← Voltar ao catálogo
Australovenator wintonensis
Cretáceo Carnívoro

Caçador austral

Australovenator wintonensis

"caçador austral de Winton"

Período
Cretáceo · Cenomaniano
Viveu
95–93 Ma
Comprimento
até 6 m
Peso estimado
500 kg
País de origem
Austrália
Descrito em
2009 por Hocknull, S.A., White, M.A., Tischler, T.R., Cook, A.G., Calleja, N.D., Sloan, T., Elliott, D.A.

Australovenator wintonensis foi um terópode de médio porte do Cretáceo, final do Albiano ao Cenomaniano (aproximadamente 95 a 93 milhões de anos), encontrado na Formação Winton, no centro-oeste de Queensland, Austrália. Com cerca de 6 metros de comprimento e peso estimado entre 310 e 500 quilos, foi apelidado de Banjo pelos descobridores, em homenagem a Andrew Banjo Paterson, poeta australiano autor da canção Waltzing Matilda. O holótipo AODF 604 foi exumado em 2006 pela equipe do Australian Age of Dinosaurs Museum na localidade AODL 85, dentro da estação Elderslie, no mesmo sítio em que surgiu o saurópode titanossauriforme Diamantinasaurus matildae, o Matilda. A associação dos dois esqueletos no mesmo bolsão de lama cretácica rendeu ao local o nome informal de Matilda site e produziu um retrato raro de uma comunidade gondwaniana em escala corporal completa: um grande herbívoro ao lado de seu predador potencial. Australovenator é, até hoje, o terópode australiano mais bem preservado, com dentário, vértebras, membros anteriores e posteriores, cintura pélvica e elementos do pé recuperados ao longo de sucessivas temporadas de campo. A descrição formal veio em 2009, em artigo publicado por Scott Hocknull e colaboradores na PLoS ONE, que introduziu o táxon junto com Diamantinasaurus matildae e Wintonotitan wattsi, batizando de uma só vez três espécies novas do Winton. Na análise filogenética original, os autores posicionaram Australovenator dentro de Carcharodontosauria, na família Neovenatoridae, ao lado de Neovenator e Fukuiraptor. Essa colocação séria contestada anos depois por trabalhos como Novas e colaboradores (2013), Bell e colaboradores (2016), Coria e Currie (2016) e Morrison e colaboradores (2025), que recuperam Megaraptora, o clado que reúne Australovenator, dentro de Coelurosauria, próxima a Tyrannosauroidea. O debate segue aberto, e ele é, em boa parte, um debate sobre o que é Australovenator: alossauróide tardio ou tiranossauróide gondwaniano com braços longos. Anatomicamente, o animal chama a atenção pelos membros anteriores longos e pelas unhas manuais grandes e recurvadas, atípicos em terópodes tetanuros de médio ou grande porte, que tendem a reduzir os braços. White e colaboradores publicaram uma sequência de artigos entre 2012 e 2015 descrevendo novos elementos do antebraço, do membro posterior, a amplitude de movimento do braço e o dentário com dentes serrilhados e alongados. Essa combinação, braços longos, mãos enormes e mandíbula cortante, ajudou a consolidar uma visão coesa de megaraptorídeo: um predador que imobiliza presas com as mãos e retalha com os dentes, função distinta da dos tiranossaurídeos do Hemisfério Norte, que dependiam principalmente do crânio. Australovenator viveu em um Gondwana ainda parcialmente conectado, em que a Austrália mantinha ligação terrestre com a Antártida e, por ela, rotas de dispersão até a América do Sul. Essa geografia explica por que Megaraptoridae tem representantes tanto na Patagônia (Megaraptor, Aerosteon, Murusraptor, Maip) quanto na Austrália (Australovenator, Lightning Claw). Para a comunidade contemporânea, a Formação Winton fornece saurópodes titanossauriformes como Diamantinasaurus, Wintonotitan e Savannasaurus, ornitópodes, tartarugas, crocodilomorfos e peixes de água doce, retratando uma planície de inundação temperada quente de latitudes altas no Cretáceo médio. Australovenator é, nesse cenário, peça central para entender a evolução dos terópodes gondwanianos e a biogeografia do grupo.

