← Voltar ao catálogo
🇧🇷 Espécie Brasileira
Gnathovorax cabreirai
Triássico Carnívoro

Gnathovorax

Gnathovorax cabreirai

"Mandíbulas vorazes de Cabreira"

Período
Triássico · Carniano
Viveu
233–233 Ma
Comprimento
até 3 m
Peso estimado
90 kg
País de origem
Brasil
Descrito em
2019 por Cristian Pacheco, Rodrigo T. Müller, Max C. Langer, Flávio A. Pretto, Leonardo Kerber e Sérgio Dias-da-Silva

O Gnathovorax cabreirai é um dos predadores bípedes mais antigos do registro fóssil, vivendo há cerca de 233 milhões de anos no que hoje é a região central do Rio Grande do Sul. Com aproximadamente 3 metros de comprimento, era um herrerassaurídeo de porte médio que dominava o ecossistema ao lado de rincossauros, cinodontes e dos primeiros sauropodomorfos. O holótipo CAPPA/UFSM 0009, descoberto em 2014 por Sérgio Cabreira no Sítio Marchezan em São João do Polêsine, preserva um esqueleto articulado com crânio quase completo, sendo um dos mais bem preservados da família Herrerasauridae já encontrados. O nome significa literalmente 'mandíbulas vorazes', referência direta ao crânio robusto e aos dentes serrilhados adaptados à predação ativa. Pela completude do material, o Gnathovorax foi peça decisiva para reavaliar a posição filogenética dos herrerassauros no início da radiação dos dinossauros.

Formação Santa Maria (Sequência Candelária, Zona de Associação Hyperodapedon), Bacia do Paraná, Rio Grande do Sul, Brasil, datada em ~233 Ma (Carniano, Triássico Superior). Ambiente de planícies de inundação sazonalmente secas, com rios meandrantes e clima semi-árido. A fauna inclui os dinossauros Gnathovorax cabreirai, Buriolestes schultzi, Saturnalia tupiniquim, Pampadromaeus barberenai, Bagualosaurus agudoensis e Staurikosaurus pricei; o lagerpetídeo Ixalerpeton polesinensis; rincossauros Hyperodapedon (dominantes); cinodontes (Exaeretodon, Trucidocynodon); e pseudosúquios (Prestosuchus, Rauisuchus, Decuriasuchus, Aetosauroides). A região fica dentro do Geoparque Paleorrota, reconhecido pela UNESCO por sua densidade de sítios triássicos excepcionais.

🌿

Habitat

Planícies aluviais sazonalmente semiáridas do Carniano, com rios meandrantes e lagoas rasas, sob influência do Episódio Pluvial Carniano (~234–232 Ma). Vegetação dominada por coníferas, cicadáceas, samambaias e licopódios. A paleolatitude era de aproximadamente 40°S, no interior do sudoeste do Gondwana, e o clima alternava entre pulsos úmidos e períodos mais secos.

🦷

Alimentação

Predador ativo de médio porte, com crânio robusto, mandíbulas longas, dentes serrilhados e recurvados. Provavelmente se alimentava de rincossauros (a presa mais abundante da assembleia), cinodontes, outros pequenos dinossauros e dinossauromorfos. Membros anteriores curtos com garras recurvadas indicam especialização em agarrar presas de corpo pequeno a médio.

🧠

Comportamento e sentidos

Lesões craniofaciais descritas por Garcia et al. (2025) sugerem interações agonísticas (disputas intraespecíficas ou ataque por predador), evidência direta de comportamento combativo. A anatomia do ouvido interno e do encéfalo indica boa agilidade locomotora e equilíbrio, compatível com predador bípede rápido em terreno semi-aberto. Não há evidências de gregarismo ou cuidado parental.

Fisiologia e crescimento

Os ossos do Gnathovorax não são pneumatizados (ausência de sacos aéreos invasivos), padrão compartilhado com outros primeiros dinossauros e descrito por Aureliano et al. (2022). Isso contrasta fortemente com os terópodes derivados, que possuem vértebras altamente pneumatizadas, e sugere que o sistema de sacos aéreos evoluiu múltiplas vezes independentemente em Dinosauria.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Triássico (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Triássico, ~90 Ma

Durante o Carniano (~233–233 Ma), Gnathovorax cabreirai habitava a Pangeia, o supercontinente único que unia todos os continentes atuais. O clima era seco e quente em grande parte do interior continental.

