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Cretoxyrhina mantelli
Cretáceo Carnívoro

Tubarao-Ginsu

Cretoxyrhina mantelli

"Dente afiado do Cretáceo de Mantell"

Período
Cretáceo · Cenomaniano-Campaniano
Viveu
100–72 Ma
Comprimento
até 6.5 m
Peso estimado
1.7 t
País de origem
Estados Unidos
Descrito em
1843 por Louis Agassiz

Cretoxyrhina mantelli, popularmente conhecido como tubarão-Ginsu, foi um dos maiores e mais temidos predadores marinhos do Cretáceo tardio. Viveu há cerca de 100 a 72 milhões de anos no Mar Interior Ocidental, uma vasta via maritima que dividia a América do Norte. Com até 6,5 metros de comprimento e anatomia similar a de tubarões-mako modernos, predava mosassauros, plesiossauros, tartarugas marinhas e pterossauros. Vários esqueletos quase completos foram encontrados no Cretáceo do Kansas, tornando-o um dos tubarões extintos mais bem documentados da ciência.

A Formacao Niobrara, especificamente o Membro Smoky Hill Chalk, foi depositada entre 87 e 82 milhões de anos atrás durante os andares Coniaciano, Santoniano e Campaniano do Cretáceo tardio. Formada pelo acumulo de cocólitos de microorganismos no Mar Interior Ocidental, a calcaria branca do Kansas e uma das formações fossilíferas mais ricas do mundo, preservando pelo menos 117 taxons de vertebrados. Cretoxyrhina mantelli e um dos vertebrados mais comuns e melhor preservados da formação, com centenas de dentes e vários esqueletos parciais a completos conhecidos do oeste do Kansas.

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Habitat

Cretoxyrhina mantelli habitava o Mar Interior Ocidental, uma vasta via maritima epicontinental que dividia a América do Norte do Golfo do Mexico ao Estreito de Hudson durante o Cretáceo tardio, há 100 a 72 milhões de anos. A água era levemente menos salina que o oceano aberto, com temperatura subtropical a temperada. O mar tinha profundidade variável, com regiões rasas ricas em vida e zonas mais profundas de baixo oxigênio no fundo. Além da América do Norte, C. mantelli era cosmopolita, ocorrendo no Mar de Tethys europeu e possivelmente em outras regiões de oceanos tropicais.

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Alimentação

Cretoxyrhina mantelli era um apex predador ativo que atacava as maiores presas disponíveis no Mar Interior Ocidental. Evidencias de marcas de mordida documentam predacao sobre mosassauros de vários metros de comprimento, plesiossauros, o peixe gigante Xiphactinus, tartarugas marinhas como Protostega e Archelon, e pterossauros como Pteranodon. Os dentes lisos e sem serrilhamento, similares aos do tubarão-mako, eram adaptados para perfurar e segurar presas que lutavam ativamente, não para serrar como o tubarão-branco. O mecanismo de ataque provavelmente envolvia alta velocidade e mordidas multiplas.

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Comportamento e sentidos

A morfologia corporal de Cretoxyrhina mantelli, próxima do tubarão-mako moderno, sugere que era um nadador de alta velocidade capaz de burst de velocidade para capturar presas ágeis. A capacidade de atacar pterossauros pousados na superficie do mar (documentada por Hone et al. 2018) indica comportamento oportunista e versatil. Não há evidência de comportamento social, e a espécie era provavelmente solitaria. A produção de descendentes por ovoviviparidade, como na maioria dos lamniformes, e provável mas não confirmada diretamente no registro fóssil.

Fisiologia e crescimento

Cretoxyrhina mantelli possuía esqueleto cartilaginoso com vértebras de calcificacao densa, permitindo análise de aneis de crescimento. A comparação com o tubarão-mako moderno sugere metabolismo elevado para um condricte, possivelmente com algum grau de endotermia regional como no mako e no tubarão-branco. O comprimento assintótico estimado de 6,91 m e o nascimento a 1,28 m sugerem taxa de crescimento relativamente rápida. As escamas placoideas, preservadas em pelo menos um espécime, eram do tipo lisorico liso, adequadas para redução de turbulencia em natacao rápida.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Cretáceo (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma

Durante o Cenomaniano-Campaniano (~100–72 Ma), Cretoxyrhina mantelli habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.

Completude estimada 70%

Vários esqueletos quase completos são conhecidos do Cretáceo do Kansas. O espécime FHSM VP-2187 do Sternberg Museum of Natural History, com 5 metros, e o mais completo, preservando crânio cartilaginoso, vértebras articuladas e impressões de escamas. O KUVP 247 da Universidade do Kansas também preserva região craniana e esqueleto posterior.

