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🇧🇷 Espécie Brasileira
Ubirajara jubatus
Cretáceo Carnívoro

Ubirajara

Ubirajara jubatus

"Senhor da lança, com juba"

Período
Cretáceo · Aptiano
Viveu
115–113 Ma
Comprimento
até 1 m
Peso estimado
2 kg
País de origem
Brasil
Descrito em
2020 por Robert S.H. Smyth, David M. Martill, Eberhard Frey, Héctor E. Rivera-Silva e Norbert Lenz (descrição retirada em setembro de 2021)

O Ubirajara jubatus é um pequeno terópode celurossauro do Cretáceo Inferior da Bacia do Araripe, Ceará, descoberto por volta de 1990 e exportado ilegalmente para a Alemanha na década de 1990. Descrito em 2020 por Smyth e colegas como o primeiro dinossauro não aviano de Gondwana com estruturas integumentares elaboradas (uma juba filamentosa no pescoço e duas fitas rígidas alongadas nos ombros usadas provavelmente para exibição), o animal tornou-se o epicentro de uma campanha internacional pela repatriação de fósseis brasileiros. O artigo original foi retirado em setembro de 2021 e o nome 'Ubirajara jubatus' foi formalmente considerado indisponível sob o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica por Caetano, Delcourt e Ponciano (2023). Mesmo assim, o holótipo SMNK PAL 29241 foi repatriado ao Brasil em junho de 2023 e hoje está no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens da Universidade Regional do Cariri (URCA), em Santana do Cariri.

Formação Crato (Grupo Santana, Bacia do Araripe). Idade: Aptiano, Cretáceo Inferior (~115-113 Ma). Litologia: calcário laminado fino depositado em lagoa hipersalina em clima equatorial semiárido. Fauna associada: insetos (libélulas, cigarras, baratas-d'água, aranhas), peixes (Dastilbe, Cladocyclus), plantas, pterossauros (Tupandactylus, Anhanguera) e raros dinossauros (Ubirajara, Mirischia, Santanaraptor, Aratasaurus, Irritator na Formação Romualdo subjacente). A preservação excepcional de tecidos moles torna a formação um Konservat-Lagerstätte de importância global.

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Habitat

A Formação Crato foi uma zona úmida equatorial semiárida do Aptiano (~113-115 Ma), com lagoas hipersalinas em um sistema lacustre de águas calmas e fundo anóxico. A biota inclui insetos, peixes, plantas, pterossauros e raros dinossauros. O Ubirajara provavelmente frequentava as margens vegetadas dessas lagoas, onde insetos e pequenos vertebrados eram abundantes.

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Alimentação

Como pequeno celurossauro de porte compsognatídeo, o Ubirajara era carnívoro oportunista. A dieta provável incluía insetos grandes (abundantes na formação), pequenos peixes, lagartos e filhotes de outros vertebrados. Não há conteúdo gastrointestinal preservado no holótipo para confirmação direta.

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Comportamento e sentidos

A presença de estruturas integumentares elaboradas (juba e duas fitas rígidas nos ombros) sugere fortemente comportamento de exibição, possivelmente para corte ou ameaça territorial. Essas estruturas são energeticamente custosas e vulneráveis a danos, portanto provavelmente associadas à sinalização social, talvez sazonal ou dependente de maturação sexual. Comportamento social detalhado é especulativo dada a preservação limitada.

Fisiologia e crescimento

Como celurossauro pequeno, o Ubirajara provavelmente era endotérmico ou mesotérmico, com metabolismo elevado consistente com atividade constante. A cobertura filamentosa teria funções múltiplas: isolamento térmico em ambiente que experimentava variação sazonal, exibição social, e possivelmente camuflagem. Sacos aéreos pulmonares, documentados em outros celurossauros brasileiros como o Mirischia, provavelmente também estavam presentes.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Cretáceo (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma

Durante o Aptiano (~115–113 Ma), Ubirajara jubatus habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.

