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🇧🇷 Espécie Brasileira
Santanaraptor placidus
Cretáceo Carnívoro

Santanaraptor

Santanaraptor placidus

"Saqueador da Santana, plácido"

Período
Cretáceo · Aptiano-Albiano
Viveu
113–110 Ma
Comprimento
até 1.5 m
Peso estimado
15 kg
País de origem
Brasil
Descrito em
1999 por Alexander W.A. Kellner

O Santanaraptor placidus é um pequeno terópode celurossauro do Cretáceo Inferior (Aptiano-Albiano, ~110 Ma) da Formação Romualdo (antigo 'Membro Romualdo' da Formação Santana), na Bacia do Araripe, sul do Ceará. O holótipo MN 4802-V é célebre por preservar tecidos moles fossilizados, entre eles fibras musculares, epiderme e possíveis vasos sanguíneos, o que rendeu uma das primeiras reportagens de tecidos moles em dinossauros, publicada por Alexander Kellner na Nature em 1996. Descrito formalmente em 1999 como celurossauro basal, o animal foi posteriormente classificado como tiranossauroide (Holtz 2004; Delcourt e Grillo 2018) e, mais recentemente, redescrito como maniraptoromorfo basal por Delcourt e colegas em 2025. O holótipo juvenil sobreviveu ao incêndio do Museu Nacional em setembro de 2018 e continua sendo referência para pesquisas sobre preservação excepcional e diversidade de pequenos terópodes brasileiros.

Formação Romualdo (anteriormente 'Membro Romualdo' da Formação Santana), parte do Grupo Santana, Bacia do Araripe. Idade aptiana tardia a albiana inicial (~113 a 108 Ma). Litologia dominada por argilitos e folhelhos com características concreções calcárias, no interior das quais a preservação tridimensional de tecidos moles é excepcional. É considerada um Konservat-Lagerstätte de classe mundial. A fauna inclui terópodes (Santanaraptor, Mirischia, Irritator, Angaturama, Aratasaurus), pterossauros (Anhanguera, Tropeognathus, Tapejara, Thalassodromeus, Tupuxuara) e cerca de 25 espécies de peixes, além de tartarugas e crocodilomorfos.

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Habitat

Bacia sedimentar rifte-lacustre com incursões marinhas rasas, cercada por vegetação xerofítica de coníferas, cicadáceas e gnetófitas. Os depósitos carbonáticos que preservaram o holótipo se formaram em uma lagoa hipersalina com circulação limitada, o que favoreceu a preservação excepcional de tecidos moles.

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Alimentação

Pequeno carnívoro oportunista que provavelmente se alimentava de pequenos vertebrados (lagartos, mamaliaformes, peixes encalhados) e invertebrados. Por seu tamanho reduzido, era provavelmente presa dos grandes espinossaurídeos (Irritator, Angaturama) do mesmo ecossistema.

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Comportamento e sentidos

Não há evidências diretas de comportamento, mas a maioria dos pequenos celurossauros conhecidos é interpretada como caçadora solitária ou em pequenos grupos, ágil em terreno semiaberto. Filamentos carbonizados associados à tíbia sugerem presença de integumento semelhante a protopenas, compatível com termorregulação ativa.

Fisiologia e crescimento

O holótipo é notável pela preservação de fibras musculares fossilizadas, epiderme fina e possíveis vasos sanguíneos, entre os primeiros registros mundiais desse tipo de preservação em dinossauros. Essa preservação sustenta inferências sobre fisiologia de tecidos moles (densidade muscular, estrutura dérmica) inacessíveis a partir de ossos.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Cretáceo (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma

Durante o Aptiano-Albiano (~113–110 Ma), Santanaraptor placidus habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.

Completude estimada 20%

Holótipo preserva principalmente a metade posterior (pelve, membros posteriores e caudais), sem crânio nem membros anteriores. A excepcional preservação de tecidos moles associados é, contudo, um dos registros mais raros da paleontologia mundial de dinossauros e justifica o interesse sustentado pela espécie.