Completude estimada 85%

O holótipo CAPPA/UFSM 0009 é considerado um dos esqueletos de herrerassaurídeo mais completos e bem preservados já coletados, faltando apenas partes da cintura escapular esquerda e do membro anterior esquerdo. O crânio foi tomografado por CT, permitindo a reconstrução do encéfalo e do ouvido interno.

Encontrado (10)
Inferido (2)
Esqueleto de dinossauro — theropod
Maurissauro (Wikimedia Commons) CC BY-SA 4.0

Estruturas encontradas

crânio quase completo e articuladomandíbula com dentes serrilhadosvértebras cervicais, dorsais, sacrais e caudaiscostelasescápula direitaúmero, rádio e ulnamão parcialpelve (ilíaco, púbis, ísquio)fêmur, tíbia e fíbulapé completo

Estruturas inferidas

escápula esquerdamembro anterior esquerdo

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

2019

Gnathovorax cabreirai: a new early dinosaur and the origin and initial radiation of predatory dinosaurs

Pacheco, C., Müller, R.T., Langer, M., Pretto, F.A., Kerber, L. e Dias-da-Silva, S. · PeerJ

Descrição original do gênero e espécie Gnathovorax cabreirai com base no holótipo CAPPA/UFSM 0009, um esqueleto quase completo encontrado no Sítio Marchezan, em São João do Polêsine, Rio Grande do Sul. O artigo descreve em detalhe a anatomia craniana, pós-craniana e endocraniana (via tomografia computadorizada), posiciona o táxon em Herrerasauridae, mais próximo de Herrerasaurus e Sanjuansaurus que de Staurikosaurus, e recupera a família como linhagem externa à dicotomia Theropoda/Sauropodomorpha. Datação de 233,23 ± 0,73 Ma a partir de camadas correlatas.

Figura 2 de Pacheco et al. (2019): fotografias e reconstrução 3D do crânio do holótipo CAPPA/UFSM 0009, a base anatômica da descrição original do Gnathovorax cabreirai.

Figura 2 de Pacheco et al. (2019): fotografias e reconstrução 3D do crânio do holótipo CAPPA/UFSM 0009, a base anatômica da descrição original do Gnathovorax cabreirai.

Figura 4 do mesmo artigo: caixa craniana e reconstrução digital do molde endocraniano, do ouvido interno e dos canais dos nervos cranianos a partir de tomografias computadorizadas.

Figura 4 do mesmo artigo: caixa craniana e reconstrução digital do molde endocraniano, do ouvido interno e dos canais dos nervos cranianos a partir de tomografias computadorizadas.

2022

The absence of an invasive air sac system in the earliest dinosaurs suggests multiple origins of vertebral pneumaticity

Aureliano, T., Ghilardi, A.M., Müller, R.T., Kerber, L., Fernandes, M.A., Ricardi-Branco, F. e Wedel, M.J. · Scientific Reports

Análise por micro-tomografia da estrutura interna das vértebras de três dinossauros brasileiros do Carniano, incluindo Gnathovorax cabreirai, Buriolestes schultzi e Pampadromaeus barberenai. Os autores encontram tecido ósseo denso e caótico, sem evidência de pneumaticidade invasiva, sugerindo que o sistema de sacos aéreos evoluiu múltiplas vezes, independentemente, dentro de Dinosauria, e não estava presente no ancestral comum.

Figura 3 de Aureliano et al. (2022) em Scientific Reports: vértebras de Pampadromaeus e Gnathovorax mostrando forames nutrícios, ponto de partida da análise por micro-tomografia.

Figura 3 de Aureliano et al. (2022) em Scientific Reports: vértebras de Pampadromaeus e Gnathovorax mostrando forames nutrícios, ponto de partida da análise por micro-tomografia.

Figura 1 do mesmo artigo: comparação entre arquiteturas vertebrais apneumáticas (répteis e mamíferos atuais) e pneumáticas (saurópodes e terópodes derivados), contexto para o padrão de osso denso e caótico encontrado no Gnathovorax.