Encontrado (5)
Inferido (4)
Esqueleto de dinossauro — other
Cajus G. Diedrich 2014 — CC BY 3.0 CC BY 3.0

Estruturas encontradas

skulllower_jawvertebraeribsscapula

Estruturas inferidas

cartilagens das nadadeirastecido moledenticulos dermicos completosorgaos internos

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

1843

Recherches sur les poissons fossiles. Quatrième livraison

Agassiz, L. · Petitpierre, Neuchâtel

Descrição original de Cretoxyrhina mantelli pelo naturalista suico Louis Agassiz, com base em dentes fósseis do giz cretáceo da Inglaterra, em homenagem ao geologo Gideon Mantell. Agassiz, em sua obra monumental sobre peixes fósseis, caracteriza os dentes de C. mantelli como lisos, sem denteado nas bordas cortantes, com raiz bifurcada distinta e esmalte brilhante. O tamanho dos dentes, que pode ultrapassar 5 cm de altura, já indica animal de grande porte. A espécie originalmente descrita foi posteriormente reconhecida como ocorrente também no Mar Interior Ocidental da América do Norte, onde os melhores espécimes serão encontrados mais de um século depois. Este trabalho e o ponto de partida nomenclatural obrigatorio para toda a literatura sobre C. mantelli.

Dente fóssil de Cretoxyrhina mantelli da Formacao Niobrara, Condado de Gove, Kansas, EUA. Os dentes lisos sem serrilhamento nas bordas são a característica diagnóstica descrita por Agassiz (1843).

Dente fóssil de Cretoxyrhina mantelli da Formacao Niobrara, Condado de Gove, Kansas, EUA. Os dentes lisos sem serrilhamento nas bordas são a característica diagnóstica descrita por Agassiz (1843).

Reconstrução da dentição completa de Cretoxyrhina mantelli baseada em Bourdon e Everhart (2011) e Shimada (1997). Os dentes mostram o padrão homogêneo sem serrilhamento descrito por Agassiz (1843).

Reconstrução da dentição completa de Cretoxyrhina mantelli baseada em Bourdon e Everhart (2011) e Shimada (1997). Os dentes mostram o padrão homogêneo sem serrilhamento descrito por Agassiz (1843).

1997

Dentition of the Late Cretaceous lamniform shark, Cretoxyrhina mantelli, from the Niobrara Chalk of Kansas

Shimada, K. · Journal of Vertebrate Paleontology

Analise detalhada da denticao de Cretoxyrhina mantelli da Calcaria Niobrara do Kansas, por Kenshu Shimada. O trabalho documenta a morfologia dos dentes, formula dentaria e variacao ontogenetica. Shimada demonstra que C. mantelli possuía até 34 dentes na fileira superior e 36 na fileira inferior, totalizando multiplas fileiras funcionais. Os dentes aumentam de tamanho gradualmente da sinfise para o angulo da mandíbula, atingindo até 5 cm nos dentes funcionais maiores. O estudo revela diferenças morfológicas entre dentes anteriores e lateroposteriors que foram usados para inferir mecanismo de captura de presas. Este trabalho, junto com o artigo anatômico do mesmo ano, e a principal referência para identificação de dentes isolados de C. mantelli nos registros fósseis.

Mapa paleogeográfico da América do Norte durante o Campaniano tardio (~75 Ma) mostrando o Mar Interior Ocidental, o mar epicontinental raso no qual Cretoxyrhina mantelli era o tubarão predador de topo. O mar separava a Laramidia a oeste da Appalachia a leste. Modificado de Blakey.

Mapa paleogeográfico da América do Norte durante o Campaniano tardio (~75 Ma) mostrando o Mar Interior Ocidental, o mar epicontinental raso no qual Cretoxyrhina mantelli era o tubarão predador de topo. O mar separava a Laramidia a oeste da Appalachia a leste. Modificado de Blakey.

Centros vertebrais de Cretoxyrhina mantelli e espécies relacionadas do Membro Smoky Hill Chalk da Formacao Niobrara no Kansas, documentando a variabilidade morfológica estudada por Shimada e outros.

Centros vertebrais de Cretoxyrhina mantelli e espécies relacionadas do Membro Smoky Hill Chalk da Formacao Niobrara no Kansas, documentando a variabilidade morfológica estudada por Shimada e outros.

