Therizinossauro
Therizinosaurus cheloniformis
"Lagarto ceifador com forma de tartaruga"
Sobre esta espécie
O Therizinosaurus cheloniformis e um dos dinossauros mais bizarros já descobertos. Era um terópode herbívoro que viveu no final do Cretáceo, há cerca de 70 milhões de anos, na atual Mongólia. Com até 10 metros de comprimento e pesando cerca de 5 toneladas, seu traco mais marcante eram as garras gigantescas dos membros anteriores, que podiam chegar a 70 cm de comprimento, as maiores de qualquer animal conhecido. Apesar de pertencer ao mesmo grupo dos velociraptores e do T. rex (Theropoda), o Therizinosaurus era herbívoro, usando suas garras para puxar galhos e se alimentar de folhagem. Foi inicialmente descrito como uma tartaruga gigante por Evgeny Maleev em 1954, e levou décadas até que os paleontólogos compreendessem sua verdadeira natureza como dinossauro terópode.
Formação geológica e ambiente
O Therizinosaurus cheloniformis e encontrado na Formacao Nemegt, que aflora no Deserto de Gobi, sudoeste da Mongólia. A formação data do Campaniano-Maastrichtiano (~72-69 Ma) e e composta por arenitos e argilitos depositados em rios meandrantes e trançados. O ambiente era de planicie aluvial temperada com monsoes, coberta por florestas densas de araucarias com copas fechadas, ginkgos, ciprestes carecas e vegetacao aquatica. Não havia calotas polares e o nível do mar era mais alto que o atual. A fauna era extraordinariamente diversa: o predador apice Tarbosaurus bataar, os gigantescos Deinocheirus e Therizinosaurus, hadrossaurideos como Saurolophus, titanossauros como Nemegtosaurus, anquilossaurideos, paquicefalossaurideos, ornitomimossauros, oviraptossauros, dromeossaurideos, trodontideos, crocodilos, tartarugas e aves primitivas. A Formacao Nemegt e considerada um dos depositos de vertebrados fósseis mais ricos da Ásia.
Galeria de imagens
Restauracao de vida de Therizinosaurus cheloniformis, mostrando o animal com plumagem densa e garras alongadas usadas para puxar galhos.
Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Ecologia e comportamento
Habitat
O Therizinosaurus habitava as planícies aluviais e florestas da Formação Nemegt, no atual Deserto de Gobi, sudoeste da Mongólia, há 72 a 69 milhões de anos. O clima era relativamente temperado (temperatura média anual entre 7,6 e 8,7 graus Celsius), com monções: invernos frios e secos, e verões quentes e chuvosos, com precipitação media anual entre 775 e 835 mm. A paisagem era composta por rios meandrantes e trançados, com florestas extensas dominadas por araucárias formando copas fechadas. A flora incluía ginkgos, gramineas, cicadofitas, sicômoros, ciprestes carecas, lótus e plantas aquáticas. O ecossistema da Nemegt era um dos mais ricos do Cretáceo Superior, abrigando dezenas de espécies de dinossauros, incluindo o predador ápice Tarbosaurus bataar, hadrossaurideos como Saurolophus, titanossauros como Nemegtosaurus, anquilossaurideos como Saichania, ornitomimossauros como Gallimimus e Deinocheirus, e oviraptossauros como Rinchenia.
Alimentação
O Therizinosaurus era um herbívoro alto, de pescoço longo, equipado com uma ranfoteca (bico córneo) e garras manuais de até 70 cm de comprimento. As análises biomecânicas de Lautenschlager (2014) demonstraram que as garras eram mais adequadas para puxar galhos e vegetação alta do que para combate ou escavação. Zanno e Makovicky (2011) documentaram que a herbivoria nos terizinossauros representa um dos seis eventos independentes de transição dietética nos terópodes. O Therizinosaurus provavelmente preferia áreas ripárias ao longo de rios para forrageio, funcionando como uma espécie de girafa do Cretáceo, alcançando copa de árvores que outros herbívoros não conseguiam acessar. Lautenschlager (2017) demonstrou que diferentes terizinossauros ocupavam nichos alimentares distintos, com Therizinosaurus no extremo do espectro como especialista em vegetação alta e fibrosa.