A Formação Winton, final do Albiano ao Cenomaniano, cobre grande parte do centro-oeste de Queensland e é um dos depósitos de dinossauros mais ricos da Austrália. Representa um sistema de rios meandrantes, lagos rasos e planícies de inundação sob clima temperado quente e sazonal. Os sítios mais produtivos ficam em torno de Winton, incluindo o AODL 85 em Elderslie Station, onde Australovenator e Diamantinasaurus foram encontrados em associação. A fauna contemporânea inclui os saurópodes Diamantinasaurus matildae, Wintonotitan wattsi e Savannasaurus elliottorum, descritos em trabalhos de Hocknull 2009 e Poropat 2016, ornitópodes, tartarugas, crocodilomorfos e peixes de água doce, compondo um quadro gondwaniano tardio.

🌿

Habitat

Australovenator wintonensis habitava as planícies de inundação da Formação Winton no Cenomaniano, uma paisagem de rios meandrantes, lagos rasos e florestas ribeirinhas cobrindo o centro de Gondwana austral. O clima era temperado quente, com estações marcadas, característico de uma latitude subpolar, já que nesta época a Austrália permanecia unida à Antártida e ocupava posição bem mais ao sul do que hoje. Coníferas, ginkgoales, samambaias e as primeiras angiospermas formavam uma vegetação densa ao longo dos canais fluviais, e os sedimentos que preservaram Banjo correspondem a um bolsão de lama em uma planície alagada, onde um saurópode jovem morreu e foi enterrado junto com o terópode.

🦷

Alimentação

Australovenator era um predador ágil de médio porte, com garras manuais grandes e recurvadas no primeiro e segundo dedos, usadas para prender presas, e uma mandíbula alongada com dentes serrilhados compridos, mais adaptados a cortar carne do que a esmagar osso. A combinação de braços longos, punho móvel (White et al. 2015) e unhas em gancho é típica dos megaraptorídeos: em vez de depender principalmente do crânio como os tiranossaurídeos do norte, Australovenator imobilizava a presa com as mãos e retalhava com os dentes. As presas mais prováveis eram ornitópodes de médio porte da fauna do Winton e filhotes ou juvenis de saurópodes titanossauriformes, como os jovens de Diamantinasaurus.

🧠

Comportamento e sentidos

A biomecânica do membro anterior sugere comportamento de caça ativa, com o animal perseguindo ou emboscando presas e usando as mãos para derrubar e imobilizar alvos do seu tamanho ou menores. Patas longas e esbeltas (White et al. 2013) apoiam locomoção cursorial em terreno aberto ou semi-aberto da planície de inundação, com capacidade para piques rápidos na abordagem final. Não há evidência direta de vida em grupo em Australovenator.

Fisiologia e crescimento

Australovenator é um megaraptorídeo gracilmente construído, com braços longos e desenvolvidos e unhas manuais enormes, uma combinação atípica para a maioria dos terópodes tetanuros, que tendem a reduzir os membros anteriores em grupos de grande porte. A presença de tecidos ósseos de crescimento rápido, inferida por analogia com Megaraptor juvenil descrito em Porfiri et al. (2014), é consistente com metabolismo elevado e endotermia, padrão comum em Coelurosauria. O animal provavelmente tinha cobertura de penas filamentosas ao menos em partes do corpo, como sugerido pela maioria das reconstruções modernas do grupo.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Cretáceo (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma

Durante o Cenomaniano (~95–93 Ma), Australovenator wintonensis habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.

Completude estimada 22%

O esqueleto parcial de Australovenator wintonensis é estimado em cerca de 20 a 25 por cento do total, combinando o material original de 2006 descrito por Hocknull e colaboradores em 2009 com elementos adicionais recuperados em campanhas posteriores por White e colaboradores entre 2012 e 2015, incluindo novos ossos do antebraço, do membro posterior e o dentário detalhado. É o terópode australiano mais completo conhecido.

Encontrado (17)
Inferido (6)
Esqueleto de dinossauro — theropod
Wikimédia Commons / Scott Hartman CC BY-SA 3.0

Estruturas encontradas

dentarycervical_vertebraedorsal_vertebraecaudal_vertebraehumerusradiusulnacarpalsmetacarpalsmanual_phalangesmanual_ungualsiliumtibiafibulaastragalusmetatarsalspedal_phalanges

Estruturas inferidas

complete_skullcomplete_pelvisfemurcomplete_vertebral_columnribsintegument

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

2009

New Mid-Cretaceous (latest Albian) Dinosaurs from Winton, Queensland, Australia

Hocknull, S.A., White, M.A., Tischler, T.R., Cook, A.G., Calleja, N.D., Sloan, T., Elliott, D.A. · PLoS ONE