1997

Skeletal anatomy of the Late Cretaceous lamniform shark, Cretoxyrhina mantelli, from the Niobrara Chalk in Kansas

Shimada, K. · Journal of Vertebrate Paleontology

Descrição esqueletal abrangente de Cretoxyrhina mantelli baseada nos espécimes mais completos conhecidos da Calcaria Niobrara do Kansas. Shimada descreve em detalhe o neurocrânio cartilaginoso, coluna vertebral (com contagem de aproximadamente 230 vértebras), elementos de nadadeiras e elementos branquiais. O trabalho revela que C. mantelli possuía anatomia consistente com posicionamento dentro de Lamniformes, com características morfo-funcionais próximas do tubarão-mako moderno (Isurus). Este e o estudo anatômico de referência principal da espécie e estabeleceu o framework para todas as análises morfológicas e filogeneticas subsequentes. A descrição detalhada do neurocrânio, especialmente preservado no espécime FHSM VP-2187, revelou dados sobre as capacidades sensoriais do predador cretáceo.

Desenhos interpretativos dos esqueletos de Cretoxyrhina mantelli KUVP-247 e FHSM VP-2187, os dois espécimes mais completos conhecidos, base dos estudos anatomicos de Shimada (1997).

Desenhos interpretativos dos esqueletos de Cretoxyrhina mantelli KUVP-247 e FHSM VP-2187, os dois espécimes mais completos conhecidos, base dos estudos anatomicos de Shimada (1997).

Esqueleto cartilaginoso de Cretoxyrhina mantelli (FHSM VP-2187) no Sternberg Museum of Natural History, Kansas. Este e o espécime mais completo conhecido e o principal objeto de estudo de Shimada (1997).

Esqueleto cartilaginoso de Cretoxyrhina mantelli (FHSM VP-2187) no Sternberg Museum of Natural History, Kansas. Este e o espécime mais completo conhecido e o principal objeto de estudo de Shimada (1997).

1997

Paleoecological relationships of the Late Cretaceous lamniform shark, Cretoxyrhina mantelli (Agassiz)

Shimada, K. · Journal of Paleontology

Analise das relações paleoecologicas de Cretoxyrhina mantelli baseada em evidências de predacao preservadas em espécimes fósseis da Calcaria Niobrara do Kansas. Shimada documenta marcas de mordida de C. mantelli em mosassauros, teleosteos incluindo Xiphactinus, e possivelmente plesiossauros. O trabalho demonstra que C. mantelli ocupava o topo da cadeia alimentar no Mar Interior Ocidental, competindo com ou predando os maiores vertebrados marinhos da época. O estudo e fundamental para reconstruir as interacoes ecológicas do ecosistema cretáceo do Kansas e estabelece C. mantelli como o principal predador do Mar Interior Ocidental durante o Coniaciano-Campaniano.

Cena do Mar Interior Ocidental do Cretáceo do Kansas, por Dmitry Bogdanov (2008), mostrando Cretoxyrhina e Squalicorax em torno de um hadrossauro morto. O paleoambiente retratado corresponde ao descrito por Shimada (1997).

Cena do Mar Interior Ocidental do Cretáceo do Kansas, por Dmitry Bogdanov (2008), mostrando Cretoxyrhina e Squalicorax em torno de um hadrossauro morto. O paleoambiente retratado corresponde ao descrito por Shimada (1997).

Reconstrução de Cretoxyrhina mantelli por Dmitry Bogdanov (2008). A morfologia corporal robusta e hidrodinamica reflete a posição de apex predador no Mar Interior Ocidental documentada por Shimada (1997).

Reconstrução de Cretoxyrhina mantelli por Dmitry Bogdanov (2008). A morfologia corporal robusta e hidrodinamica reflete a posição de apex predador no Mar Interior Ocidental documentada por Shimada (1997).

1997

Periodic marker bands in vertebral centra of the Late Cretaceous lamniform shark, Cretoxyrhina mantelli

Shimada, K. · Copeia

Primeiro estudo dos aneis de crescimento periodico nos centros vertebrais de Cretoxyrhina mantelli, fornecendo os primeiros dados sobre taxas de crescimento e parametros de história de vida deste lamniforme extinto. Shimada demonstra que as bandas de crescimento são comparáveis as de tubarões lamniformes modernos e usa-las para estimar que individuos de 5 metros teriam entre 20 e 30 anos de idade. O comprimento no nascimento e estimado em 1,28 m e o comprimento assintótico em 6,91 m. Este trabalho pioneiro abre o campo do estudo de história de vida de tubarões extintos via análise de vértebras e estabelece protocolo metodologico seguido em estudos subsequentes de outras espécies extintas.

Vertebras fósseis de Cretoxyrhina mantelli no Museo di Sant'Anna D'Alfaedo, Itália. Os aneis de crescimento periodico nas vértebras foram estudados por Shimada (1997) para determinar a idade e taxa de crescimento do animal.

Vertebras fósseis de Cretoxyrhina mantelli no Museo di Sant'Anna D'Alfaedo, Itália. Os aneis de crescimento periodico nas vértebras foram estudados por Shimada (1997) para determinar a idade e taxa de crescimento do animal.