Encontrado (10)
Inferido (6)
Esqueleto de dinossauro — theropod
Wikimedia Commons CC BY-SA 3.0

Estruturas encontradas

3 vértebras caudais médias a distais com chevronsambos os ísquiosambos os fêmuresambas as tíbias (parciais)fragmento proximal da fíbula esquerdaastrágalo direito, calcâneo e tarsais distaisambos os pés (parciais)tecidos moles associados: epiderme fina, fibras musculares, possíveis vasos sanguíneosimpressões de escamasfilamentos carbonizados na tíbia interpretados como estruturas semelhantes a protopenas

Estruturas inferidas

crâniomandíbulapescoço e troncomembros anteriorescintura escapularmaioria das vértebras dorsais e sacrais

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

1996

Fossilized theropod soft tissue

Kellner, A.W.A. · Nature

Nota breve publicada na Nature reportando pela primeira vez a preservação excepcional de tecidos moles (epiderme, fibras musculares) no espécime que séria formalmente descrito três anos depois como Santanaraptor placidus.

Exposição do esqueleto reconstruído do Santanaraptor placidus no Museu Nacional (Rio de Janeiro), baseado no holótipo MN 4802-V cujos tecidos moles foram reportados na nota de Kellner na Nature (1996).

Exposição do esqueleto reconstruído do Santanaraptor placidus no Museu Nacional (Rio de Janeiro), baseado no holótipo MN 4802-V cujos tecidos moles foram reportados na nota de Kellner na Nature (1996).

Réplica do Santanaraptor no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (URCA, Santana do Cariri). A preservação excepcional reportada por Kellner em 1996 colocou a Bacia do Araripe no mapa mundial de tecidos moles fossilizados.

Réplica do Santanaraptor no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (URCA, Santana do Cariri). A preservação excepcional reportada por Kellner em 1996 colocou a Bacia do Araripe no mapa mundial de tecidos moles fossilizados.

1999

Short note on a new dinosaur (Theropoda, Coelurosauria) from the Santana Formation (Romualdo Member, Albian), northeastern Brazil

Kellner, A.W.A. · Boletim do Museu Nacional, Nova Série, Geologia

Descrição formal do gênero e da espécie Santanaraptor placidus, com base no holótipo MN 4802-V. Kellner o interpretou como celurossauro basal, estabelecendo o primeiro terópode nomeado da Bacia do Araripe.

Esqueleto montado do Santanaraptor placidus (MN 4802-V), holótipo formalmente descrito por Kellner em 1999 no Boletim do Museu Nacional, com pelve, fêmures, tíbias e caudais médias a distais.

Esqueleto montado do Santanaraptor placidus (MN 4802-V), holótipo formalmente descrito por Kellner em 1999 no Boletim do Museu Nacional, com pelve, fêmures, tíbias e caudais médias a distais.

Reconstrução esquelética do Santanaraptor com elementos preservados destacados. A descrição original de Kellner (1999) interpretou o animal como celurossauro basal.

Reconstrução esquelética do Santanaraptor com elementos preservados destacados. A descrição original de Kellner (1999) interpretou o animal como celurossauro basal.

2000

Brief review of dinosaur studies and perspectives in Brazil

Kellner, A.W.A. e Campos, D.A. · Anais da Academia Brasileira de Ciências

Revisão das pesquisas com dinossauros no Brasil até o ano 2000, discutindo o Santanaraptor como pequeno celurossauro do Albiano nordestino e apresentando o estado da arte da paleontologia brasileira daquele momento.

Figura 12 de Kellner e Campos (2000, Anais da ABC): esqueleto preservado do Staurikosaurus pricei, um dos dinossauros brasileiros abordados na revisão que contextualiza o Santanaraptor.

Figura 12 de Kellner e Campos (2000, Anais da ABC): esqueleto preservado do Staurikosaurus pricei, um dos dinossauros brasileiros abordados na revisão que contextualiza o Santanaraptor.

Figura 11 de Kellner e Campos (2000, Anais da ABC): reconstrução esquelética do titanossauro Gondwanatitan faustoi, publicada na mesma revisão que posiciona o Santanaraptor entre os pequenos celurossauros brasileiros.

Figura 11 de Kellner e Campos (2000, Anais da ABC): reconstrução esquelética do titanossauro Gondwanatitan faustoi, publicada na mesma revisão que posiciona o Santanaraptor entre os pequenos celurossauros brasileiros.

2000

Skeletal remains of a small theropod dinosaur with associated soft structures from the Lower Cretaceous Santana Formation of northeastern Brazil

Martill, D.M., Frey, E., Sues, H.-D. e Cruickshank, A.R.I. · Canadian Journal of Earth Sciences

Descrição independente, contemporânea ao trabalho de Kellner, de um pequeno terópode da Formação Santana com tecidos moles preservados. O material é hoje considerado diretamente comparável ao Santanaraptor ou parte do mesmo conjunto.