Completude estimada 30%

Holótipo preservado como metade anterior do esqueleto (pescoço, ombros, tronco e braço esquerdo), com excepcional preservação de tecidos moles e estruturas integumentares. A ausência de crânio, cauda e pelve impede resolução filogenética definitiva.

Encontrado (8)
Inferido (6)
Esqueleto de dinossauro — theropod
Maurissauro / Wikimedia Commons, CC BY 3.0 CC BY 3.0

Estruturas encontradas

9 vértebras cervicais13 vértebras dorsais2 vértebras sacraiscinturão escapular (escápula, coracoide)costelasbraço esquerdo quase completo (úmero, rádio, ulna, mão)estruturas integumentares filamentosas (juba)2 estruturas integumentares rígidas em fita nos ombros (~65 mm)

Estruturas inferidas

crâniopelvemembros posteriorescaudavértebras caudaisperna direita

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

2020

A maned theropod dinosaur from Gondwana with elaborate integumentary structures (WITHDRAWN)

Smyth, R.S.H., Martill, D.M., Frey, E., Rivera-Silva, H.E. e Lenz, N. · Cretaceous Research

Descrição original do holótipo SMNK PAL 29241 como novo compsognatídeo com juba filamentosa e estruturas em fita nos ombros. Retirada em setembro de 2021 após campanha internacional liderada por pesquisadores brasileiros contra a exportação ilegal do fóssil.

Reconstituição em vida do Ubirajara jubatus segundo a descrição original de Smyth et al. (2020), mostrando a juba filamentosa ao longo do pescoço e dorso e as duas estruturas integumentares rígidas em fita que se projetam dos ombros, interpretadas como ornamentos de exibição.

Reconstituição em vida do Ubirajara jubatus segundo a descrição original de Smyth et al. (2020), mostrando a juba filamentosa ao longo do pescoço e dorso e as duas estruturas integumentares rígidas em fita que se projetam dos ombros, interpretadas como ornamentos de exibição.

Diagrama esquelético do holótipo SMNK PAL 29241. Os elementos preservados (em branco) correspondem ao pescoço, tronco, cinturão escapular e braço esquerdo, cerca de 30% do esqueleto total.

Diagrama esquelético do holótipo SMNK PAL 29241. Os elementos preservados (em branco) correspondem ao pescoço, tronco, cinturão escapular e braço esquerdo, cerca de 30% do esqueleto total.

2023

A taxon with no name: 'Ubirajara jubatus' (Saurischia: Compsognathidae) is an unavailable name and has no nomenclatural relevance

Caetano, J.M.V., Delcourt, R. e Ponciano, L.C.M.O. · Zootaxa

Paleontólogos brasileiros demonstram que, sob as regras do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, o nome 'Ubirajara jubatus' é indisponível porque a publicação original foi retirada antes de cumprir os requisitos de validação. Recomendam referenciar o espécime pelo número SMNK PAL 29241 até uma eventual redescrição.

Abertura oficial da caixa contendo o holótipo SMNK PAL 29241 em cerimônia realizada em 5 de junho de 2023, marcando sua chegada ao Brasil. Caetano et al. (2023) argumentaram que o espécime deve ser referenciado pelo número de coleção enquanto o nome científico permanecer indisponível.

Abertura oficial da caixa contendo o holótipo SMNK PAL 29241 em cerimônia realizada em 5 de junho de 2023, marcando sua chegada ao Brasil. Caetano et al. (2023) argumentaram que o espécime deve ser referenciado pelo número de coleção enquanto o nome científico permanecer indisponível.

Cerimônia oficial de devolução do fóssil ao Brasil em junho de 2023. A repatriação se tornou um marco para a paleontologia nacional e para o debate sobre práticas (neo)coloniais na ciência.

Cerimônia oficial de devolução do fóssil ao Brasil em junho de 2023. A repatriação se tornou um marco para a paleontologia nacional e para o debate sobre práticas (neo)coloniais na ciência.

2024

'Ubirajara' and Irritator Belong to Brazil: Achieving Fossil Returns Under German Private Law

Stewens, P.P. · International Journal of Cultural Property

Análise jurídica dos mecanismos do direito privado alemão que permitiram a repatriação do Ubirajara e do Irritator ao Brasil. Discute como acordos bilaterais e pressão pública podem complementar instrumentos internacionais ineficazes.