Monument Rocks, formação de calcário cretáceo em Kansas, um dos sítios icônicos onde os sedimentos da Niobrara preservaram fósseis excepcionais de Cretoxyrhina mantelli.

Monument Rocks, formação de calcário cretáceo em Kansas, um dos sítios icônicos onde os sedimentos da Niobrara preservaram fósseis excepcionais de Cretoxyrhina mantelli.

2008

Ontogenetic parameters and life history strategies of the late Cretaceous lamniform shark, Cretoxyrhina mantelli, based on vertebral growth increments

Shimada, K. · Journal of Vertebrate Paleontology

Analise quantitativa da ontogenia e estrategias de história de vida de Cretoxyrhina mantelli com base no modelo de incremento de crescimento vertebral. Shimada usa a função de crescimento von Bertalanffy com os parametros derivados das bandas vertebrais para criar curvas de crescimento detalhadas. O comprimento assintótico (L∞) e estimado em 6,91 m de comprimento total. O estudo demonstra que C. mantelli crescia rapidamente nos primeiros anos de vida, atingindo mais da metade do comprimento máximo por volta dos 10 anos, e que individuos de 5 metros teriam provavelmente 20-30 anos. Estes dados são comparáveis aos do tubarão-branco e do tubarão-mako, sugerindo ecologia e metabolismo similares.

Diagrama de escala dos três espécimes mais significativos de Cretoxyrhina mantelli: FHSM VP-2187 (o mais completo), CMN 4096 (o maior da América do Norte) e NHMUK PV OR 4498 (o maior conhecido). Shimada (2008) estimou o comprimento máximo baseado em incrementos vertebrais.

Diagrama de escala dos três espécimes mais significativos de Cretoxyrhina mantelli: FHSM VP-2187 (o mais completo), CMN 4096 (o maior da América do Norte) e NHMUK PV OR 4498 (o maior conhecido). Shimada (2008) estimou o comprimento máximo baseado em incrementos vertebrais.

Diagrama de comparação de tamanho de Cretoxyrhina mantelli com ser humano, mostrando o porte impressionante do predador cretáceo. A escala reflete os dados de crescimento analisados por Shimada (2008).

Diagrama de comparação de tamanho de Cretoxyrhina mantelli com ser humano, mostrando o porte impressionante do predador cretáceo. A escala reflete os dados de crescimento analisados por Shimada (2008).

1997

Paleoecological relationships of the Late Cretaceous lamniform shark, Cretoxyrhina mantelli (Agassiz): paleoecology from mosasaur remains

Shimada, K. · Journal of Vertebrate Paleontology

Analise de restos de mosassauros com marcas de mordida atribuídas a Cretoxyrhina mantelli na Calcaria Niobrara do Kansas, fornecendo evidência direta de comportamento predatório. Shimada documenta várias ossos de mosassauros, incluindo vértebras e costelas, com marcas de mordida características dos dentes cilindricos e lisos de C. mantelli. As marcas incluem incisões profundas, dentes embebidos nos ossos e padrões de mordida multiplos sugerindo alimentação por abocanhamento. Este trabalho e fundamental para reconstruir as cadeias alimentares do Mar Interior Ocidental e documenta pela primeira vez de forma direta que C. mantelli atacava e consumia mosassauros.

Ilustracao de Cretoxyrhina atacando a tartaruga marinha Protostega, por Foolp. Este comportamento predatório sobre grandes vertebrados marinhos e documentado por marcas de mordida estudadas por Shimada (1997).

Ilustracao de Cretoxyrhina atacando a tartaruga marinha Protostega, por Foolp. Este comportamento predatório sobre grandes vertebrados marinhos e documentado por marcas de mordida estudadas por Shimada (1997).

Reconstrução de Cretoxyrhina mantelli por Damouraptor, baseada em Shimada (1997) e Sternes e Shimada (2018). A morfologia corporal evidência capacidade de predacao de grandes vertebrados marinhos.

Reconstrução de Cretoxyrhina mantelli por Damouraptor, baseada em Shimada (1997) e Sternes e Shimada (2018). A morfologia corporal evidência capacidade de predacao de grandes vertebrados marinhos.

2018

Evidence for the Cretaceous shark Cretoxyrhina mantelli feeding on the pterosaur Pteranodon from the Niobrara Formation

Hone, D.W.E. & Witton, M.P. & Habib, M.B. · PeerJ

Estudo que documenta a primeira evidência de Cretoxyrhina mantelli predando pterossauros, com base em um espécime de Pteranodon da Formacao Niobrara que preserva um dente de C. mantelli embutido em um osso e uma vértebra com marca de mordida. Hone, Witton e Habib reconstroem o cenario de predacao: um pteranodon provavelmente pousado na superficie do mar foi atacado pelo tubarão de baixo. O trabalho inclui ilustracao artística do evento por Mark Witton. A descoberta expande o espectro de presas de C. mantelli para incluir pterossauros, demonstrando que este predador não se limitava a presas estritamente aquaticas.

