al. (2018). A unidade tem 30 a 60 m de espessura, é composta por arenitos finos a médios e siltitos (red beds) depositados em sistemas de rios trançados perenes e planícies de inundação, sob clima mais úmido do que o da Alemoa subjacente. Sobrepõe-se às camadas com Hyperodapedon (Santa Maria, Alemoa) e é sobreposta pelo Arenito Mata. A biota inclui cinodontes (Brasilodon, Riograndia, Jachaleria), dinossauros (Unaysaurus, Guaibasaurus, Macrocollum), rincossauros e esfenodontes, constituindo o segundo grande momento da radiação triássica sul-brasileira, já após a saída da Zona de Associação Hyperodapedon (em registros Carnianos) e no início da Zona da Ictidosauria/Mammaliamorpha. Referências-chave: Langer, Ribeiro, Schultz e Ferigolo (2007), Langer et al. (2018) para datação, Bittencourt e Langer (2011) e Novas et al. (2021) para contexto regional.

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Habitat

Planícies fluvio-lacustres do Triássico Superior (Noriano inicial) do sudoeste do Gondwana. A Formação Caturrita preserva sistemas de rios trançados perenes intercalados a planícies de inundação, em red beds arenosos e siltosos, depositados sob clima progressivamente mais úmido do que o da Formação Santa Maria subjacente.

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Alimentação

Herbívoro. A dentição e a mandíbula de Unaysaurus indicam alimentação em vegetação baixa e média, principalmente coníferas, cicadáceas, samambaias e gnetófitas, sem a capacidade de processar material vegetal duro. O pescoço moderadamente alongado já permitia forrageamento em nível ligeiramente superior ao de Saturnalia.

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Comportamento e sentidos

Postura bípede facultativa com possível uso dos membros anteriores para apoio e manipulação. A descoberta de um indivíduo imaturo associado ao holótipo (Müller et al. 2023) sugere ocupação sustentada do sítio e possível convívio entre diferentes estágios ontogenéticos, sem evidência direta de comportamento gregário do tipo documentado em Macrocollum.

Fisiologia e crescimento

Medidas de tamanho (cerca de 70 kg, 2,5 m) indicam metabolismo ativo compatível com postura bípede e fisiologia intermediária entre os pequenos sauropodomorfos carnívoros do Carniano (Buriolestes, Saturnalia) e os grandes herbívoros de pescoço longo do Noriano (Macrocollum). Estudos histológicos posteriores sugerem crescimento relativamente rápido em fase juvenil, consistente com o padrão de Plateosauridae.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Triássico (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Triássico, ~90 Ma

Durante o Noriano inicial (~228–225 Ma), Unaysaurus tolentinoi habitava a Pangeia, o supercontinente único que unia todos os continentes atuais. O clima era seco e quente em grande parte do interior continental.

Completude estimada 60%

O holótipo UFSM 11069 é um dos esqueletos triássicos mais completos já encontrados no Brasil, com crânio quase intacto com mandíbula e pós-crânio parcialmente articulado. A preservação do crânio é especialmente valiosa: em um país conhecido por dinossauros fragmentários, o Unaysaurus permite reconstrução anatômica detalhada da cabeça, quase 100% completa.

Encontrado (11)
Inferido (5)
Esqueleto de dinossauro — theropod
Wikimedia Commons CC BY-SA 4.0

Estruturas encontradas

crânio quase completo com mandíbulavértebras cervicaisvértebras dorsaisvértebras sacraisvértebras caudais anteriores parciaisescápulo-coracoidesúmeroscintura pélvica incompletafêmurestíbias e fíbulasalguns metacarpais e metatarsais

Estruturas inferidas

maioria das vértebras caudais médias e distaiscostelas completasautopódio anterior completo (mão)autopódio posterior completo (pé)gastrália

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

2004

A new early dinosaur (Sauropodomorpha) from the Caturrita Formation (Late Triassic), Paraná Basin, Brazil

Leal, L.A., Azevedo, S.A.K., Kellner, A.W.A. e Da-Rosa, A.A.S. · Zootaxa 690, 1-24

Descrição formal do gênero e espécie Unaysaurus tolentinoi com base no holótipo UFSM 11069, coletado em 1998 no sítio Água Negra (Agudo, RS). O material preserva um crânio quase completo com mandíbula e parte do pós-crânio, um dos conjuntos mais completos de dinossauros brasileiros. A análise filogenética preliminar posicionou o táxon dentro de Plateosauridae, próximo ao europeu Plateosaurus, sugerindo vínculos faunísticos entre o Gondwana meridional e a Laurásia no Triássico Superior.