Chapada do Araripe, região do sul do Ceará onde afloram as formações sedimentares do Grupo Santana. Foi entre as pedreiras de Nova Olinda e Santana do Cariri que o holótipo SMNK PAL 29241 foi coletado por volta de 1990.

Chapada do Araripe, região do sul do Ceará onde afloram as formações sedimentares do Grupo Santana. Foi entre as pedreiras de Nova Olinda e Santana do Cariri que o holótipo SMNK PAL 29241 foi coletado por volta de 1990.

Crânio do holótipo do Irritator challengeri (SMNS 58022), originalmente no Staatliches Museum für Naturkunde Stuttgart. O artigo de Stewens (2024) analisa os mecanismos jurídicos que tornaram possível a repatriação do Irritator e do Ubirajara ao Brasil.

Crânio do holótipo do Irritator challengeri (SMNS 58022), originalmente no Staatliches Museum für Naturkunde Stuttgart. O artigo de Stewens (2024) analisa os mecanismos jurídicos que tornaram possível a repatriação do Irritator e do Ubirajara ao Brasil.

2025

#UbirajaraBelongstoBR: social media activism against (neo)colonial practices in palaeontology

Rahimi Fard Kashani, M.A., Raja, N.B. e Camargo, C.Q. · Geoscience Communication

Análise de 39.728 tweets da campanha #UbirajaraBelongstoBR entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2023. Mostra como a campanha nas redes sociais influenciou a decisão política de repatriação do fóssil.

A cerimônia de devolução em junho de 2023 foi o desfecho formal da campanha #UbirajaraBelongstoBR, liderada por paleontólogos brasileiros com apoio de ativistas e comunicadores científicos.

A cerimônia de devolução em junho de 2023 foi o desfecho formal da campanha #UbirajaraBelongstoBR, liderada por paleontólogos brasileiros com apoio de ativistas e comunicadores científicos.

Esqueleto preservado do espécime SMNK PAL 29241, objeto central da campanha. A limitação anatômica (apenas metade anterior preservada) motivou boa parte do debate sobre se o animal representa um novo táxon.

Esqueleto preservado do espécime SMNK PAL 29241, objeto central da campanha. A limitação anatômica (apenas metade anterior preservada) motivou boa parte do debate sobre se o animal representa um novo táxon.

2025

The coelurosaur theropods of the Romualdo formation, early Cretaceous (Aptian) of Brazil: Santanaraptor placidus meets Mirischia asymmetrica

Delcourt, R. et al. · The Anatomical Record

Reavaliação anatômica dos holótipos de Santanaraptor e Mirischia da Bacia do Araripe; coloca ambos como maniraptoromorfos basais. Oferece contexto comparativo crítico para avaliar se o Ubirajara representa de fato um novo celurossauro brasileiro.

Reconstituições comparativas do Mirischia asymmetrica e do Santanaraptor placidus, os dois celurossauros previamente conhecidos da Bacia do Araripe. Delcourt et al. (2025) argumentam que ambos são maniraptoromorfos basais, fornecendo base para avaliar as afinidades do Ubirajara.

Reconstituições comparativas do Mirischia asymmetrica e do Santanaraptor placidus, os dois celurossauros previamente conhecidos da Bacia do Araripe. Delcourt et al. (2025) argumentam que ambos são maniraptoromorfos basais, fornecendo base para avaliar as afinidades do Ubirajara.

Reconstituição do Santanaraptor placidus, terópode brasileiro que conviveu com o Ubirajara na região da Bacia do Araripe durante o Cretáceo Inferior.

Reconstituição do Santanaraptor placidus, terópode brasileiro que conviveu com o Ubirajara na região da Bacia do Araripe durante o Cretáceo Inferior.