Figura 1 do mesmo artigo: comparação entre arquiteturas vertebrais apneumáticas (répteis e mamíferos atuais) e pneumáticas (saurópodes e terópodes derivados), contexto para o padrão de osso denso e caótico encontrado no Gnathovorax.

1992

The Complete Skull and Skeleton of an Early Dinosaur

Sereno, P.C. e Novas, F.E. · Science

Apresenta o primeiro crânio e esqueleto completos de Herrerasaurus ischigualastensis, da Formação Ischigualasto, Argentina. O fóssil revelou o Herrerasaurus como predador bípede ágil, com membros anteriores curtos especializados em agarrar. Este artigo estabeleceu o herrerassauro como peça-chave para entender a origem dos dinossauros e se tornou referência direta para comparações posteriores com Gnathovorax.

Montagem do esqueleto de Herrerasaurus ischigualastensis no North American Museum of Ancient Life. Sereno e Novas (1992) descreveram o primeiro crânio e esqueleto completos desta espécie, referência direta para o Gnathovorax.

Montagem do esqueleto de Herrerasaurus ischigualastensis no North American Museum of Ancient Life. Sereno e Novas (1992) descreveram o primeiro crânio e esqueleto completos desta espécie, referência direta para o Gnathovorax.

Reconstituição em vida de Herrerasaurus ischigualastensis por Nobu Tamura. O artigo de Sereno e Novas (1992) consolidou a imagem do herrerassauro como predador bípede ágil com membros anteriores curtos especializados em agarrar.

Reconstituição em vida de Herrerasaurus ischigualastensis por Nobu Tamura. O artigo de Sereno e Novas (1992) consolidou a imagem do herrerassauro como predador bípede ágil com membros anteriores curtos especializados em agarrar.

1993

New information on the systematics and postcranial skeleton of Herrerasaurus ischigualastensis (Theropoda: Herrerasauridae) from the Ischigualasto Formation (Upper Triassic) of Argentina

Novas, F.E. · Journal of Vertebrate Paleontology

Redescreve o esqueleto pós-craniano de Herrerasaurus ischigualastensis, listando 11 sinapomorfias compartilhadas com terópodes. Posiciona Herrerasauridae como dinossauros saurísquios com afinidades terópodes, base comparativa essencial para a descrição do Gnathovorax e para a discussão da posição filogenética da família.

Comparação de tamanho entre Herrerasaurus, Sanjuansaurus, Gnathovorax e Staurikosaurus. Novas (1993) redescreveu o pós-crânio de Herrerasaurus e listou as sinapomorfias que sustentam a família.

Comparação de tamanho entre Herrerasaurus, Sanjuansaurus, Gnathovorax e Staurikosaurus. Novas (1993) redescreveu o pós-crânio de Herrerasaurus e listou as sinapomorfias que sustentam a família.

Esqueleto montado de Herrerasaurus. O trabalho de Novas (1993) ampliou a descrição do pós-crânio e fixou a posição dos herrerassaurídeos como saurísquios com afinidades terópodes.

Esqueleto montado de Herrerasaurus. O trabalho de Novas (1993) ampliou a descrição do pós-crânio e fixou a posição dos herrerassaurídeos como saurísquios com afinidades terópodes.

2009

The anatomy and phylogenetic position of the Triassic dinosaur Staurikosaurus pricei Colbert, 1970

Bittencourt, J.S. e Kellner, A.W.A. · Zootaxa

Reanalisa em detalhe o holótipo MCZ 1669 de Staurikosaurus pricei, corrigindo contagens vertebrais e testando sua posição filogenética. Recupera Staurikosaurus dentro de Herrerasauridae e fornece o principal ponto de comparação brasileiro para o Gnathovorax uma década depois.

Montagem do esqueleto de Staurikosaurus pricei (holótipo MCZ 1669). Bittencourt e Kellner (2009) reanalisaram em detalhe este material, corrigindo contagens vertebrais e testando sua posição filogenética.

Montagem do esqueleto de Staurikosaurus pricei (holótipo MCZ 1669). Bittencourt e Kellner (2009) reanalisaram em detalhe este material, corrigindo contagens vertebrais e testando sua posição filogenética.

Comparação de tamanho entre Staurikosaurus pricei e um humano adulto. O Staurikosaurus é o principal ponto de comparação brasileiro para o Gnathovorax dentro de Herrerasauridae.