Reconstituição em vida de Mirischia asymmetrica por Ademar Pereira. Martill et al. (2000) descreveram pela primeira vez este pequeno terópode com tecidos moles preservados, hoje comparado diretamente ao Santanaraptor.

Reconstituição em vida de Mirischia asymmetrica por Ademar Pereira. Martill et al. (2000) descreveram pela primeira vez este pequeno terópode com tecidos moles preservados, hoje comparado diretamente ao Santanaraptor.

Reconstituições comparativas de Mirischia asymmetrica e Santanaraptor placidus, os dois pequenos terópodes da Formação Santana/Romualdo documentados na descrição de Martill et al. (2000) e trabalhos subsequentes.

Reconstituições comparativas de Mirischia asymmetrica e Santanaraptor placidus, os dois pequenos terópodes da Formação Santana/Romualdo documentados na descrição de Martill et al. (2000) e trabalhos subsequentes.

2004

Tyrannosauroidea

Holtz, T.R. · The Dinosauria, 2nd edition (University of California Press)

Capítulo clássico sobre Tyrannosauroidea em que Holtz propõe formalmente o Santanaraptor como primeiro tiranossauroide gondwanano, abrindo uma discussão sobre distribuição global do grupo que persiste até hoje.

Reconstrução esquelética do Santanaraptor placidus. Holtz (2004), no capítulo sobre Tyrannosauroidea de The Dinosauria, propôs que o táxon séria o primeiro tiranossauroide gondwanano.

Reconstrução esquelética do Santanaraptor placidus. Holtz (2004), no capítulo sobre Tyrannosauroidea de The Dinosauria, propôs que o táxon séria o primeiro tiranossauroide gondwanano.

Esqueleto montado do Santanaraptor no Museu Nacional. A hipótese tiranossauroide de Holtz (2004) dominou a literatura sobre o táxon por cerca de duas décadas.

Esqueleto montado do Santanaraptor no Museu Nacional. A hipótese tiranossauroide de Holtz (2004) dominou a literatura sobre o táxon por cerca de duas décadas.

2004

Ecology, systematics and biogeographical relationships of dinosaurs, including a new theropod, from the Santana Formation (?Albian, Early Cretaceous) of Brazil

Naish, D., Martill, D.M. e Frey, E. · Historical Biology

Nomeação formal de Mirischia asymmetrica (SMNK 2349 PAL) e síntese biogeográfica dos dinossauros da Formação Santana, estabelecendo o Santanaraptor e o Mirischia como os dois pequenos terópodes principais da Bacia do Araripe.

Reconstituição de Mirischia asymmetrica (SMNK 2349 PAL), espécie formalmente nomeada por Naish, Martill e Frey (2004) como o segundo pequeno terópode da Formação Santana ao lado do Santanaraptor.

Reconstituição de Mirischia asymmetrica (SMNK 2349 PAL), espécie formalmente nomeada por Naish, Martill e Frey (2004) como o segundo pequeno terópode da Formação Santana ao lado do Santanaraptor.

Cena paleoambiental com Mirischia e a ave Cratoavis na Bacia do Araripe, ecossistema cuja biogeografia foi sintetizada por Naish et al. (2004).

Cena paleoambiental com Mirischia e a ave Cratoavis na Bacia do Araripe, ecossistema cuja biogeografia foi sintetizada por Naish et al. (2004).

2002

Irritator challengeri, a spinosaurid (Dinosauria: Theropoda) from the Lower Cretaceous of Brazil

Sues, H.-D. · Journal of Vertebrate Paleontology

Descrição definitiva do espinossaurídeo Irritator challengeri, grande terópode do ecossistema Romualdo coevo ao Santanaraptor. Ambos dividiam o mesmo ambiente lacustre-hipersalino aptiano-albiano.

Fotografias do crânio holótipo SMNS 58022 de Irritator challengeri em vista lateral esquerda e direita, o material-tipo redescrito em detalhe por Sues et al. (2002).

Fotografias do crânio holótipo SMNS 58022 de Irritator challengeri em vista lateral esquerda e direita, o material-tipo redescrito em detalhe por Sues et al. (2002).

Detalhe da maxila e dos dentes cônicos do holótipo de Irritator challengeri, aspecto diagnóstico discutido por Sues et al. (2002) para posicionar o táxon em Spinosauridae.

Detalhe da maxila e dos dentes cônicos do holótipo de Irritator challengeri, aspecto diagnóstico discutido por Sues et al. (2002) para posicionar o táxon em Spinosauridae.