Ilustracao científica de Mark Witton (2018) para o artigo de Hone et al., mostrando Cretoxyrhina atacando Pteranodon na superficie do Mar Interior Ocidental. O artista nota que o comportamento predatório e especulativo mas biologicamente plausível.

Ilustracao científica de Mark Witton (2018) para o artigo de Hone et al., mostrando Cretoxyrhina atacando Pteranodon na superficie do Mar Interior Ocidental. O artista nota que o comportamento predatório e especulativo mas biologicamente plausível.

Reconstrução de Cretoxyrhina mantelli por Dmitry Bogdanov mostrando o tubarão em perfil. Hone et al. (2018) demonstraram que este predador atacava até pterossauros como Pteranodon.

Reconstrução de Cretoxyrhina mantelli por Dmitry Bogdanov mostrando o tubarão em perfil. Hone et al. (2018) demonstraram que este predador atacava até pterossauros como Pteranodon.

2019

Large deadfalls of the 'ginsu' shark Cretoxyrhina mantelli (Agassiz, 1835) (Neoselachii, Lamniformes) from the Upper Cretaceous of northeastern Italy

Amalfitano, J. et al. · Cretaceous Research

Descrição de grandes afundamentos de carcaças de Cretoxyrhina mantelli do Cretáceo Superior do nordeste da Itália, estendendo a distribuição conhecida da espécie para a Europa e documentando o papel ecológico das carcaças de C. mantelli em ecosistemas de águas profundas. Amalfitano e colaboradores descrevem espécimes preservando vértebras articuladas, dentes e fragmentos cranianos de individuos de grande porte. O estudo revela que as carcaças de C. mantelli serviam como base de sustentação para comunidades de invertebrados do fundo do oceano, semelhante ao que ocorre com carcaças de cetaceos modernos. Este trabalho expande significativamente a distribuição paleogeográfica conhecida de C. mantelli para além do Mar Interior Ocidental.

Ostras fósseis Pseudoperna congesta sobre concha de Platyceramus platinus, Membro Smoky Hill, Formação Niobrara (Cretáceo Superior), Kansas, ilustrando o paleoambiente marinho compartilhado com Cretoxyrhina.

Ostras fósseis Pseudoperna congesta sobre concha de Platyceramus platinus, Membro Smoky Hill, Formação Niobrara (Cretáceo Superior), Kansas, ilustrando o paleoambiente marinho compartilhado com Cretoxyrhina.

Reconstrução de Cretoxyrhina mantelli por Damouraptor (2022). Amalfitano et al. (2019) demonstraram que o alcance geografico da espécie era muito mais amplo do que se pensava, incluindo o Mar de Tethys europeu.

Reconstrução de Cretoxyrhina mantelli por Damouraptor (2022). Amalfitano et al. (2019) demonstraram que o alcance geografico da espécie era muito mais amplo do que se pensava, incluindo o Mar de Tethys europeu.

2013

Ontogeny and life history of a large lamniform shark from the Early Cretaceous of North America

Newbrey, M.G. et al. · Acta Palaeontologica Polonica

Analise de crescimento vertebral em lamniformes do Cretáceo tardio, incluindo Cretoxyrhina mantelli, fornecendo estimativas revisadas de tamanho máximo corporal e padrões de crescimento ao longo da ontogenia. Newbrey e colaboradores processaram dados de incremento vertebral de multiplos espécimes de C. mantelli e produziram estimativas de tamanho incorporando maior diversidade de espécimes do que o estudo anterior de Shimada (1997). Com base em um dente especialmente grande, a estimativa de tamanho máximo alcanca 8 metros de comprimento, embora o comprimento típico para adultos seja de 5-7 m. O trabalho também documenta centros vertebrais de três localidades diferentes no Kansas, demonstrando a abundância de C. mantelli no Mar Interior Ocidental.

Crinoides fósseis Uintacrinus socialis preservados no calcário da Formação Niobrara (Cretáceo Superior) no oeste do Kansas, representativos da fauna bentônica que co-habitava o Mar Interior Ocidental com Cretoxyrhina.

Crinoides fósseis Uintacrinus socialis preservados no calcário da Formação Niobrara (Cretáceo Superior) no oeste do Kansas, representativos da fauna bentônica que co-habitava o Mar Interior Ocidental com Cretoxyrhina.