2020

The first theropod dinosaur (Coelurosauria, Theropoda) from the base of the Romualdo Formation (Albian), Araripe Basin, Northeast Brazil

Sayão, J.M. et al. · Scientific Reports

Descrição do Aratasaurus museunacionali, celurossauro juvenil de cerca de 3,12 m da Formação Romualdo, Bacia do Araripe. O nome homenageia o Museu Nacional do Rio de Janeiro destruído pelo incêndio de 2018.

Reconstituição em vida do Aratasaurus museunacionali, celurossauro juvenil descrito em 2020 por Sayão e colegas. Sua ocorrência reforça a diversidade de pequenos terópodes emplumados na Bacia do Araripe, o mesmo ambiente onde o Ubirajara foi encontrado.

Reconstituição em vida do Aratasaurus museunacionali, celurossauro juvenil descrito em 2020 por Sayão e colegas. Sua ocorrência reforça a diversidade de pequenos terópodes emplumados na Bacia do Araripe, o mesmo ambiente onde o Ubirajara foi encontrado.

Comparação de tamanho do Santanaraptor placidus com um ser humano. Os celurossauros brasileiros descritos até hoje são todos de porte pequeno a médio, consistente com as estimativas de ~1 m para o Ubirajara.

Comparação de tamanho do Santanaraptor placidus com um ser humano. Os celurossauros brasileiros descritos até hoje são todos de porte pequeno a médio, consistente com as estimativas de ~1 m para o Ubirajara.

2000

Skeletal remains of a small theropod dinosaur with associated soft structures from the Lower Cretaceous Santana Formation of northeastern Brazil

Martill, D.M., Frey, E., Sues, H.-D. e Cruickshank, A.R.I. · Canadian Journal of Earth Sciences

Primeira descrição de um pequeno terópode do Santana com preservação de tecidos moles (trato intestinal e evidências de sacos aéreos). Mais tarde nomeado Mirischia asymmetrica por Naish et al. (2004).

Reconstituição do Mirischia asymmetrica ao lado do Santanaraptor placidus. O trabalho de Martill et al. (2000) foi o primeiro a documentar preservação de tecidos moles em um dinossauro brasileiro, estabelecendo um padrão para achados posteriores como o Ubirajara.

Reconstituição do Mirischia asymmetrica ao lado do Santanaraptor placidus. O trabalho de Martill et al. (2000) foi o primeiro a documentar preservação de tecidos moles em um dinossauro brasileiro, estabelecendo um padrão para achados posteriores como o Ubirajara.

Reconstituição do Santanaraptor placidus, o outro terópode da Bacia do Araripe com tecidos moles preservados. A ocorrência de vários celurossauros pequenos no mesmo ecossistema levanta questões sobre partição de nicho entre eles.

Reconstituição do Santanaraptor placidus, o outro terópode da Bacia do Araripe com tecidos moles preservados. A ocorrência de vários celurossauros pequenos no mesmo ecossistema levanta questões sobre partição de nicho entre eles.

2004

Ecology, systematics and biogeographical relationships of dinosaurs, including a new theropod, from the Santana Formation (?Albian, Early Cretaceous) of Brazil

Naish, D., Martill, D.M. e Frey, E. · Historical Biology

Nomeação formal de Mirischia asymmetrica (SMNK 2349 PAL) e síntese biogeográfica dos dinossauros da Formação Santana. Estabelece o padrão de pequenos terópodes como parte integrante da fauna da Bacia do Araripe.

Reconstituição do pterossauro Tupandactylus imperator, cujos restos vêm da mesma Formação Crato que produziu o Ubirajara. Naish et al. (2004) enfatizaram que a fauna da Bacia do Araripe combina dinossauros, pterossauros gigantes e peixes em um mesmo contexto deposicional.

Reconstituição do pterossauro Tupandactylus imperator, cujos restos vêm da mesma Formação Crato que produziu o Ubirajara. Naish et al. (2004) enfatizaram que a fauna da Bacia do Araripe combina dinossauros, pterossauros gigantes e peixes em um mesmo contexto deposicional.

Reconstituição do pterossauro Anhanguera piscator, abundante na Bacia do Araripe. Esses animais provavelmente compartilhavam os mesmos céus sobre a lagoa de calcário onde os terópodes como o Ubirajara caçavam insetos e pequenos vertebrados.