Artigo fundador de Australovenator wintonensis, publicado em PLoS ONE 4(7): e6190. Hocknull e colaboradores descrevem três novos dinossauros do Winton, Queensland, a partir de material coletado em 2006 na estação Elderslie: o terópode Australovenator, o saurópode titanossauriforme Diamantinasaurus e o saurópode Wintonotitan. O holótipo AODF 604 preserva dentário, vértebras cervicais, dorsais e caudais, elementos do membro anterior e posterior, cintura pélvica e ossos do pé, representando o terópode australiano mais completo já descrito. A análise filogenética original aloca o táxon em Carcharodontosauria (Neovenatoridae), hipótese posteriormente revisada por outros autores que recuperam Megaraptora dentro de Coelurosauria. O trabalho também apresenta mapa de localidade, seção estratigráfica do Winton e silhuetas corporais com os ossos recuperados.

Mapa de localidade e coluna estratigráfica do Winton Formation, mostrando a posição do sítio AODL 85 na estação Elderslie e o nível em que o holótipo de Australovenator foi recuperado.

Mapa de localidade e coluna estratigráfica do Winton Formation, mostrando a posição do sítio AODL 85 na estação Elderslie e o nível em que o holótipo de Australovenator foi recuperado.

Silhuetas corporais dos três holótipos descritos por Hocknull e colaboradores (2009): Australovenator, Diamantinasaurus e Wintonotitan, com os ossos recuperados sombreados em preto.

Silhuetas corporais dos três holótipos descritos por Hocknull e colaboradores (2009): Australovenator, Diamantinasaurus e Wintonotitan, com os ossos recuperados sombreados em preto.

2012

New Forearm Elements Discovered of Holotype Specimen Australovenator wintonensis from Winton, Queensland, Australia

White, M.A., Cook, A.G., Hocknull, S.A., Sloan, T., Sinapius, G.H.K., Elliott, J.A., Elliott, D.A. · PLoS ONE

White e colaboradores descrevem novos elementos do antebraço do holótipo, escavados em campanhas subsequentes ao artigo original de 2009. O material inclui rádio, ulna, carpais, metacarpais e falanges manuais, permitindo a reconstrução mais completa já feita do membro anterior de um terópode australiano. Os ossos confirmam braços longos em relação ao tronco e unhas manuais grandes e recurvadas, padrão típico dos megaraptoranos. O trabalho reforça a hipótese de que Australovenator dependia das mãos como ferramenta principal de predação.

Elementos do antebraço de Australovenator wintonensis, incluindo rádio, ulna, carpais e metacarpais em múltiplas vistas.

Elementos do antebraço de Australovenator wintonensis, incluindo rádio, ulna, carpais e metacarpais em múltiplas vistas.

Comparação anatômica das falanges manuais e unhas recurvadas com outros megaraptoranos, reforçando a morfologia característica do grupo.

Comparação anatômica das falanges manuais e unhas recurvadas com outros megaraptoranos, reforçando a morfologia característica do grupo.

2013

New Australovenator Hind Limb Elements Pertaining to the Holotype Reveal the Most Complete Neovenatorid Leg

White, M.A., Cook, A.G., Hocknull, S.A., Sloan, T., Sinapius, G.H.K., Elliott, J.A., Elliott, D.A. · PLoS ONE

Segundo artigo de White e colaboradores sobre material adicional do holótipo, agora focado no membro posterior. Tíbia, fíbula, astrágalo, metatarsais e falanges do pé são descritos em detalhe, tornando Australovenator a perna mais completa já recuperada para a família. As proporções sugerem patas longas e ágeis, compatíveis com um predador de perseguição em terrenos relativamente abertos. Esse conjunto também permite comparar Australovenator a Fukuiraptor do Japão e a outros megaraptoranos, fornecendo base anatômica sólida para as análises filogenéticas posteriores.

Elementos do membro posterior do holótipo de Australovenator wintonensis, incluindo tíbia e fíbula.

Elementos do membro posterior do holótipo de Australovenator wintonensis, incluindo tíbia e fíbula.

Astrágalo, metatarsais e falanges do pé, com comparação anatômica aos membros posteriores de outros terópodes tetanuros.

Astrágalo, metatarsais e falanges do pé, com comparação anatômica aos membros posteriores de outros terópodes tetanuros.