Comparação de tamanho entre Staurikosaurus pricei e um humano adulto. O Staurikosaurus é o principal ponto de comparação brasileiro para o Gnathovorax dentro de Herrerasauridae.

2010

The origin and early evolution of dinosaurs

Langer, M.C., Ezcurra, M.D., Bittencourt, J.S. e Novas, F.E. · Biological Reviews

Revisão abrangente da origem dos dinossauros, seus parentes basais e as primeiras linhagens, sintetizando os registros do Triássico Superior do Gondwana (Argentina, Brasil). Discute a posição filogenética dos herrerassauros e fornece o enquadramento estratigráfico que foi diretamente aplicado à datação e ao contexto paleoambiental do Gnathovorax.

Fauna da Formação Ischigualasto por Nobu Tamura. Langer et al. (2010) sintetizaram o registro gondwânico (Argentina e Brasil) usado como enquadramento estratigráfico para o Gnathovorax.

Fauna da Formação Ischigualasto por Nobu Tamura. Langer et al. (2010) sintetizaram o registro gondwânico (Argentina e Brasil) usado como enquadramento estratigráfico para o Gnathovorax.

Comparação de tamanho entre herrerassauros sul-americanos. Langer et al. (2010) discutiram a posição filogenética destes táxons no contexto amplo da origem dos dinossauros.

Comparação de tamanho entre herrerassauros sul-americanos. Langer et al. (2010) discutiram a posição filogenética destes táxons no contexto amplo da origem dos dinossauros.

2010

A new early dinosaur (Saurischia: Sauropodomorpha) from the Late Triassic of Argentina: a reassessment of dinosaur origin and phylogeny

Ezcurra, M.D. · Journal of Systematic Palaeontology

Descreve Chromogisaurus novasi e reavalia a filogenia dos primeiros dinossauros com uma matriz morfológica ampliada. Recupera Herrerasauridae como linhagem basal de Saurischia, fora de Eusaurischia (Theropoda + Sauropodomorpha), hipótese depois corroborada pela análise de Pacheco et al. (2019) para Gnathovorax.

Reconstrução esquelética de Chromogisaurus novasi, o sauropodomorfo basal descrito por Ezcurra (2010). O artigo também reavaliou a filogenia dos primeiros dinossauros, recuperando Herrerasauridae fora de Eusaurischia.

Reconstrução esquelética de Chromogisaurus novasi, o sauropodomorfo basal descrito por Ezcurra (2010). O artigo também reavaliou a filogenia dos primeiros dinossauros, recuperando Herrerasauridae fora de Eusaurischia.

Comparação de tamanho de Chromogisaurus novasi com humano. A hipótese filogenética de Ezcurra (2010) foi mais tarde corroborada por Pacheco et al. (2019) para o Gnathovorax.

Comparação de tamanho de Chromogisaurus novasi com humano. A hipótese filogenética de Ezcurra (2010) foi mais tarde corroborada por Pacheco et al. (2019) para o Gnathovorax.

2016

A Unique Late Triassic Dinosauromorph Assemblage Reveals Dinosaur Ancestral Anatomy and Diet

Cabreira, S.F., Kellner, A.W.A., Dias-da-Silva, S., Roberto-da-Silva, L., Bronzati, M., Marsola, J.C.A., Müller, R.T., Bittencourt, J.S., Batista, B.J.A., Raugust, T., Carrilho, R., Brodt, A. e Langer, M.C. · Current Biology

Descreve Buriolestes schultzi e Ixalerpeton polesinensis de uma associação única no Sítio Buriol, em camadas carnianas da Formação Santa Maria. Fornece informações anatômicas sobre o sauropodomorfo mais basal conhecido e um parente imediato dos dinossauros, parte do mesmo contexto paleobiogeográfico do Gnathovorax.

Reconstrução esquelética de Ixalerpeton polesinensis, um dos táxons descritos por Cabreira et al. (2016) a partir do Sítio Buriol, mesma unidade estratigráfica do Gnathovorax.

Reconstrução esquelética de Ixalerpeton polesinensis, um dos táxons descritos por Cabreira et al. (2016) a partir do Sítio Buriol, mesma unidade estratigráfica do Gnathovorax.