Reconstrução esquelética de Unaysaurus tolentinoi mostrando os elementos preservados no holótipo UFSM 11069 (em cinza). Base anatômica derivada da descrição original de Leal et al. (2004) e atualizada em revisões posteriores.

Reconstrução esquelética de Unaysaurus tolentinoi mostrando os elementos preservados no holótipo UFSM 11069 (em cinza). Base anatômica derivada da descrição original de Leal et al. (2004) e atualizada em revisões posteriores.

Comparação de crânios dos Unaysauridae, com o crânio quase completo de Unaysaurus tolentinoi (UFSM 11069) descrito originalmente por Leal et al. (2004) servindo de referência anatômica para a família.

Comparação de crânios dos Unaysauridae, com o crânio quase completo de Unaysaurus tolentinoi (UFSM 11069) descrito originalmente por Leal et al. (2004) servindo de referência anatômica para a família.

2004

Basal Saurischia

Langer, M.C. · The Dinosauria, 2nd edition (University of California Press), pp. 25-46

Capítulo-chave sobre saurísquios basais em The Dinosauria. Discute Staurikosaurus e Saturnalia como exemplos brasileiros do Triássico Superior, contextualizando o recém-nomeado Unaysaurus (publicado no mesmo ano) dentro do debate sobre a base de Sauropodomorpha e Saurischia. Referência obrigatória para filogenia de dinossauros triássicos.

Reconstituição de Saturnalia tupiniquim, sauropodomorfo basal brasileiro do Carniano da Formação Santa Maria. Langer (2004) discute este tipo de táxon no capítulo sobre saurísquios basais que contextualiza a posição do Unaysaurus.

Reconstituição de Saturnalia tupiniquim, sauropodomorfo basal brasileiro do Carniano da Formação Santa Maria. Langer (2004) discute este tipo de táxon no capítulo sobre saurísquios basais que contextualiza a posição do Unaysaurus.

Esqueleto montado de Plateosaurus engelhardti. O capítulo de Langer (2004) apresenta este táxon europeu como parâmetro filogenético para sauropodomorfos basais brasileiros como Unaysaurus.

Esqueleto montado de Plateosaurus engelhardti. O capítulo de Langer (2004) apresenta este táxon europeu como parâmetro filogenético para sauropodomorfos basais brasileiros como Unaysaurus.

2007

The continental tetrapod-bearing Triassic of South Brazil

Langer, M.C., Ribeiro, A.M., Schultz, C.L. e Ferigolo, J. · Bulletin of the New Mexico Museum of Natural History and Science 41, 201-218

Revisão de referência sobre as biotas triássicas continentais do sul do Brasil, incluindo Formação Santa Maria e Formação Caturrita. Sistematiza as zonas de associação (Hyperodapedon, Jachaleria) e contextualiza Unaysaurus entre os dinossauros, cinodontes, rincossauros e arcossauriformes encontrados nas unidades.

Reconstituição de Hyperodapedon, rincossauro marcador da Zona de Associação Hyperodapedon do Carniano sul-brasileiro. Langer et al. (2007) mapeiam a sucessão de zonas em que Unaysaurus aparece (já no Noriano, sobreposto a estas faunas).

Reconstituição de Hyperodapedon, rincossauro marcador da Zona de Associação Hyperodapedon do Carniano sul-brasileiro. Langer et al. (2007) mapeiam a sucessão de zonas em que Unaysaurus aparece (já no Noriano, sobreposto a estas faunas).

Esqueleto de Guaibasaurus candelariensis, saurísquio basal da Formação Caturrita mapeado por Langer et al. (2007) como contemporâneo direto de Unaysaurus tolentinoi no Triássico sul-brasileiro.