Comportamento e sentidos
O Therizinosaurus era provavelmente um animal solitário ou de pequenos grupos, alimentando-se em áreas florestais ao longo de rios. Lautenschlager (2012) analisou endocastes digitais do cérebro de terizinossauros e revelou sentidos relativamente aguçados de olfato e visão, com o aparelho vestibular indicando postura habitual com a cabeça voltada para baixo, consistente com herbivoria de vegetação baixa e media. Quando em pé, um Therizinosaurus adulto atingia altura suficiente para que um grande Tarbosaurus não pudesse morder acima das coxas ou barriga, sugerindo que o porte e as garras enormes funcionavam como dissuasão contra predadores. As garras também podem ter sido usadas em displays de cortejo ou disputas territoriais entre indivíduos da mesma espécie.
Fisiologia e crescimento
Como membro de Maniraptora, o Therizinosaurus era quase certamente endotérmico (de sangue quente), com metabolismo elevado semelhante ao de aves modernas. Evidências indiretas vêm da presença de penas em parentes próximos como Beipiaosaurus (Xu et al., 1999), que implicam a necessidade de regulação térmica ativa. O animal atingia até 10 metros de comprimento e pesava entre 5 e 10 toneladas, com braços de 2,4 metros e garras de até 70 cm. A pelve opistopúbica (com o púbis voltado para trás) aumentava a capacidade do trato digestivo, uma adaptação necessária para processar grandes volumes de vegetação. O pescoço media cerca de 2,2 metros, e o pé era tetradáctilo (quatro dedos), diferente dos três dedos típicos dos terópodes mais derivados.
Paleogeografia
Configuração continental
Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma
Durante o Campaniano-Maastrichtiano (~76–69 Ma), Therizinosaurus cheloniformis habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.
Inventário de Ossos
Baseado em multiplos espécimes fragmentarios. O holotipo (PIN 551-483) consiste em três garras manuais parciais com fragmentos de metacarpo e costelas. O espécime mais completo (MPC-D 100/15), coletado em 1973, inclui ambos os bracos com escapulocoracoides, úmeros, ulnas, radio, carpais e metacarpo. O espécime MPC-D 100/45 preserva elementos do membro posterior. A anatomia do crânio e inferida a partir de parentes próximos como Erlikosaurus.
Estruturas encontradas
Estruturas inferidas
Literatura Científica
15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.
New turtle-like reptile in Mongolia
Maleev, E.A. · Priroda
Artigo fundador que descreve formalmente o Therizinosaurus cheloniformis com base no espécime PIN 551-483, três garras manuais parciais coletadas na Formacao Nemegt da Mongólia durante a expedicao paleontológica sovietico-mongol de 1948. Maleev interpreta o animal como um réptil marinho semelhante a uma tartaruga gigante de cerca de 4,5 metros que usava suas garras enormes para colher algas marinhas. O nome generico Therizinosaurus (lagarto ceifador) refere-se a forma das garras, enquanto o epitetivo específico cheloniformis (forma de tartaruga) reflete a interpretação equivocada de Maleev. As garras foram as maiores já encontradas em qualquer animal, medindo até 52 cm apenas no osso. Este artigo, publicado em russo na revista Priroda, estabeleceu um dos maiores mistérios da paleontologia do século XX: que tipo de animal poderia ter garras tao descomunais?
On the giant claws of enigmatic Mesozoic reptiles
Rozhdestvensky, A.K. · Paleontological Journal
Artigo que marca o inicio da reclassificacao do Therizinosaurus. Rozhdestvensky reexamina as garras gigantes descritas por Maleev e as compara com material dos membros anteriores de Chilantaisaurus, um terópode da China. A análise morfológica revela semelhancas estruturais significativas entre as garras de ambos os animais, sugerindo que Therizinosaurus não era uma tartaruga, mas sim um dinossauro terópode de proporções extraordinarias. Esta proposta foi revolucionaria para a época e encontrou resistência da comunidade científica, que considerava impossível um terópode com garras tao grandes ser herbívoro. Apesar da resistência, o trabalho de Rozhdestvensky plantou a semente que levaria a reclassificacao definitiva do animal nas décadas seguintes.
New data on Therizinosaurus (Therizinosauridae, Theropoda)
Barsbold, R. · Paleontology and Biostratigraphy of Mongolia
Barsbold descreve novo material do Therizinosaurus, incluindo o espécime MPC-D 100/15, o mais completo já encontrado na época, com ambos os bracos preservados com escapulocoracoides, úmeros, ulnas, radio, carpais e metacarpo. A análise morfológica detalhada confirma definitivamente as afinidades terópodes do gênero, refutando a classificação original como tartaruga. O trabalho revela que os bracos do Therizinosaurus eram extremamente longos (2,4 metros) e robustos, com garras de até 70 cm incluindo a bainha de queratina. Barsbold reconhece que, embora o animal seja um terópode, sua morfologia e radicalmente diferente de qualquer terópode conhecido, sugerindo um modo de vida completamente distinto dos carnívoros típicos do grupo.