Mapa do Mar Interior Ocidental em aproximadamente 95 Ma, mostrando a extensão desse mar epicontinental pela América do Norte durante o Cenomaniano. O mar formava o habitat das populações ancestrais da Cretoxyrhina mantelli do Cretáceo Superior, estudada no contexto de ontogenia e história de vida por Shimada e colaboradores.

Mapa do Mar Interior Ocidental em aproximadamente 95 Ma, mostrando a extensão desse mar epicontinental pela América do Norte durante o Cenomaniano. O mar formava o habitat das populações ancestrais da Cretoxyrhina mantelli do Cretáceo Superior, estudada no contexto de ontogenia e história de vida por Shimada e colaboradores.

2011

Analysis of an associated Cretoxyrhina mantelli dentition from the Late Cretaceous (Smoky Hill Chalk, Late Coniacian) of western Kansas

Bourdon, J. & Everhart, M.J. · Transactions of the Kansas Academy of Science

Analise de uma denticao associada de Cretoxyrhina mantelli do Smoky Hill Chalk do oeste do Kansas, documentando a morfologia dental e formula, e comparando com o material previamente conhecido. Bourdon e Everhart descrevem um conjunto raro de dentes associados in situ que permite reconstruir com precisao o padrão dental completo da espécie. O trabalho revela variacoes na morfologia dos dentes ao longo das fileiras que não haviam sido completamente documentadas por Shimada (1997). A análise demonstra que C. mantelli possuía maior variabilidade dental do que se pensava, o que pode refletir especialização ontogenetica da denticao para diferentes tipos de presas em diferentes fases da vida.

Mapa mostrando o Mar Interior Cretáceo dividindo a América do Norte nas massas de terra Laramidia e Appalachia. A denticao associada de Cretoxyrhina mantelli analisada por Bourdon e Everhart (2011) foi recuperada de depositos da Formacao Niobrara formados nas margens deste mar.

Mapa mostrando o Mar Interior Cretáceo dividindo a América do Norte nas massas de terra Laramidia e Appalachia. A denticao associada de Cretoxyrhina mantelli analisada por Bourdon e Everhart (2011) foi recuperada de depositos da Formacao Niobrara formados nas margens deste mar.

Vista ventral da boca do espécime FHSM VP-2187, fotografia de Dr. Amelia Zietlow, mostrando a cavidade oral com dentes de Cretoxyrhina mantelli. Esta perspectiva complementa os dados dentarios de Bourdon e Everhart (2011).

Vista ventral da boca do espécime FHSM VP-2187, fotografia de Dr. Amelia Zietlow, mostrando a cavidade oral com dentes de Cretoxyrhina mantelli. Esta perspectiva complementa os dados dentarios de Bourdon e Everhart (2011).

1988

Hypotodus verticalis (Agassiz, 1843), Hypotodus robustus (Leriche, 1921) and Hypotodus heinzelini (Casier, 1967), Chondrichthyes, Lamniformes, junior synonyms of Cretoxyrhina mantelli (Agassiz, 1835)

Ward, D.J. · Tertiary Research

Revisao taxonômica fundamental que demonstra que várias espécies de lamniformes cretaceos anteriormente em gêneros distintos são sinonimos juniores de Cretoxyrhina mantelli. Ward analisa o material-tipo de Hypotodus verticalis, H. robustus e H. heinzelini e conclui que todos pertencem a C. mantelli, simplificando significativamente a taxonomia do grupo. Esta revisão explica por que espécimes europeus foram descritos como espécies diferentes das formas do Kansas e consolida C. mantelli como espécie única de distribuição cosmopolita. A clarificacao taxonômica e essencial para interpretar corretamente a distribuição paleogeográfica e a biodiversidade de lamniformes no Cretáceo tardio.

Seção transversal das unidades do Cretáceo Superior no sudoeste de Wyoming, mostrando a continuidade estratigráfica dos depósitos marinhos do Mar Interior Ocidental que preservam fósseis de Cretoxyrhina mantelli.

Seção transversal das unidades do Cretáceo Superior no sudoeste de Wyoming, mostrando a continuidade estratigráfica dos depósitos marinhos do Mar Interior Ocidental que preservam fósseis de Cretoxyrhina mantelli.

Região craniana do espécime KUVP 247 de Cretoxyrhina mantelli na Universidade do Kansas. A revisão taxonômica de Ward (1988) consolidou a interpretação dos materiais europeus e americanos como pertencentes a mesma espécie.

Região craniana do espécime KUVP 247 de Cretoxyrhina mantelli na Universidade do Kansas. A revisão taxonômica de Ward (1988) consolidou a interpretação dos materiais europeus e americanos como pertencentes a mesma espécie.