2015

Forearm Range of Motion in Australovenator wintonensis (Theropoda, Megaraptoridae)

White, M.A., Bell, P.R., Cook, A.G., Barnes, D.G., Tischler, T.R., Bassam, B.J., Elliott, D.A. · PLoS ONE

Estudo biomecânico que modela digitalmente o membro anterior do holótipo e testa sua amplitude de movimento. Ombro, cotovelo e mão foram reconstruídos a partir de escaneamento de superfície e tomografia computadorizada, revelando um braço capaz de flexão prolongada e supinação, compatível com comportamento de agarrar e imobilizar presas. O estudo sustenta a interpretação de Australovenator como predador que dependia das mãos, com garras manuais funcionando como ganchos para segurar animais ativos.

Modelos digitais do membro anterior de Australovenator usados no teste de amplitude de movimento.

Modelos digitais do membro anterior de Australovenator usados no teste de amplitude de movimento.

Diagramas da amplitude angular possível em ombro e cotovelo, sugerindo uso ativo do braço na captura de presas.

Diagramas da amplitude angular possível em ombro e cotovelo, sugerindo uso ativo do braço na captura de presas.

2015

The dentary of Australovenator wintonensis (Theropoda, Megaraptoridae); implications for megaraptorid dentition

White, M.A., Bell, P.R., Cook, A.G., Poropat, S.F., Elliott, D.A. · PeerJ

Descrição detalhada do dentário do holótipo, com análise da morfologia e padrão de substituição dentária. Os dentes são serrilhados, alongados e lateralmente comprimidos, típicos de um terópode talhador de carne. A comparação com Murusraptor e Megaraptor apoia um padrão dentário compartilhado entre megaraptorídeos, marcado por mandíbulas alongadas e dentes cortantes em vez de esmagadores. Esse conjunto morfológico indica que os megaraptorídeos capturavam presas com as mãos e retalhavam tecido com o crânio, uma divisão funcional distinta da dos tiranossaurídeos do norte.

Dentário do holótipo de Australovenator wintonensis em múltiplas vistas, com alvéolos dentários e dentes preservados.

Dentário do holótipo de Australovenator wintonensis em múltiplas vistas, com alvéolos dentários e dentes preservados.

Detalhes da morfologia dentária com serrilhas, comparação interespecífica entre megaraptorídeos.

Detalhes da morfologia dentária com serrilhas, comparação interespecífica entre megaraptorídeos.

2016

A large-clawed theropod (Dinosauria: Tetanurae) from the Lower Cretaceous of Australia and the Gondwanan origin of megaraptorid theropods

Bell, P.R., Cau, A., Fanti, F., Smith, E.T. · Gondwana Research

Bell, Cau, Fanti e Smith descrevem uma garra manual gigantesca e falanges associadas recuperadas em Lightning Ridge, New South Wales, na Formação Griman Creek. O exemplar, apelidado informalmente de Lightning Claw, é analisado filogeneticamente e recuperado como parente próximo de Australovenator wintonensis, apoiando uma origem gondwaniana para Megaraptoridae. A combinação entre Lightning Claw e Australovenator passa a ser a principal evidência de que os megaraptorídeos mais antigos conhecidos são australianos, e que o grupo se dispersou dali para a América do Sul e Antártida. Por ser publicado em periódico comercial sem figuras abertas no CDN do PMC, as imagens nesta entrada são substituídas por figuras equivalentes de um artigo open-access contemporâneo sobre biogeografia de Megaraptora (Morrison et al. 2025), marcadas como comparativas.

Imagem comparativa: mapa biogeográfico e topologia filogenética de Megaraptora em Morrison et al. (2025), ilustrando a origem gondwaniana do grupo, hipótese também sustentada por Bell et al. (2016) para Lightning Claw.

Imagem comparativa: mapa biogeográfico e topologia filogenética de Megaraptora em Morrison et al. (2025), ilustrando a origem gondwaniana do grupo, hipótese também sustentada por Bell et al. (2016) para Lightning Claw.

Imagem comparativa: rotas de dispersão de Megaraptora entre fragmentos gondwanianos, consistentes com a hipótese de Bell et al. (2016) para a origem do grupo.

Imagem comparativa: rotas de dispersão de Megaraptora entre fragmentos gondwanianos, consistentes com a hipótese de Bell et al. (2016) para a origem do grupo.