Segnosauridae, a new family of theropod dinosaurs from the Late Cretaceous of Mongolia
Perle, A. · Transactions of the Joint Soviet-Mongolian Paleontological Expedition
Perle descreve a família Segnosauridae com base em Segnosaurus galbinensis, da Formacao Bayan Shireh da Mongólia. Esta família séria posteriormente reconhecida como parte do mesmo grupo do Therizinosaurus. O Segnosaurus revelou características cruciais para entender a biologia dos terizinossauros: pelve opistopubica larga (com o pubis direcionado para tras, como nos ornitisquios), membros anteriores robustos e dentes adaptados para herbivoria. Pela primeira vez, ficou claro que existia um grupo inteiro de terópodes herbívoros na Ásia do Cretáceo Superior. A descrição do Segnosaurus forneceu as primeiras pistas sobre a anatomia geral do corpo que faltava no registro fragmentário do Therizinosaurus, permitindo reconstruções mais precisas do animal.
Segnosauria, a new infraorder of carnivorous dinosaurs
Barsbold, R. & Perle, A. · Acta Palaeontologica Polonica
Barsbold e Perle estabelecem formalmente a infraordem Segnosauria para acomodar os terópodes incomuns do Cretáceo Superior da Mongólia, incluindo Segnosaurus, Erlikosaurus e Therizinosaurus. O trabalho e fundamental porque pela primeira vez reune esses animais enigmaticos em um único grupo taxonômico, reconhecendo que compartilham uma combinacao única de características de terópodes, ornitisquios e sauropodomorfos. A classificação como 'carnívoros' no titulo reflete a visão predominante da época de que todos os terópodes eram predadores. A infraordem Segnosauria séria posteriormente substituída por Therizinosauria (Russell, 1997), mas o conceito de um clado unificado permanece valido até hoje.
A nearly complete skeleton of a new troodontid dinosaur from the Early Cretaceous of the Ordos Basin, Inner Mongolia, People's Republic of China
Russell, D.A. & Dong, Z. · Canadian Journal of Earth Sciences
Russell e Dong descrevem Alxasaurus elesitaiensis, do Cretáceo Inferior da Mongólia Interior, China. O esqueleto quase completo foi uma revelacao: pela primeira vez, um terizinossauro era conhecido por material suficiente para reconstruir o corpo inteiro. A descoberta permitiu reconhecer que Segnosauridae e Therizinosauridae formavam um único clado, Therizinosauroidea. O Alxasaurus revelou a transição entre terópodes mais típicos e os terizinossauros altamente derivados como Therizinosaurus: membro anterior longo com garras grandes mas não tao extremas, pelve opistopubica, e dentes adaptados para herbivoria. O artigo redefiniu a compreensao da diversidade dos terópodes do Cretáceo, mostrando que a herbivoria evoluiu multiplas vezes independentemente no grupo.
The skull of Erlicosaurus andrewsi, a Late Cretaceous 'Segnosaur' (Theropoda: Therizinosauridae) from Mongolia
Clark, J.M., Perle, A. & Norell, M.A. · American Museum Novitates
Clark, Perle e Norell redescrevem o crânio de Erlikosaurus andrewsi, o único crânio bem preservado de um terizinossaurideo. O trabalho e fundamental por duas razões: primeiro, confirma definitivamente os terizinossauros como terópodes maniraptorans, encerrando décadas de debate sobre suas afinidades; segundo, fornece a primeira anatomia craniana detalhada do grupo, revelando um bico queratinoso (ranfoteca) e dentes foliares adaptados para herbivoria. A análise filogenética posiciona os terizinossauros dentro de Maniraptora, como parentes dos oviraptossauros e dromeossaurideos. O crânio de Erlikosaurus e até hoje a principal referência para reconstruir a cabeça de Therizinosaurus, cujo crânio permanece desconhecido.
A therizinosauroid dinosaur with integumentary structures from China
Xu, X., Tang, Z. & Wang, X. · Nature
Xu, Tang e Wang descrevem Beipiaosaurus inexpectus, da Formacao Yixian (Cretáceo Inferior) de Liaoning, China, com estruturas tegumentares filamentosas interpretadas como penas primitivas. Esta descoberta e revolucionaria porque fornece a primeira evidência direta de que os terizinossauroideos possuíam cobertura semelhante a penas. O Beipiaosaurus confirma definitivamente o posicionamento dos terizinossauros dentro de Theropoda e especificamente de Maniraptora, já que penas são uma característica desse grupo. A descoberta teve impacto direto na reconstrução visual do Therizinosaurus: artistas e cientistas passaram a representar o animal com plumagem, em vez de escamas. O artigo, publicado na Nature, e um dos trabalhos mais citados na paleontologia de dinossauros emplumados.