Comparação de tamanho de Buriolestes schultzi com humano. Buriolestes é o sauropodomorfo mais basal conhecido, descrito no mesmo artigo e contemporâneo do Gnathovorax.

Comparação de tamanho de Buriolestes schultzi com humano. Buriolestes é o sauropodomorfo mais basal conhecido, descrito no mesmo artigo e contemporâneo do Gnathovorax.

2017

A new hypothesis of dinosaur relationships and early dinosaur evolution

Baron, M.G., Norman, D.B. e Barrett, P.M. · Nature

Propõe a hipótese Ornithoscelida (Ornithischia + Theropoda) e redefine Saurischia como Sauropodomorpha + Herrerasauridae. A proposta contesta a estrutura clássica da árvore filogenética dos dinossauros e é especialmente relevante para herrerassauros como o Gnathovorax, cuja posição se torna ainda mais central no debate.

Comparação de tamanho entre herrerassauros. Baron et al. (2017) redefiniram Saurischia como Sauropodomorpha + Herrerasauridae, colocando a família em posição central no novo arranjo.

Comparação de tamanho entre herrerassauros. Baron et al. (2017) redefiniram Saurischia como Sauropodomorpha + Herrerasauridae, colocando a família em posição central no novo arranjo.

Esqueleto montado de Herrerasaurus. A hipótese Ornithoscelida (Ornithischia + Theropoda) de Baron et al. (2017) contesta a estrutura clássica da árvore dos dinossauros e torna herrerassauros como o Gnathovorax peças-chave do debate.

Esqueleto montado de Herrerasaurus. A hipótese Ornithoscelida (Ornithischia + Theropoda) de Baron et al. (2017) contesta a estrutura clássica da árvore dos dinossauros e torna herrerassauros como o Gnathovorax peças-chave do debate.

2017

Untangling the dinosaur family tree

Langer, M.C., Ezcurra, M.D., Rauhut, O.W.M., Benton, M.J., Knoll, F., McPhee, B.W., Novas, F.E., Pol, D. e Brusatte, S.L. · Nature

Resposta direta a Baron et al. (2017). Reanalisa a matriz de caracteres com recodificações em ~10% dos dados e recupera a dicotomia clássica Saurischia/Ornithischia, com origem gondwânica dos dinossauros. Reforça a colocação tradicional de Herrerasauridae em Saurischia, adotada por Pacheco et al. (2019) para o Gnathovorax.

Esqueletos de Herrerasaurus e Eoraptor no North American Museum of Ancient Life. Langer et al. (2017) reanalisaram a matriz de caracteres de Baron et al. (2017) e recuperaram a dicotomia clássica Saurischia/Ornithischia.

Esqueletos de Herrerasaurus e Eoraptor no North American Museum of Ancient Life. Langer et al. (2017) reanalisaram a matriz de caracteres de Baron et al. (2017) e recuperaram a dicotomia clássica Saurischia/Ornithischia.

Reconstrução esquelética do Gnathovorax. O arranjo tradicional defendido por Langer et al. (2017) coloca herrerassaurídeos como linhagem saurísquia, posição depois adotada por Pacheco et al. (2019) para o Gnathovorax.

Reconstrução esquelética do Gnathovorax. O arranjo tradicional defendido por Langer et al. (2017) coloca herrerassaurídeos como linhagem saurísquia, posição depois adotada por Pacheco et al. (2019) para o Gnathovorax.

2021

Review of the fossil record of early dinosaurs from South America, and its phylogenetic implications

Novas, F.E., Agnolin, F.L., Ezcurra, M.D., Müller, R.T., Martinelli, A.G. e Langer, M.C. · Journal of South American Earth Sciences

Revisão sistemática do registro fóssil dos primeiros dinossauros da América do Sul, com foco nas faunas carnianas da Argentina e do Brasil. Inclui o Gnathovorax na discussão dos herrerassauros e avalia implicações filogenéticas, biogeográficas e biostratigráficas dos achados mais recentes.

Comparação de tamanho entre Herrerasaurus, Sanjuansaurus, Gnathovorax e Staurikosaurus, os principais herrerassaurídeos sul-americanos revisados por Novas et al. (2021).

Comparação de tamanho entre Herrerasaurus, Sanjuansaurus, Gnathovorax e Staurikosaurus, os principais herrerassaurídeos sul-americanos revisados por Novas et al. (2021).