Esqueleto de Guaibasaurus candelariensis, saurísquio basal da Formação Caturrita mapeado por Langer et al. (2007) como contemporâneo direto de Unaysaurus tolentinoi no Triássico sul-brasileiro.

2007

The evolution of feeding mechanisms in early sauropodomorph dinosaurs

Barrett, P.M. e Upchurch, P. · Special Papers in Palaeontology 77, 91-112 (The Palaeontological Association)

Análise funcional da alimentação dos primeiros sauropodomorfos, incluindo comparações de mandíbula, dentição e inferências dietéticas. Unaysaurus, com crânio quase completo, aparece como um dos poucos táxons basais com anatomia oral suficiente para teste direto das hipóteses de transição entre dieta oportunista (onívora) e herbivoria especializada.

Crânios comparativos de unaysaurídeos, grupo ao qual o Unaysaurus pertence. Trabalhos como Barrett e Upchurch (2007) usam crânios assim para inferir o deslocamento do regime de alimentação dos primeiros sauropodomorfos.

Crânios comparativos de unaysaurídeos, grupo ao qual o Unaysaurus pertence. Trabalhos como Barrett e Upchurch (2007) usam crânios assim para inferir o deslocamento do regime de alimentação dos primeiros sauropodomorfos.

Esqueleto de Plateosaurus, referência anatômica da Europa usada por Barrett e Upchurch (2007) como parâmetro para avaliar a aparição de adaptações herbívoras em sauropodomorfos basais como Unaysaurus.

Esqueleto de Plateosaurus, referência anatômica da Europa usada por Barrett e Upchurch (2007) como parâmetro para avaliar a aparição de adaptações herbívoras em sauropodomorfos basais como Unaysaurus.

2007

The first complete skull of the Triassic dinosaur Melanorosaurus Haughton (Sauropodomorpha: Anchisauria)

Yates, A.M. · Special Papers in Palaeontology 77, 9-55

Descrição do primeiro crânio completo de Melanorosaurus e reanálise filogenética de Plateosauridae. Trata Unaysaurus como parte de um clado Plateosauridae ampliado em que também entra Plateosaurus. A análise antecipa várias das discussões que culminariam na proposta de Unaysauridae em 2018.

Comparação de tamanho entre Plateosaurus trossingensis e um humano. Yates (2007) usou materiais de Plateosauridae para posicionar Unaysaurus em uma Plateosauridae ampliada.

Comparação de tamanho entre Plateosaurus trossingensis e um humano. Yates (2007) usou materiais de Plateosauridae para posicionar Unaysaurus em uma Plateosauridae ampliada.

Esqueleto de Plateosaurus engelhardti, parente mais próximo de Unaysaurus segundo a análise de Yates (2007). As duas espécies ficariam no mesmo clado antes da proposta de Unaysauridae em 2018.

Esqueleto de Plateosaurus engelhardti, parente mais próximo de Unaysaurus segundo a análise de Yates (2007). As duas espécies ficariam no mesmo clado antes da proposta de Unaysauridae em 2018.

2010

A new early dinosaur (Saurischia: Sauropodomorpha) from the Late Triassic of Argentina: a reassessment of dinosaur origin and phylogeny

Ezcurra, M.D. · Journal of Systematic Palaeontology 8(3), 371-425

Descrição de Chromogisaurus novasi da Formação Ischigualasto e grande reanálise filogenética dos dinossauros basais. A matriz de Ezcurra incluiu Unaysaurus em comparações anatômicas e ajudou a calibrar a posição do táxon entre os sauropodomorfos basais. Trabalho-chave para o desenho de análises posteriores (incluindo Müller 2018).

Esqueletos de Herrerasaurus e Eoraptor ao lado de crânio de Plateosaurus. Ezcurra (2010) reanalisou o conjunto desses dinossauros triássicos, incluindo Unaysaurus, para revisar a base de Dinosauria.