First definitive therizinosaurid (Dinosauria; Theropoda) from North America
Kirkland, J.I. & Wolfe, D.G. · Journal of Vertebrate Paleontology
Kirkland e Wolfe descrevem Nothronychus mckinleyi, do Cretáceo medio do Novo Mexico, Estados Unidos, o primeiro terizinossaurideo encontrado fora da Ásia. A descoberta demoliu a ideia de que os terizinossauros eram exclusivamente asiaticos e demonstrou que o grupo tinha distribuição global. O Nothronychus preserva material esquelético substancial, incluindo vértebras, pelve e membros, fornecendo dados cruciais sobre a anatomia geral dos terizinossaurideos que complementam o registro fragmentário do Therizinosaurus. A presença de um terizinossaurideo na América do Norte indica que o grupo atravessou a ponte terrestre entre a Ásia e a América durante o Cretáceo, dispersando-se por ambos os continentes.
A primitive therizinosauroid dinosaur from the Early Cretaceous of Utah
Kirkland, J.I. et al. · Nature
Kirkland e colegas descrevem Falcarius utahensis, da Formacao Cedar Mountain (Cretáceo Inferior) de Utah, o terizinossauroide mais basal conhecido. O Falcarius e extraordinário porque documenta a transição da carnivoria para a herbivoria dentro dos terópodes: seus dentes são intermediarios entre os serrilhados dos carnívoros e os foliares dos herbívoros, e seu intestino era maior que o de terópodes carnívoros típicos. O artigo, publicado na Nature, demonstra que a evolução da herbivoria nos terizinossauros foi gradual, com formas basais retendo características de seus ancestrais carnívoros. O Falcarius fornece o elo perdido entre os maniraptorans carnívoros e os terizinossauros herbívoros como Therizinosaurus.
A taxonomic and phylogenetic re-evaluation of Therizinosauria (Dinosauria: Maniraptora)
Zanno, L.E. · Journal of Systematic Palaeontology
Zanno pública a revisão taxonômica e filogenetica mais abrangente já realizada para Therizinosauria, incorporando todos os taxons conhecidos até 2010. A nova análise filogenetica recupera uma topologia totalmente resolvida para o clado, posicionando Therizinosaurus como o membro mais derivado da família Therizinosauridae. O trabalho clarifica a taxonomia de vários taxons problematicos e fornece o arcabouco filogenetico mais robusto para o grupo até hoje. Zanno também revisa as sinapomorfias (características compartilhadas derivadas) que definem cada no do cladograma, permitindo diagnosticar com precisao os diferentes níveis taxonômicos. Este artigo e a referência padrão para qualquer estudo filogenetico de terizinossauros.
Herbivorous ecomorphology and specialization patterns in theropod dinosaur evolution
Zanno, L.E. & Makovicky, P.J. · Proceedings of the National Academy of Sciences
Zanno e Makovicky analisam a evolução da herbivoria em todos os terópodes e revelam que a transição de carnivoria para herbivoria ou onivoria ocorreu pelo menos seis vezes independentemente no grupo. Os terizinossauros representam um dos casos mais extremos de especialização herbívora, com adaptações morfológicas que incluem aumento da capacidade intestinal (pelve larga), redução da denticao, alongamento dos membros anteriores e desenvolvimento de bico queratinoso. O estudo demonstra que a evolução da herbivoria foi um fenômeno recorrente e bem-sucedido nos terópodes, contrariando a visão tradicional de que o grupo era exclusivamente carnívoro. O Therizinosaurus e citado como o exemplo mais extremo dessa tendência evolutiva.
The endocranial anatomy of Therizinosauria and its implications for sensory and cognitive function
Lautenschlager, S. · PLOS ONE
Lautenschlager utiliza tomografia computadorizada para criar endocastes digitais de caixas cranianas de terizinossauros, revelando cerebros relativamente grandes em relação ao corpo, bulbos olfativos bem desenvolvidos e lobos opticos que sugerem sentidos aguados de olfato e visão. O aparelho vestibular indica uma postura habitual com a cabeça inclinada para baixo, consistente com herbivoria de vegetacao baixa. O estudo sugere que os terizinossauros possuíam capacidades sensoriais e cognitivas mais sofisticadas do que se esperaria para herbívoros de grande porte. A análise e aplicada a Erlikosaurus andrewsi e extrapolada para Therizinosaurus, proporcionando as primeiras inferencias sobre a neuroanatomia e o comportamento sensorial do grupo.