Fauna da Formação Ischigualasto, Argentina. Novas et al. (2021) sintetizaram o registro dos primeiros dinossauros da América do Sul, incluindo comparações entre as faunas carnianas argentinas e brasileiras.

Fauna da Formação Ischigualasto, Argentina. Novas et al. (2021) sintetizaram o registro dos primeiros dinossauros da América do Sul, incluindo comparações entre as faunas carnianas argentinas e brasileiras.

2020

A paraphyletic 'Silesauridae' as an alternative hypothesis for the initial radiation of ornithischian dinosaurs

Müller, R.T. e Garcia, M.S. · Biology Letters

Reanalisa a filogenia dos primeiros dinossauros e dinossauromorfos, argumentando que Silesauridae séria parafilético e parte do caule dos ornitísquios. Embora o foco seja Ornithischia, a reorganização da árvore basal de Dinosauria fornece contexto para a posição filogenética de herrerassauros como o Gnathovorax.

Figura 1 de Müller e Garcia (2020) em Biology Letters: árvore de consenso calibrada no tempo mostrando a posição parafilética dos 'silesaurídeos' no caule dos ornitísquios.

Figura 1 de Müller e Garcia (2020) em Biology Letters: árvore de consenso calibrada no tempo mostrando a posição parafilética dos 'silesaurídeos' no caule dos ornitísquios.

Figura 2 do mesmo artigo: árvore reduzida com reconstrução ancestral dos hábitos alimentares, contexto para a reorganização da árvore basal dos dinossauros onde se posicionam herrerassauros como o Gnathovorax.

Figura 2 do mesmo artigo: árvore reduzida com reconstrução ancestral dos hábitos alimentares, contexto para a reorganização da árvore basal dos dinossauros onde se posicionam herrerassauros como o Gnathovorax.

2019

A new dinosaur (Saurischia: Sauropodomorpha) from the Late Triassic of Brazil provides insights on the evolution of sauropodomorph body plan

Pretto, F.A., Langer, M.C. e Schultz, C.L. · Zoological Journal of the Linnean Society

Descreve Bagualosaurus agudoensis, sauropodomorfo basal de Agudo (RS), na mesma unidade estratigráfica do Gnathovorax (Zona de Hyperodapedon). Discute a evolução do plano corporal sauropodomorfo e o paleoambiente carniano do sul do Brasil, fornecendo contexto faunístico e estratigráfico ao Gnathovorax.

Reconstrução esquelética de Bagualosaurus agudoensis, o sauropodomorfo basal descrito por Pretto et al. (2019) em Agudo (RS), mesma Zona de Hyperodapedon do Gnathovorax.

Reconstrução esquelética de Bagualosaurus agudoensis, o sauropodomorfo basal descrito por Pretto et al. (2019) em Agudo (RS), mesma Zona de Hyperodapedon do Gnathovorax.

Reconstituição em vida de Bagualosaurus agudoensis por Nobu Tamura. Pretto et al. (2019) usaram o táxon para discutir a evolução do plano corporal sauropodomorfo no paleoambiente carniano do sul do Brasil.

Reconstituição em vida de Bagualosaurus agudoensis por Nobu Tamura. Pretto et al. (2019) usaram o táxon para discutir a evolução do plano corporal sauropodomorfo no paleoambiente carniano do sul do Brasil.

2019

The oldest known co-occurrence of dinosaurs and their closest relatives: A new lagerpetid from a Carnian (Upper Triassic) bed of Brazil

Garcia, M.S., Müller, R.T., Da-Rosa, Á.A.S. e Dias-da-Silva, S. · Journal of South American Earth Sciences

Descreve um novo lagerpetídeo coocorrendo com dinossauros no Carniano do sul do Brasil, estabelecendo a mais antiga coexistência conhecida entre dinossauros e seus parentes imediatos. Refina a biostratigrafia da Zona de Hyperodapedon e informa o contexto evolutivo de táxons contemporâneos como o Gnathovorax.

Reconstrução esquelética de Ixalerpeton polesinensis, lagerpetídeo brasileiro. Garcia et al. (2019) descreveram um novo lagerpetídeo coocorrendo com dinossauros no Carniano do sul do Brasil.