Reconstituição do pterossauro Anhanguera piscator, abundante na Bacia do Araripe. Esses animais provavelmente compartilhavam os mesmos céus sobre a lagoa de calcário onde os terópodes como o Ubirajara caçavam insetos e pequenos vertebrados.

1999

Short note on a new dinosaur (Theropoda, Coelurosauria) from the Santana Formation (Romualdo Member, Albian), northeastern Brazil

Kellner, A.W.A. · Boletim do Museu Nacional, Nova Série, Geologia

Descrição original do Santanaraptor placidus por Alexander Kellner. O espécime holótipo MN 4802-V foi um dos poucos a sobreviver ao incêndio de 2018 no Museu Nacional. Trabalho seminal sobre terópodes brasileiros do Cretáceo.

Reconstituição do Santanaraptor placidus, o primeiro terópode nomeado da Bacia do Araripe. Kellner (1999) estabeleceu a presença de pequenos celurossauros brasileiros duas décadas antes do Ubirajara ser descrito.

Reconstituição do Santanaraptor placidus, o primeiro terópode nomeado da Bacia do Araripe. Kellner (1999) estabeleceu a presença de pequenos celurossauros brasileiros duas décadas antes do Ubirajara ser descrito.

Comparação de tamanho do Santanaraptor. Os celurossauros brasileiros do Cretáceo tendem a ser pequenos (1 a 2 m), consistente com o porte estimado para o holótipo do Ubirajara.

Comparação de tamanho do Santanaraptor. Os celurossauros brasileiros do Cretáceo tendem a ser pequenos (1 a 2 m), consistente com o porte estimado para o holótipo do Ubirajara.

2007

The Crato Fossil Beds of Brazil: Window into an Ancient World

Martill, D.M., Bechly, G. e Loveridge, R.F. (eds.) · Cambridge University Press

Volume de referência mais completo sobre a Formação Crato, com 33 contribuidores cobrindo geologia, taxonomia de toda a biota e tafonomia. Fornece o contexto paleoambiental essencial para entender o habitat do Ubirajara.

Libélula fóssil (Odonata) da Formação Crato, exibida no Museu Nacional de Ciência e Tecnologia de Taiwan. A excepcional preservação de insetos alados no calcário Crato indica deposição rápida em ambiente lacustre hipersalino.

Libélula fóssil (Odonata) da Formação Crato, exibida no Museu Nacional de Ciência e Tecnologia de Taiwan. A excepcional preservação de insetos alados no calcário Crato indica deposição rápida em ambiente lacustre hipersalino.

Fóssil de barata-d'água gigante da Formação Crato, Chapada do Araripe. Esses insetos faziam parte da dieta potencial de pequenos terópodes como o Ubirajara.

Fóssil de barata-d'água gigante da Formação Crato, Chapada do Araripe. Esses insetos faziam parte da dieta potencial de pequenos terópodes como o Ubirajara.

2021

Towards an actualistic view of the Crato Konservat-Lagerstätte paleoenvironment: A new hypothesis as an Early Cretaceous (Aptian) equatorial and semi-arid wetland

Varejão, F.G. et al. · Earth-Science Reviews

Reinterpretação do paleoambiente da Formação Crato como uma zona úmida equatorial semiárida do Aptiano, com lagoas hipersalinas episodicamente conectadas. Esse modelo explica a preservação exemplar de tecidos moles em fósseis como o Ubirajara.

Fóssil de cigarrinha (Fulgoroidea) da Formação Crato. A preservação detalhada de insetos delicados em calcário laminado confirma o modelo de Varejão et al. (2021) de ambiente lacustre com baixa oxigenação no fundo.

Fóssil de cigarrinha (Fulgoroidea) da Formação Crato. A preservação detalhada de insetos delicados em calcário laminado confirma o modelo de Varejão et al. (2021) de ambiente lacustre com baixa oxigenação no fundo.