1992

Late Cretaceous and Danian shark faunas of the Maastricht area

Siverson, M. · Beringeria

Analise das faunas de tubarões do Cretáceo tardio e Daniano da região de Maastricht, incluindo Cretoxyrhina mantelli da Europa, fornecendo contexto bioestratigrafico e paleoecologico para a ocorrência final da espécie no registro europeu. Siverson documenta que C. mantelli persistiu na Europa até próximo ao final do Cretáceo, com os últimos registros europeus sendo do Campaniano superior. O trabalho fornece dados sobre a composição da fauna de tubarões no Cretáceo tardio europeu e ajuda a entender as causas da extinção de C. mantelli no evento K-Pg. A análise biostratigrafica permite correlacionar os registros europeus e americanos da espécie.

Mapa paleogeográfico da América do Norte durante o Campaniano superior do Cretáceo tardio, mostrando o Mar Interior Ocidental. Siverson (1992) correlacionou as faunas de tubarões europeias com as norte-americanas deste período.

Mapa paleogeográfico da América do Norte durante o Campaniano superior do Cretáceo tardio, mostrando o Mar Interior Ocidental. Siverson (1992) correlacionou as faunas de tubarões europeias com as norte-americanas deste período.

Amostra de rocha da Formação Niobrara (número GeoDIL 2856), representando o substrato calcário do Cretáceo Superior depositado no fundo do Mar Interior Ocidental, onde tubarões como Cretoxyrhina viveram e deixaram seus fósseis.

Amostra de rocha da Formação Niobrara (número GeoDIL 2856), representando o substrato calcário do Cretáceo Superior depositado no fundo do Mar Interior Ocidental, onde tubarões como Cretoxyrhina viveram e deixaram seus fósseis.

2004

Oceans of Kansas: A Natural History of the Western Interior Sea

Everhart, M.J. · Indiana University Press

História natural abrangente do Mar Interior Ocidental e sua fauna, incluindo relatos detalhados de Cretoxyrhina mantelli baseados em décadas de trabalho de campo no Kansas por Mike Everhart. O livro documenta centenas de dentes de C. mantelli coletados no oeste do Kansas e descreve vários eventos de predacao documentados por marcas de mordida em outros fósseis. Everhart coletou e descreveu evidências de C. mantelli predando mosassauros, plesiossauros e peixes grandes. O trabalho e a referência mais acessível e abrangente sobre a paleoecologia de C. mantelli no contexto do ecosistema completo do Mar Interior Ocidental, e e amplamente citado em literatura paleoictiologica e paleontológica geral.

Região posterior do esqueleto KUVP 247 de Cretoxyrhina mantelli na Universidade do Kansas. Especimes como este foram documentados extensivamente por Everhart (2004) em sua história natural do Mar Interior Ocidental.

Região posterior do esqueleto KUVP 247 de Cretoxyrhina mantelli na Universidade do Kansas. Especimes como este foram documentados extensivamente por Everhart (2004) em sua história natural do Mar Interior Ocidental.

Região craniana do espécime FHSM VP-2187 no Sternberg Museum of Natural History, Kansas. Everhart (2004) descreveu este e outros espécimes em detalhes em sua obra sobre o Mar Interior Ocidental.

Região craniana do espécime FHSM VP-2187 no Sternberg Museum of Natural History, Kansas. Everhart (2004) descreveu este e outros espécimes em detalhes em sua obra sobre o Mar Interior Ocidental.

2005

Phylogeny of lamniform sharks (Chondrichthyes: Elasmobranchii) and the contribution of dental characters to lamniform systematics

Shimada, K. · Paleontological Research

Shimada (2005) realizou uma análise filogenética dos tubarões lamnimormes, incluindo Cretoxyrhina mantelli, avaliando quais caracteres dentários são informativos para a sistemática do grupo. O estudo posicionou Cretoxyrhina dentro dos Lamnidae em sentido amplo, corroborando análises anteriores baseadas em morfologia dentária, e demonstrou que a convergência morfológica entre tubarões brancos modernos e Cretoxyrhina é resultado de evolução paralela, não de ancestralidade comum imediata.

Niobrara opalizado de Ellis County, Kansas (setembro de 2018), ilustrando a diversidade mineralógica da formação cuja matriz sedimentar preserva dentes isolados e vértebras de tubarões lamnimormes cretáceos.

Niobrara opalizado de Ellis County, Kansas (setembro de 2018), ilustrando a diversidade mineralógica da formação cuja matriz sedimentar preserva dentes isolados e vértebras de tubarões lamnimormes cretáceos.

Niobrara opalizado de Ellis County, Kansas (setembro de 2018), mostrando a diversidade litológica da formação cujos depósitos marinhos são ricos em dentes e vértebras de tubarões lamnimormes cretáceos.