Esqueletos de Herrerasaurus e Eoraptor ao lado de crânio de Plateosaurus. Ezcurra (2010) reanalisou o conjunto desses dinossauros triássicos, incluindo Unaysaurus, para revisar a base de Dinosauria.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus. A matriz de Ezcurra (2010) foi uma das primeiras grandes reanálises em que o táxon foi testado em múltiplas topologias.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus. A matriz de Ezcurra (2010) foi uma das primeiras grandes reanálises em que o táxon foi testado em múltiplas topologias.

2010

The origin and early evolution of dinosaurs

Langer, M.C., Ezcurra, M.D., Bittencourt, J.S. e Novas, F.E. · Biological Reviews 85(1), 55-110

Revisão de referência global sobre a origem e evolução inicial dos dinossauros, com capítulo detalhado sobre os primeiros sauropodomorfos. Discute Unaysaurus entre os plateossaurídeos e apresenta árvores de consenso para o início da radiação do grupo.

Reconstrução esqueletal de Staurikosaurus pricei. Langer et al. (2010) revisam o Triássico sul-americano incluindo Staurikosaurus, Saturnalia, Guaibasaurus e Unaysaurus como peças da radiação inicial dos dinossauros.

Reconstrução esqueletal de Staurikosaurus pricei. Langer et al. (2010) revisam o Triássico sul-americano incluindo Staurikosaurus, Saturnalia, Guaibasaurus e Unaysaurus como peças da radiação inicial dos dinossauros.

Hyperodapedon, marcador da Zona de Associação que precede a Caturrita. Langer et al. (2010) usam essas zonas para calibrar a ascensão de Unaysaurus e outros sauropodomorfos basais.

Hyperodapedon, marcador da Zona de Associação que precede a Caturrita. Langer et al. (2010) usam essas zonas para calibrar a ascensão de Unaysaurus e outros sauropodomorfos basais.

2011

Mesozoic dinosaurs from Brazil and their biogeographic implications

Bittencourt, J.S. e Langer, M.C. · Anais da Academia Brasileira de Ciências 83(1), 23-60

Revisão sistemática de todos os dinossauros brasileiros do Mesozoico, com análise biogeográfica. Cataloga 21 espécies então nomeadas, incluindo Unaysaurus tolentinoi, e discute as conexões entre as faunas triássicas do sul do Brasil e da Argentina, apontando Unaysaurus como evidência de dispersão dos plateossaurídeos no Gondwana.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus tolentinoi. Bittencourt e Langer (2011) incluem o táxon no catálogo de dinossauros mesozoicos do Brasil e discutem seu papel biogeográfico.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus tolentinoi. Bittencourt e Langer (2011) incluem o táxon no catálogo de dinossauros mesozoicos do Brasil e discutem seu papel biogeográfico.

Staurikosaurus pricei. No catálogo de Bittencourt e Langer (2011), ele figura ao lado de Unaysaurus entre os dinossauros triássicos brasileiros pioneiros.

Staurikosaurus pricei. No catálogo de Bittencourt e Langer (2011), ele figura ao lado de Unaysaurus entre os dinossauros triássicos brasileiros pioneiros.

2013

Postcranial anatomy and phylogenetic relationships of Mussaurus patagonicus (Dinosauria, Sauropodomorpha)

Otero, A. e Pol, D. · Journal of Vertebrate Paleontology 33(5), 1138-1168

Redescrição completa de Mussaurus patagonicus, com nova análise filogenética de Sauropodomorpha. Unaysaurus aparece como um dos táxons comparados para calibrar a posição de Mussaurus dentro de Plateosauridae/Massospondylidae, contribuindo para a discussão em torno da integridade de Plateosauridae.

Esqueleto de Plateosaurus engelhardti. Otero e Pol (2013) reposicionam Mussaurus no entorno de Plateosauridae, onde Unaysaurus também havia sido colocado pela descrição original.

Esqueleto de Plateosaurus engelhardti. Otero e Pol (2013) reposicionam Mussaurus no entorno de Plateosauridae, onde Unaysaurus também havia sido colocado pela descrição original.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus. A matriz de Otero e Pol (2013) é uma das primeiras grandes atualizações filogenéticas em que Unaysaurus é testado após a descrição original.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus. A matriz de Otero e Pol (2013) é uma das primeiras grandes atualizações filogenéticas em que Unaysaurus é testado após a descrição original.