Outro inseto fóssil da Formação Crato. A biota preservada inclui libélulas, cigarras, aranhas, escorpiões, plantas, peixes, pterossauros e ocasionalmente dinossauros como o Ubirajara.

Outro inseto fóssil da Formação Crato. A biota preservada inclui libélulas, cigarras, aranhas, escorpiões, plantas, peixes, pterossauros e ocasionalmente dinossauros como o Ubirajara.

2016

Stromatolites from the Aptian Crato Formation, a hypersaline lake system in the Araripe Basin, northeastern Brazil

Catto, B. et al. · Facies

Documenta estromatolitos no Aptiano da Formação Crato indicando um sistema lacustre hipersalino. A combinação de alta salinidade e baixo oxigênio no fundo explica por que os fósseis do Crato preservam tecidos moles tão bem.

Fóssil do neuropterano Makarkinia irmae da Formação Crato. A excepcional preservação desses insetos reflete o ambiente hipersalino documentado por Catto et al. (2016).

Fóssil do neuropterano Makarkinia irmae da Formação Crato. A excepcional preservação desses insetos reflete o ambiente hipersalino documentado por Catto et al. (2016).

Libélula fóssil do Crato em vista detalhada, mostrando o tipo de preservação excepcional que motivou a classificação da formação como Konservat-Lagerstätte.

Libélula fóssil do Crato em vista detalhada, mostrando o tipo de preservação excepcional que motivou a classificação da formação como Konservat-Lagerstätte.

1998

An exceptionally well-preserved theropod dinosaur from the Yixian Formation of China

Chen, P.-J., Dong, Z.-M. e Zhen, S.-N. · Nature

Descrição do Sinosauropteryx prima, primeiro dinossauro não aviano com filamentos integumentares ('protopenas'). Estabeleceu o paradigma de que pequenos terópodes celurossauros tinham cobertura filamentosa, paradigma diretamente aplicado ao Ubirajara por Smyth et al. (2020).

Reconstituição colorida do Sinosauropteryx prima mostrando sua cobertura filamentosa. A descoberta chinesa foi referência direta para a interpretação das estruturas integumentares do Ubirajara como penas primitivas.

Reconstituição colorida do Sinosauropteryx prima mostrando sua cobertura filamentosa. A descoberta chinesa foi referência direta para a interpretação das estruturas integumentares do Ubirajara como penas primitivas.

O padrão documentado no Sinosauropteryx, estendido ao Ubirajara, sugere que o tegumento filamentoso era uma característica ancestral dos celurossauros, presente tanto em Laurásia quanto em Gondwana.

O padrão documentado no Sinosauropteryx, estendido ao Ubirajara, sugere que o tegumento filamentoso era uma característica ancestral dos celurossauros, presente tanto em Laurásia quanto em Gondwana.

2025

Two new compsognathid-like theropods show diversified predation strategies in theropod dinosaurs

Qiu, R. et al. · National Science Review

Análise filogenética recente de compsognatídeos; propõe Sinosauropterygidae como clado monofilético dentro dos celurossauros basais. Fornece matriz atualizada relevante para avaliar a posição proposta para o Ubirajara.

Sinosauropteryx como representante típico do clado Sinosauropterygidae proposto por Qiu et al. (2025). A análise atualizada tem implicações para a posição filogenética do Ubirajara entre os compsognatídeos basais.

Sinosauropteryx como representante típico do clado Sinosauropterygidae proposto por Qiu et al. (2025). A análise atualizada tem implicações para a posição filogenética do Ubirajara entre os compsognatídeos basais.

Esqueleto do Ubirajara mostrando os elementos preservados. Com apenas a metade anterior documentada, a inclusão do espécime em qualquer análise filogenética é sensível a caracteres craniais e pélvicos ausentes.

Esqueleto do Ubirajara mostrando os elementos preservados. Com apenas a metade anterior documentada, a inclusão do espécime em qualquer análise filogenética é sensível a caracteres craniais e pélvicos ausentes.