Morphological and functional diversity in therizinosaur claws and the implications for specific adaptation
Lautenschlager, S. · Proceedings of the Royal Society B
Lautenschlager aplica análise de elementos finitos (FEA) e modelagem biomecânica digital as garras de terizinossauros para investigar suas funções. O estudo testa hipóteses concorrentes: defesa contra predadores, escavacao de cupinzeiros, ou alimentação. Os resultados mostram que as garras enormes de Therizinosaurus cheloniformis eram mais adequadas para puxar galhos e vegetacao alta, como um gancho natural, do que para combate ou escavacao. As diferentes espécies de terizinossauros mostraram diversidade funcional nas garras, sugerindo que o grupo explorava diferentes nichos ecológicos. O Therizinosaurus, com as maiores garras de qualquer animal conhecido, era o especialista mais extremo em alimentação de vegetacao alta, funcionando como uma espécie de girafa do Cretáceo.
Functional niche partitioning in Therizinosauria provides new insights into the evolution of theropod herbivory
Lautenschlager, S. · Palaeontology
Lautenschlager pública uma análise biomecânica computacional do crânio, mandíbula e aparelho alimentar de multiplos taxons de terizinossauros, revelando particao funcional de nicho dentro do clado. Diferentes espécies ocupavam nichos alimentares distintos: desde herbívoros generalistas como Falcarius até especialistas extremos em vegetacao alta como Therizinosaurus. A análise de tensão mandibular e movimento de mastigação mostra que as formas mais derivadas tinham capacidade de processar vegetacao mais fibrosa e resistente. O Therizinosaurus, no extremo do espectro, combinava garras para puxar galhos com um aparelho alimentar otimizado para processamento de folhagem dura. Este estudo demonstra que os terizinossauros não competiam entre si por alimento, ocupando nichos ecológicos complementares.
Espécimes famosos em museus
PIN 551-483 (Holótipo)
Paleontological Institute, Russian Academy of Sciences, Moscou
Holotipo consistindo de três garras manuais parciais com fragmentos de metacarpo e costelas. Primeiro material de Therizinosaurus já descoberto, coletado na Formacao Nemegt.
MPC-D 100/15
Institute of Paleontology, Mongolian Academy of Sciences, Ulan Bator
Especime mais completo já encontrado: ambos os bracos com escapulocoracoides, úmeros, ulnas, radio, carpais, metacarpo com dedo II completo, costelas e gastralias. Coletado em Hermiin Tsav.
No cinema e na cultura popular
O Therizinosaurus permaneceu relativamente desconhecido do grande público até 2022, quando apareceu em duas produções de grande repercussao quase simultaneamente. Em Jurassic World: Dominion, o animal foi retratado como uma criatura cega e assustadora que caca por som, com penas e garras enormes. Embora a plumagem tenha sido um avanco para a franquia, o comportamento agressivo e predatório contradiz tudo o que sabemos sobre a dieta herbívora do animal. A cena no lago com Claire Dearing tornou-se iconica e apresentou o Therizinosaurus para milhões de espectadores. No documentario Prehistoric Planet (Apple TV+, 2022), narrado por David Attenborough, o animal recebeu a representação mais cientificamente precisa da história, mostrado como um herbívoro pacifico usando suas garras para puxar galhos. Antes disso, o Therizinosaurus havia aparecido em Chased by Dinosaurs (BBC, 2003) e Dinosaur Revolution (Discovery Channel, 2011), sempre como um herbívoro gigante, mas sem a plumagem que só séria amplamente aceita após a descoberta de Beipiaosaurus em 1999. A trajetoria na midia audiovisual reflete a evolução do conhecimento científico: de criatura misteriosa e mal compreendida a um dos dinossauros mais fascinantes e visualmente distintos do Cretáceo.
Classificação
Descoberta
Curiosidade
Quando Evgeny Maleev descreveu o Therizinosaurus em 1954, ele pensou que as garras gigantescas pertenciam a uma tartaruga marinha que colhia algas. Levou mais de 20 anos para que os paleontólogos percebessem que era, na verdade, um dinossauro terópode herbívoro: o animal com as maiores garras de qualquer animal que já existiu na Terra.