2014

The complete anatomy and phylogenetic relationships of Antetonitrus ingenipes (Sauropodiformes, Dinosauria): implications for the origins of Sauropoda

McPhee, B.W., Yates, A.M., Choiniere, J.N. e Abdala, F. · Zoological Journal of the Linnean Society 171(1), 151-205

Redescrição completa de Antetonitrus ingenipes e grande análise da transição entre sauropodomorfos basais e os primeiros saurópodes. Unaysaurus figura na matriz como um táxon da parte basal da árvore, ajudando a fixar a base de Plateosauria.

Plateosaurus engelhardti. McPhee et al. (2014) usam o táxon como parâmetro principal para medir quão distante Unaysaurus e outros sauropodomorfos basais estão do começo do bauplan saurópode.

Plateosaurus engelhardti. McPhee et al. (2014) usam o táxon como parâmetro principal para medir quão distante Unaysaurus e outros sauropodomorfos basais estão do começo do bauplan saurópode.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus. Na matriz de McPhee et al. (2014) o táxon está na base da árvore que culmina em Antetonitrus e nos primeiros saurópodes.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus. Na matriz de McPhee et al. (2014) o táxon está na base da árvore que culmina em Antetonitrus e nos primeiros saurópodes.

2016

A unique Late Triassic dinosauromorph assemblage reveals dinosaur ancestral anatomy and diet

Cabreira, S.F., Kellner, A.W.A., Dias-da-Silva, S., Silva, L.R., Bronzati, M., Marsola, J.C.A., Müller, R.T., Bittencourt, J.S., Batista, B.J.A., Raugust, T., Carrilho, R., Brodt, A. e Langer, M.C. · Current Biology 26(22), 3090-3095

Descrição de Buriolestes schultzi e Ixalerpeton polesinensis, a partir do sítio São João do Polesine (Formação Santa Maria, Carniano). Mostra que os primeiros sauropodomorfos eram pequenos e carnívoros, luz essencial para entender a transição até Unaysaurus, um herbívoro especializado apenas cerca de 8 milhões de anos depois.

Holótipo de Buriolestes schultzi descrito por Cabreira et al. (2016). Mostra o ancestral carnívoro dos sauropodomorfos; Unaysaurus é a evidência seguinte, já herbívora, na mesma bacia.

Holótipo de Buriolestes schultzi descrito por Cabreira et al. (2016). Mostra o ancestral carnívoro dos sauropodomorfos; Unaysaurus é a evidência seguinte, já herbívora, na mesma bacia.

Hyperodapedon, marcador da Zona de Associação Carniana. Cabreira et al. (2016) situam Buriolestes e Ixalerpeton nesta zona, imediatamente anterior a Unaysaurus na sucessão da Bacia do Paraná.

Hyperodapedon, marcador da Zona de Associação Carniana. Cabreira et al. (2016) situam Buriolestes e Ixalerpeton nesta zona, imediatamente anterior a Unaysaurus na sucessão da Bacia do Paraná.

2018

An exceptionally preserved association of complete dinosaur skeletons reveals the oldest long-necked sauropodomorphs

Müller, R.T., Langer, M.C. e Dias-da-Silva, S. · Biology Letters 14(11), 20180633

Descrição de Macrocollum itaquii, a partir de três esqueletos articulados, os mais antigos sauropodomorfos de pescoço longo conhecidos. Os autores erigem a família Unaysauridae para acomodar Unaysaurus tolentinoi, Macrocollum itaquii e Jaklapallisaurus asymmetricus (Índia), definindo o grupo por uma expansão cranial do côndilo medial do astrágalo. Aponta Unaysaurus como a espécie-tipo de uma linhagem gondwânica.

Figura 1 de Müller, Langer e Dias-da-Silva (2018, Biology Letters): esqueletos reconstruídos e elementos representativos de Macrocollum itaquii, a espécie que, junto com Unaysaurus, ancora a nova família Unaysauridae.