1996

First Early Cretaceous theropod dinosaur from Brazil with comments on Spinosauridae

Kellner, A.W.A. e Campos, D.A. · Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie Abhandlungen

Descrição original do Angaturama limai, espinossaurídeo da Formação Romualdo. Estabelece o contexto faunístico de pequenos e grandes terópodes no ambiente da Bacia do Araripe onde o Santanaraptor séria formalmente descrito em 1999.

Holótipo USP GP/2T-5 de Angaturama limai, rostro descrito por Kellner e Campos (1996) e que estabelece o contexto faunístico dos espinossaurídeos da Bacia do Araripe onde mora o Santanaraptor.

Holótipo USP GP/2T-5 de Angaturama limai, rostro descrito por Kellner e Campos (1996) e que estabelece o contexto faunístico dos espinossaurídeos da Bacia do Araripe onde mora o Santanaraptor.

Reconstituição hipotética de Angaturama limai (figura 15 de Kellner e Campos 2000, Anais da ABC), com vela dorsal especulativa inspirada em Spinosaurus.

Reconstituição hipotética de Angaturama limai (figura 15 de Kellner e Campos 2000, Anais da ABC), com vela dorsal especulativa inspirada em Spinosaurus.

2020

The first theropod dinosaur (Coelurosauria, Theropoda) from the base of the Romualdo Formation (Albian), Araripe Basin, Northeast Brazil

Sayão, J.M. et al. · Scientific Reports

Descrição do Aratasaurus museunacionali, celurossauro juvenil (~3,12 m) da Formação Romualdo. O nome homenageia o Museu Nacional destruído pelo incêndio de 2018, mesma instituição que abriga o holótipo do Santanaraptor.

Figura 4 de Sayão et al. (2020, Scientific Reports): fotografias e desenhos do holótipo MPSC R 2089 de Aratasaurus museunacionali antes e depois da preparação, com fêmur distal, tíbia proximal e metatarsos.

Figura 4 de Sayão et al. (2020, Scientific Reports): fotografias e desenhos do holótipo MPSC R 2089 de Aratasaurus museunacionali antes e depois da preparação, com fêmur distal, tíbia proximal e metatarsos.

Figura 3 de Sayão et al. (2020): contexto geológico da Bacia do Araripe onde o Aratasaurus foi coletado na base da Formação Romualdo, mesma unidade que forneceu o holótipo do Santanaraptor em nível estratigráfico próximo.

Figura 3 de Sayão et al. (2020): contexto geológico da Bacia do Araripe onde o Aratasaurus foi coletado na base da Formação Romualdo, mesma unidade que forneceu o holótipo do Santanaraptor em nível estratigráfico próximo.

2018

Tyrannosauroids from the Southern Hemisphere: implications for biogeography, evolution, and taxonomy

Delcourt, R. e Grillo, O.N. · Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology

Reanálise de Santanaraptor, Timimus e pubes australianas, confirmando o posicionamento tiranossauroide em três análises filogenéticas. Propõe os novos clados Pantyrannosauria e Eutyrannosauria e sugere origem pangeica para o grupo.

Reconstituições comparativas de Mirischia e Santanaraptor. Delcourt e Grillo (2018) reanalisaram o material e consolidaram a hipótese do Santanaraptor como tiranossauroide gondwanano basal.

Reconstituições comparativas de Mirischia e Santanaraptor. Delcourt e Grillo (2018) reanalisaram o material e consolidaram a hipótese do Santanaraptor como tiranossauroide gondwanano basal.

Reconstrução esquelética do Santanaraptor placidus. Delcourt e Grillo (2018) propuseram os novos clados Pantyrannosauria e Eutyrannosauria para acomodar o táxon.

Reconstrução esquelética do Santanaraptor placidus. Delcourt e Grillo (2018) propuseram os novos clados Pantyrannosauria e Eutyrannosauria para acomodar o táxon.

2025

The coelurosaur theropods of the Romualdo Formation, early Cretaceous (Aptian) of Brazil: Santanaraptor placidus meets Mirischia asymmetrica

Delcourt, R., Grillo, O.N., Hendrickx, C., Kellermann, M. e Langer, M.C. · The Anatomical Record

Redescrição completa e abrangente de Santanaraptor e Mirischia. A posição filogenética preferida é a de maniraptoromorfos de ramificação precoce, em clado com Juratyrant e Tanycolagreus. Posição alternativa: megaraptorídeos dentro de Tyrannosauroidea.