Niobrara opalizado de Ellis County, Kansas (setembro de 2018), mostrando a diversidade litológica da formação cujos depósitos marinhos são ricos em dentes e vértebras de tubarões lamnimormes cretáceos.

FHSM VP-2187 — Sternberg Museum of Natural History, Hays, Kansas, EUA

Neil Pezzoni (Fanboyphilosopher) — CC BY 4.0

FHSM VP-2187

Sternberg Museum of Natural History, Hays, Kansas, EUA

Completude: ~90%
Encontrado em: 1965
Por: G.F. Sternberg

O espécime mais completo conhecido de Cretoxyrhina mantelli, medindo 5 metros de comprimento. Preserva crânio cartilaginoso, vértebras articuladas e impressões de escamas. Foi coletado no Smoky Hill Chalk inferior de Ellis, Kansas, e e o objeto de estudo central dos trabalhos de Shimada (1997).

KUVP 247 — University of Kansas Museum of Natural History, Lawrence, Kansas, EUA

Neil Pezzoni (Fanboyphilosopher) — CC BY 4.0

KUVP 247

University of Kansas Museum of Natural History, Lawrence, Kansas, EUA

Completude: ~75%
Encontrado em: 1959
Por: Equipe da Universidade do Kansas

Esqueleto cartilaginoso parcial incluindo região craniana bem preservada e esqueleto posterior. Juntamente com FHSM VP-2187, e um dos dois espécimes mais estudados de C. mantelli e forneceu dados cruciais sobre a anatomia craniana da espécie.

CMN 4096 — Canadian Museum of Nature, Ottawa, Canada

Macrophyseter — CC BY-SA 4.0

CMN 4096

Canadian Museum of Nature, Ottawa, Canada

Completude: ~50%
Encontrado em: 1890
Por: Colecoes historicas

O maior espécime de Cretoxyrhina mantelli da América do Norte, estimado entre 6 e 7 metros de comprimento com base em dentes e vértebras. Este espécime e central para os estudos de tamanho máximo da espécie.

Cretoxyrhina mantelli, o tubarão-Ginsu, ocupa um lugar especial na cultura pop de paleontologia, não como estrela de blockbusters mas como icone da paleoictiologia americana. Popularizado pelo apelido tubarão-Ginsu nos anos 1990, a espécie tornou-se referência obrigatoria em qualquer documentario sobre os oceanos cretaceos da América do Norte. Em Sea Monsters: A Walking with Dinosaurs Trilogy (2003), o tubarão-Ginsu foi mostrado ao público global como o apex predador do Mar Interior Ocidental, atacando mosassauros e outros grandes vertebrados marinhos. Documentarios como os da National Geographic e Discovery Channel reapresentaram C. mantelli diversas vezes, sempre enfatizando o contraste entre seus dentes lisos sem serrilhamento e os dentes serrilhados do tubarão-branco moderno. A descoberta em 2018 de evidência de predacao em pterossauros gerou manchetes em meios de comunicação de todo o mundo, renovando o interesse científico e popular pela espécie. Comparado ao megalodon, C. mantelli e frequentemente descrito como o predador mais eficiente por kilo de massa corporal do Cretáceo.

Animatrônico do T-rex da franquia Jurassic Park com o Jeep característico da série

Animatrônico em tamanho real do T-rex da franquia Jurassic Park, com o Jeep vermelho icônico da série — Amaury Laporte · CC BY 2.0

2001 🎥 Jurassic Park III — Joe Johnston Wikipedia →
2003 📹 Sea Monsters: A Walking with Dinosaurs Trilogy — Nigel Marven Wikipedia →
2005 📹 National Geographic Prehistoric Oceans — National Geographic Wikipedia →
2015 📹 Oceans of Kansas: The Documentary — Produtora independente Wikipedia →
2022 📹 Prehistoric Planet — Jon Favreau (exec. producer) Wikipedia →
Chondrichthyes
Elasmobranchii
Lamniformes
Cretoxyrhinidae
Cretoxyrhina
Primeiro fóssil
1843
Descobridor
Louis Agassiz (dentes)
Descrição formal
1843
Descrito por
Louis Agassiz
Formação
Niobrara Formation (Smoky Hill Chalk Member)
Região
Kansas
País
Estados Unidos
Agassiz, L. (1843) — Petitpierre, Neuchâtel

Curiosidade

Cretoxyrhina mantelli ganhou o apelido de 'tubarão-Ginsu' porque seus dentes lisos sem serrilhamento funcionavam exatamente como a famosa faca de cozinha japonesa Ginsu: cortavam sem esfarraphar, deixando incisoes limpas nos ossos de suas vítimas. Os paleontólogos reconhecem as marcas de C. mantelli nos fósseis exatamente por esse motivo.