Figura 1 de Müller, Langer e Dias-da-Silva (2018, Biology Letters): esqueletos reconstruídos e elementos representativos de Macrocollum itaquii, a espécie que, junto com Unaysaurus, ancora a nova família Unaysauridae.

Figura 2 de Müller et al. (2018, Biology Letters): árvore filogenética calibrada no tempo em que Unaysaurus, Macrocollum e Jaklapallisaurus formam a nova família Unaysauridae dentro de Sauropodomorpha.

Figura 2 de Müller et al. (2018, Biology Letters): árvore filogenética calibrada no tempo em que Unaysaurus, Macrocollum e Jaklapallisaurus formam a nova família Unaysauridae dentro de Sauropodomorpha.

2019

A new dinosaur (Saurischia: Sauropodomorpha) from the Late Triassic of Brazil provides insights on the evolution of sauropodomorph body plan

Pretto, F.A., Langer, M.C. e Schultz, C.L. · Zoological Journal of the Linnean Society 185(2), 388-416

Descrição de Bagualosaurus agudoensis, sauropodomorfo da Formação Santa Maria coletado em Agudo, no mesmo município do Unaysaurus. A matriz filogenética reanalisa a posição de Unaysaurus dentro de Plateosauridae e discute o arranjo do bauplan de sauropodomorfos, conectando Unaysaurus ao aumento de tamanho documentado pelo novo táxon.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus. Pretto, Langer e Schultz (2019) usaram o táxon como base anatômica para interpretar o bauplan do novo Bagualosaurus agudoensis.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus. Pretto, Langer e Schultz (2019) usaram o táxon como base anatômica para interpretar o bauplan do novo Bagualosaurus agudoensis.

Plateosaurus engelhardti. Pretto et al. (2019) retomam a discussão sobre a integridade de Plateosauridae (Unaysaurus + Plateosaurus) em oposição à hipótese de Unaysauridae de 2018.

Plateosaurus engelhardti. Pretto et al. (2019) retomam a discussão sobre a integridade de Plateosauridae (Unaysaurus + Plateosaurus) em oposição à hipótese de Unaysauridae de 2018.

2021

Review of the fossil record of early dinosaurs from South America, and its phylogenetic implications

Novas, F.E., Agnolin, F.L., Ezcurra, M.D., Müller, R.T., Martinelli, A.G. e Langer, M.C. · Journal of South American Earth Sciences 110, 103341

Revisão ampla dos dinossauros triássicos sul-americanos, com reavaliação filogenética. Discute Unaysaurus entre os plateossaurídeos e mapeia a diversidade inicial do grupo no Gondwana. Revalida a relevância do holótipo brasileiro nas árvores de consenso.

Cladograma de sauropodomorfos basais, versão derivada de Peyre de Fabregues et al. (2020), usada por Novas et al. (2021) em sua revisão. Unaysaurus tolentinoi aparece entre os plateossaurídeos.

Cladograma de sauropodomorfos basais, versão derivada de Peyre de Fabregues et al. (2020), usada por Novas et al. (2021) em sua revisão. Unaysaurus tolentinoi aparece entre os plateossaurídeos.

Reconstituição de Saturnalia tupiniquim. Novas et al. (2021) alinham Saturnalia e Unaysaurus como referências-chave da radiação triássica sul-americana dos sauropodomorfos.

Reconstituição de Saturnalia tupiniquim. Novas et al. (2021) alinham Saturnalia e Unaysaurus como referências-chave da radiação triássica sul-americana dos sauropodomorfos.

2024

On a skeletally immature individual of Unaysaurus tolentinoi (Dinosauria: Sauropodomorpha) from the upper Triassic of southern Brazil

Müller, R.T., Ezcurra, M.D., Cabreira, S.F., Da-Rosa, A.A.S., Silva, L.R. e Dias-da-Silva, S. · The Anatomical Record 307(4), 1064-1080

Descreve um segundo indivíduo de Unaysaurus tolentinoi, menor e esqueleticamente imaturo, encontrado no mesmo sítio Água Negra que o holótipo. O material inclui vértebras isoladas e elementos do autopódio posterior com metatarsal I de cerca de 41,7 mm, contra 75,9 mm no holótipo. A descoberta confirma população no sítio e adiciona dados ontogenéticos.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus tolentinoi. Müller et al. (2023) demonstram que o holótipo adulto não estava sozinho: outro indivíduo, menor, foi encontrado no mesmo sítio.