Reconstituição de Mirischia asymmetrica (esquerda) e Santanaraptor placidus (direita) disputando um lagarto no Nordeste brasileiro há cerca de 112 milhões de anos, arte de Guilherme Gehr encomendada para divulgar Delcourt et al. (2025).

Reconstituição de Mirischia asymmetrica (esquerda) e Santanaraptor placidus (direita) disputando um lagarto no Nordeste brasileiro há cerca de 112 milhões de anos, arte de Guilherme Gehr encomendada para divulgar Delcourt et al. (2025).

Reconstituição atualizada do Santanaraptor placidus. Delcourt et al. (2025) reposicionam o táxon como maniraptoromorfo basal, em clado com Juratyrant e Tanycolagreus.

Reconstituição atualizada do Santanaraptor placidus. Delcourt et al. (2025) reposicionam o táxon como maniraptoromorfo basal, em clado com Juratyrant e Tanycolagreus.

2015

Middle Cretaceous dinosaur assemblages from northern Brazil and northern Africa and their implications for northern Gondwanan composition

Candeiro, C.R.A. · Journal of South American Earth Sciences

Revisão das faunas de dinossauros do Cretáceo médio do norte do Gondwana, contextualizando o Santanaraptor entre os pequenos terópodes brasileiros e discutindo paralelos com a fauna norte-africana coeva.

Reconstituição de Masiakasaurus knopfleri. Candeiro (2015) revisa faunas do Cretáceo médio do norte de Gondwana, onde noassaurídeos como Masiakasaurus aparecem em paralelo com os celurossauros brasileiros, incluindo o Santanaraptor.

Reconstituição de Masiakasaurus knopfleri. Candeiro (2015) revisa faunas do Cretáceo médio do norte de Gondwana, onde noassaurídeos como Masiakasaurus aparecem em paralelo com os celurossauros brasileiros, incluindo o Santanaraptor.

Reconstrução esquelética do Santanaraptor. No panorama de Candeiro (2015), é um dos poucos celurossauros nomeados do norte do Gondwana e peça-chave da comparação com a fauna norte-africana coeva.

Reconstrução esquelética do Santanaraptor. No panorama de Candeiro (2015), é um dos poucos celurossauros nomeados do norte do Gondwana e peça-chave da comparação com a fauna norte-africana coeva.

2002

On a theropod dinosaur (Abelisauria) from the continental Cretaceous of Brazil

Kellner, A.W.A. e Campos, D.A. · Arquivos do Museu Nacional

Contextualização do Santanaraptor no panorama de terópodes brasileiros do Cretáceo, apresentado em paralelo à descrição do Pycnonemosaurus nevesi, abelissaurídeo do Cretáceo Superior de Mato Grosso.

Reconstrução esquelética de Pycnonemosaurus nevesi, abelissaurídeo descrito por Kellner e Campos (2002) nos Arquivos do Museu Nacional, trabalho que contextualiza o Santanaraptor no panorama de terópodes cretácicos brasileiros.

Reconstrução esquelética de Pycnonemosaurus nevesi, abelissaurídeo descrito por Kellner e Campos (2002) nos Arquivos do Museu Nacional, trabalho que contextualiza o Santanaraptor no panorama de terópodes cretácicos brasileiros.

Réplica osteológica do Pycnonemosaurus nevesi (Museu de História Natural de Mato Grosso). O táxon é o grande abelissaurídeo que contrasta, no artigo de Kellner e Campos (2002), com o diminuto Santanaraptor do Cretáceo Inferior nordestino.

Réplica osteológica do Pycnonemosaurus nevesi (Museu de História Natural de Mato Grosso). O táxon é o grande abelissaurídeo que contrasta, no artigo de Kellner e Campos (2002), com o diminuto Santanaraptor do Cretáceo Inferior nordestino.

2012

Masiakasaurus-like theropod teeth from the Alcântara Formation, São Luís Basin (Cenomanian), northeastern Brazil

Lindoso, R.M. et al. · Cretaceous Research

Descrição de dentes referidos a abelissauroides semelhantes ao Masiakasaurus, ampliando o contexto da diversidade de terópodes brasileiros do Cretáceo, no qual o Santanaraptor é um dos poucos celurossauros nomeados.

Esqueleto montado de Masiakasaurus knopfleri. Lindoso et al. (2012) descreveram dentes brasileiros de morfologia similar na Formação Alcântara, expandindo a diversidade de terópodes cretácicos brasileiros à qual o Santanaraptor pertence.

Esqueleto montado de Masiakasaurus knopfleri. Lindoso et al. (2012) descreveram dentes brasileiros de morfologia similar na Formação Alcântara, expandindo a diversidade de terópodes cretácicos brasileiros à qual o Santanaraptor pertence.