2011

Scipionyx samniticus (Theropoda: Compsognathidae) from the Lower Cretaceous of Italy. Osteology, ontogenetic assessment, phylogeny, soft tissue anatomy, taphonomy and paleobiology

Dal Sasso, C. e Maganuco, S. · Memorie della Società Italiana di Scienze Naturali e del Museo Civico di Storia Naturale di Milano

Monografia de referência sobre o Scipionyx samniticus, compsognatídeo do Cretáceo italiano com tecidos moles preservados. Base comparativa essencial para avaliar a anatomia de compsognatídeos e interpretar as estruturas integumentares do Ubirajara.

A família Compsognathidae foi por muito tempo interpretada como um grupo coerente de pequenos terópodes do Jurássico e Cretáceo. A monografia de Dal Sasso e Maganuco (2011) sobre o Scipionyx, somada aos brasileiros Mirischia e Santanaraptor, mostra que esses animais têm anatomia diversa.

A família Compsognathidae foi por muito tempo interpretada como um grupo coerente de pequenos terópodes do Jurássico e Cretáceo. A monografia de Dal Sasso e Maganuco (2011) sobre o Scipionyx, somada aos brasileiros Mirischia e Santanaraptor, mostra que esses animais têm anatomia diversa.

A reconstituição do Ubirajara mostra proporções compatíveis com outros compsognatídeos. O debate sobre se os compsognatídeos formam um clado natural permanece aberto e é pano de fundo para a avaliação do Ubirajara.

A reconstituição do Ubirajara mostra proporções compatíveis com outros compsognatídeos. O debate sobre se os compsognatídeos formam um clado natural permanece aberto e é pano de fundo para a avaliação do Ubirajara.

SMNK PAL 29241 — Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (URCA), Santana do Cariri, Ceará, Brasil

Rafa Neddermeyer / Agência Brasil, CC BY 2.0

SMNK PAL 29241

Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (URCA), Santana do Cariri, Ceará, Brasil

Completude: Metade anterior preservada (~30%): pescoço, tronco, ombros, braço esquerdo, tecidos moles integumentares
Encontrado em: 1990
Por: Desconhecido (pedreira de calcário, Chapada do Araripe)

Holótipo único. Permaneceu no Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe (Alemanha) entre 2009 e 2023. Repatriado ao Brasil em cerimônia oficial em 12 de junho de 2023. Hoje está no Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri, em Santana do Cariri, não muito longe da pedreira onde foi coletado três décadas antes.

Cerimônia de devolução — Ministério das Relações Exteriores / URCA, Brasil

Wikimedia Commons, CC BY

Cerimônia de devolução

Ministério das Relações Exteriores / URCA, Brasil

Completude: Documentação fotográfica da devolução oficial em junho de 2023
Encontrado em: 2023
Por: Campanha #UbirajaraBelongstoBR

A devolução oficial ocorreu em cerimônia conjunta Brasil-Alemanha em 12 de junho de 2023, com a ministra alemã das Relações Exteriores Annalena Baerbock presente. O caso se tornou referência em discussões sobre descolonização de acervos paleontológicos.

Dinosauria
Saurischia
Theropoda
Coelurosauria
Compsognathidae
Primeiro fóssil
1990
Descobridor
Desconhecido (coletado em pedreira de calcário entre Nova Olinda e Santana do Cariri)
Descrição formal
2020
Descrito por
Robert S.H. Smyth, David M. Martill, Eberhard Frey, Héctor E. Rivera-Silva e Norbert Lenz (descrição retirada em setembro de 2021)
Formação
Formação Crato (Grupo Santana, Bacia do Araripe)
Região
Ceará
País
Brasil
📄 Artigo de descrição original

Curiosidade

O Ubirajara é o primeiro dinossauro não aviano de Gondwana descrito com estruturas integumentares elaboradas (penas primitivas e ornamentos nos ombros). O caso de sua repatriação, concluído em 2023 após uma campanha internacional, mudou a discussão global sobre proveniência de fósseis e descolonização de acervos paleontológicos. Apesar disso, seu nome científico ('Ubirajara jubatus') permanece oficialmente indisponível sob o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica enquanto uma redescrição formal não é publicada.