Reconstrução esqueletal de Unaysaurus tolentinoi. Müller et al. (2023) demonstram que o holótipo adulto não estava sozinho: outro indivíduo, menor, foi encontrado no mesmo sítio.

Crânios comparativos de Unaysauridae. Müller et al. (2023) reforçam que a anatomia crânica de Unaysaurus é uma das mais bem conhecidas entre os sauropodomorfos basais brasileiros.

Crânios comparativos de Unaysauridae. Müller et al. (2023) reforçam que a anatomia crânica de Unaysaurus é uma das mais bem conhecidas entre os sauropodomorfos basais brasileiros.

UFSM 11069 (holótipo) — Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil

Wikimedia Commons

UFSM 11069 (holótipo)

Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil

Completude: Crânio quase completo com mandíbula, vértebras cervicais, dorsais, sacrais e caudais anteriores parciais, escápulo-coracoides, úmeros, cintura pélvica incompleta, fêmures, tíbias e fíbulas, alguns metacarpais e metatarsais; um dos esqueletos de dinossauro triássico mais completos já recuperados no Brasil
Encontrado em: 1998
Por: Tolentino Flores Marafiga

O holótipo UFSM 11069 é um dos esqueletos triássicos mais completos já descobertos no Brasil. A coleta foi em 1998 por Tolentino Marafiga, agricultor local que notou ossos aflorando à beira de uma estrada na Linha Varzinha (Agudo/São Martinho da Serra, RS). A coleção da UFSM preserva o material sob curadoria do Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia, hoje vinculado ao Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM) em São João do Polesine. Serve de referência para toda Unaysauridae e foi base para a redescrição ontogenética de Müller et al. (2023).

Indivíduo imaturo associado (material referido) — UFSM / CAPPA, São João do Polesine, Rio Grande do Sul, Brasil

Wikimedia Commons

Indivíduo imaturo associado (material referido)

UFSM / CAPPA, São João do Polesine, Rio Grande do Sul, Brasil

Completude: Vértebras isoladas e elementos do autopódio posterior (metatarsais, falanges), metatarsal I com cerca de 41,7 mm de comprimento (cerca de 55% do tamanho do holótipo)
Encontrado em: 1998
Por: Equipe de campo da UFSM durante as escavações do holótipo, identificado depois entre o material associado

Material referido a Unaysaurus tolentinoi e descrito formalmente por Müller et al. (2023), primeiro registro conhecido de um indivíduo esqueleticamente imaturo da espécie. As suturas neurocentrais abertas e a textura óssea confirmaram o status juvenil. O achado amplia o conhecimento sobre a ontogenia dos primeiros sauropodomorfos gondwânicos.

Dinosauria
Saurischia
Sauropodomorpha
Plateosauria
Unaysauridae
Primeiro fóssil
1998
Descobridor
Tolentino Flores Marafiga, morador de Agudo (RS); fóssil descoberto em afloramento à beira de estrada no sítio Água Negra, Linha Varzinha
Descrição formal
2004
Descrito por
Luciano A. Leal, Sergio A. K. Azevedo, Alexander W. A. Kellner e Átila A. S. Da-Rosa
Formação
Formação Caturrita (Sequência Candelária, Supersequência Santa Maria, Bacia do Paraná)
Região
Rio Grande do Sul
País
Brasil
📄 Artigo de descrição original

Curiosidade

O nome Unaysaurus começa com 'Unay', palavra tupi-guarani que significa água negra, em referência ao sítio Água Negra onde o fóssil foi encontrado. É um dos pouquíssimos nomes científicos de dinossauros do mundo que usa o tupi-guarani como língua de origem, ao lado de Santanaraptor, Gondwanatitan e poucos outros. O fóssil é tão completo que permite reconstruir 100% do crânio: em um país famoso por dinossauros fragmentários, Unaysaurus foi a primeira espécie brasileira com crânio quase intacto.