Reconstituição de Masiakasaurus, o noassaurídeo malgaxe comparado aos dentes brasileiros da Alcântara em Lindoso et al. (2012), contrapondo noassaurídeos e celurossauros como o Santanaraptor.

Reconstituição de Masiakasaurus, o noassaurídeo malgaxe comparado aos dentes brasileiros da Alcântara em Lindoso et al. (2012), contrapondo noassaurídeos e celurossauros como o Santanaraptor.

2009

The anatomy and phylogenetic position of the Triassic dinosaur Staurikosaurus pricei Colbert, 1970

Bittencourt, J.S. e Kellner, A.W.A. · Zootaxa

Revisão osteológica do Staurikosaurus pricei, dinossauro triássico brasileiro também curado no Museu Nacional. Fornece contexto institucional e histórico para a coleção paleontológica que abriga o holótipo do Santanaraptor.

Reconstrução esquelética de Staurikosaurus pricei, o dinossauro triássico brasileiro redescrito por Bittencourt e Kellner (2009), parte do mesmo acervo do Museu Nacional que abriga o holótipo do Santanaraptor.

Reconstrução esquelética de Staurikosaurus pricei, o dinossauro triássico brasileiro redescrito por Bittencourt e Kellner (2009), parte do mesmo acervo do Museu Nacional que abriga o holótipo do Santanaraptor.

Réplica de Staurikosaurus pricei em Santa Maria (RS). A revisão de Bittencourt e Kellner (2009) consolidou a anatomia e o valor histórico deste táxon para a paleontologia brasileira.

Réplica de Staurikosaurus pricei em Santa Maria (RS). A revisão de Bittencourt e Kellner (2009) consolidou a anatomia e o valor histórico deste táxon para a paleontologia brasileira.

MN 4802-V (holótipo) — Museu Nacional / UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil

Wikimedia Commons

MN 4802-V (holótipo)

Museu Nacional / UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil

Completude: Pelve parcial, membros posteriores quase completos e vértebras caudais médias a distais, com tecidos moles associados (~20% do esqueleto)
Encontrado em: 1991
Por: Coletado em pedreira de calcário entre Nova Olinda e Santana do Cariri (CE)

O holótipo MN 4802-V é um dos poucos dinossauros brasileiros com tecidos moles preservados, entre eles fibras musculares fossilizadas, epiderme e filamentos carbonizados na tíbia. Foi inicialmente considerado perdido no incêndio do Museu Nacional em setembro de 2018, mas posteriormente encontrado em uma sala não avariada; Delcourt et al. (2025) utilizaram o material para a redescrição completa da espécie, o que confirma sua preservação pós-incêndio.

MCT 1502-R (molde) — Departamento Nacional da Produção Mineral / Museu de Ciências da Terra, Rio de Janeiro, Brasil

Wikimedia Commons

MCT 1502-R (molde)

Departamento Nacional da Produção Mineral / Museu de Ciências da Terra, Rio de Janeiro, Brasil

Completude: Molde do holótipo (aproximadamente os mesmos elementos)
Encontrado em: 1991
Por: Moldagem feita a partir do holótipo MN 4802-V

Molde oficial do holótipo mantido no acervo do DNPM/MCT como redundância de segurança, prática comum para espécimes excepcionais do Brasil. Garante a continuidade do estudo mesmo em caso de danos ao material original.

Dinosauria
Saurischia
Theropoda
Coelurosauria
Maniraptoromorpha
Primeiro fóssil
1991
Descobridor
Coletado em pedreira de calcário entre Nova Olinda e Santana do Cariri (CE); descrito por Alexander Kellner
Descrição formal
1999
Descrito por
Alexander W.A. Kellner
Formação
Formação Romualdo (Grupo Santana, Bacia do Araripe)
Região
Ceará
País
Brasil
📄 Artigo de descrição original

Curiosidade

O Santanaraptor foi um dos primeiros dinossauros do mundo cujo tecido mole foi reportado em revista científica de alto impacto (Kellner, Nature, 1996), antes do holótipo ser formalmente batizado em 1999. Apesar de o Museu Nacional ter sido devastado pelo incêndio de 2 de setembro de 2018, o holótipo MN 4802-V sobreviveu em uma sala não avariada e foi base para a redescrição completa da espécie por Delcourt e colegas em 2025, que agora o interpretam como maniraptoromorfo basal, e não mais como tiranossauroide.