Reconstrução esquelética de Ixalerpeton polesinensis, lagerpetídeo brasileiro. Garcia et al. (2019) descreveram um novo lagerpetídeo coocorrendo com dinossauros no Carniano do sul do Brasil.

Diversidade de lagerpetídeos brasileiros (Garcia e Müller), incluindo Ixalerpeton e Faxinalipterus. O estudo de Garcia et al. (2019) refina a biostratigrafia da Zona de Hyperodapedon e informa o contexto evolutivo do Gnathovorax.

Diversidade de lagerpetídeos brasileiros (Garcia e Müller), incluindo Ixalerpeton e Faxinalipterus. O estudo de Garcia et al. (2019) refina a biostratigrafia da Zona de Hyperodapedon e informa o contexto evolutivo do Gnathovorax.

2025

A herrerasaurid dinosaur (Saurischia) with craniofacial lesions from the Late Triassic of Brazil

Garcia, M.S., Pretto, F.A. e Müller, R.T. · The Science of Nature (Naturwissenschaften)

Estudo paleopatológico no crânio do Gnathovorax cabreirai, identificando lesões craniofaciais no holótipo CAPPA/UFSM 0009. As lesões sugerem interações agonísticas (disputas intraespecíficas ou ataque por predador) e fornecem evidência direta do comportamento predatório ativo dos herrerassauros.

Crânio do holótipo CAPPA/UFSM 0009 do Gnathovorax. Garcia et al. (2025) identificaram lesões craniofaciais neste mesmo crânio, interpretadas como evidência de comportamento agonístico intraespecífico.

Crânio do holótipo CAPPA/UFSM 0009 do Gnathovorax. Garcia et al. (2025) identificaram lesões craniofaciais neste mesmo crânio, interpretadas como evidência de comportamento agonístico intraespecífico.

Maxila e dentário do Gnathovorax com dentes recurvados e serrilhados. Junto com as lesões descritas por Garcia et al. (2025), esta dentição reforça o quadro de predação ativa e combate no grupo.

Maxila e dentário do Gnathovorax com dentes recurvados e serrilhados. Junto com as lesões descritas por Garcia et al. (2025), esta dentição reforça o quadro de predação ativa e combate no grupo.

CAPPA/UFSM 0009 (holótipo) — Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM), São João do Polêsine, Rio Grande do Sul, Brasil

Maurissauro (Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

CAPPA/UFSM 0009 (holótipo)

Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM), São João do Polêsine, Rio Grande do Sul, Brasil

Completude: Esqueleto quase completo e parcialmente articulado; faltam apenas porções da cintura escapular esquerda e do membro anterior esquerdo (~85%)
Encontrado em: 2014
Por: Sérgio Furtado Cabreira, no Sítio Marchezan

É considerado um dos herrerassauros mais completos e bem preservados já coletados. O crânio foi tomografado (CT scan) e permitiu a reconstrução da caixa craniana, do molde endocraniano e do ouvido interno, apresentada junto à descrição em Pacheco et al. (2019).

Dinosauria
Saurischia
Herrerasauridae
Primeiro fóssil
2014
Descobridor
Sérgio Furtado Cabreira, no Sítio Marchezan, São João do Polêsine (RS)
Descrição formal
2019
Descrito por
Cristian Pacheco, Rodrigo T. Müller, Max C. Langer, Flávio A. Pretto, Leonardo Kerber e Sérgio Dias-da-Silva
Formação
Formação Santa Maria (Sequência Candelária, Zona de Associação Hyperodapedon)
Região
Rio Grande do Sul
País
Brasil
📄 Artigo de descrição original

Curiosidade

O Gnathovorax é tão completo que os pesquisadores conseguiram reconstruir digitalmente o formato do cérebro e do ouvido interno do animal, algo raríssimo para um dinossauro do Triássico. Garcia et al. (2025) detectaram ainda lesões craniofaciais no holótipo, possivelmente causadas por uma disputa intraespecífica, fornecendo uma das evidências diretas mais antigas de combate entre dinossauros. O nome, 'mandíbulas vorazes', foi escolhido literalmente para descrever o crânio robusto e a dentição serrilhada, e soa especialmente apropriado para o que era provavelmente o maior predador do ecossistema em que vivia.