2013

Evolution of the carnivorous dinosaurs during the Cretaceous: The evidence from Patagonia

Novas, F.E., Agnolin, F.L., Ezcurra, M.D., Porfiri, J., Canale, J.I. · Cretaceous Research

Novas e colaboradores revisam os terópodes carnívoros do Cretáceo da Patagônia e apresentam uma análise filogenética nova que recupera Megaraptora dentro de Coelurosauria, próxima de Tyrannosauroidea, e não dentro de Allosauroidea como na hipótese original de 2009 sobre Australovenator. Essa reinterpretação muda radicalmente o cenário evolutivo: megaraptorídeos passam a ser vistos como tiranossauroídeos gondwanianos com braços bem desenvolvidos, em contraste com a redução braquial dos tiranossaurídeos do norte. O artigo é comercial, sem figuras abertas no CDN; as imagens aqui são substituídas por figuras equivalentes de Rolando et al. (2022), sobre Maip macrothorax, que discute a mesma topologia.

Imagem comparativa: mapa de localidade de Maip macrothorax em Rolando et al. (2022), ilustrando a Patagônia central como região chave para Megaraptoridae, tema também tratado em Novas et al. (2013).

Imagem comparativa: mapa de localidade de Maip macrothorax em Rolando et al. (2022), ilustrando a Patagônia central como região chave para Megaraptoridae, tema também tratado em Novas et al. (2013).

Imagem comparativa: elementos esqueléticos de um megaraptorídeo patagônico em Rolando et al. (2022), usados para sustentar hipóteses equivalentes à de Novas et al. (2013).

Imagem comparativa: elementos esqueléticos de um megaraptorídeo patagônico em Rolando et al. (2022), usados para sustentar hipóteses equivalentes à de Novas et al. (2013).

2014

Juvenile specimen of Megaraptor (Dinosauria, Theropoda) sheds light about tyrannosauroid radiation

Porfiri, J.D., Novas, F.E., Calvo, J.O., Agnolin, F.L., Ezcurra, M.D., Cerda, I.A. · Cretaceous Research

Porfiri e colaboradores descrevem um espécime juvenil de Megaraptor com partes cranianas inéditas e dados histológicos de crescimento. A análise filogenética reforça a posição de Megaraptora dentro de Tyrannosauroidea, hipótese que se aplica também a Australovenator wintonensis, táxon-irmão dos megaraptores patagônicos em várias topologias. O trabalho permite, pela primeira vez, reconstruir a ontogenia de um megaraptorídeo e fornece um referencial para estimar como Australovenator cresceu de filhote a adulto. Artigo comercial; imagens substituídas por figuras de Coria e Currie (2016) sobre Murusraptor, megaraptorídeo patagônico open-access.

Imagem comparativa: crânio e elementos cranianos de Murusraptor barrosaensis em Coria e Currie (2016), utilizados como análogo ao material juvenil de Megaraptor discutido em Porfiri et al. (2014).

Imagem comparativa: crânio e elementos cranianos de Murusraptor barrosaensis em Coria e Currie (2016), utilizados como análogo ao material juvenil de Megaraptor discutido em Porfiri et al. (2014).

Imagem comparativa: pós-crânio de Murusraptor com referência à história ontogenética discutida para megaraptorídeos em Porfiri et al. (2014).

Imagem comparativa: pós-crânio de Murusraptor com referência à história ontogenética discutida para megaraptorídeos em Porfiri et al. (2014).

2016

A New Megaraptoran Dinosaur (Dinosauria, Theropoda, Megaraptoridae) from the Late Cretaceous of Patagonia

Coria, R.A., Currie, P.J. · PLoS ONE

Coria e Currie descrevem Murusraptor barrosaensis, terópode megaraptorídeo patagônico do final do Cretáceo, com crânio parcial, vértebras e elementos apendiculares. A análise filogenética recupera Megaraptoridae como um clado coeso dentro de Coelurosauria, incluindo Australovenator wintonensis entre as espécies mais basais. O artigo é uma das referências principais para entender Australovenator porque Murusraptor é o megaraptorídeo com crânio mais completo conhecido, permitindo inferir como teria sido o crânio de Australovenator, conhecido apenas pelo dentário. Ambos compartilham mandíbulas alongadas e dentes serrilhados.

Crânio e maxila de Murusraptor barrosaensis em Coria e Currie (2016), principal referência para inferir a morfologia craniana de Australovenator.

Crânio e maxila de Murusraptor barrosaensis em Coria e Currie (2016), principal referência para inferir a morfologia craniana de Australovenator.

Cladograma recuperando Megaraptoridae, incluindo Australovenator, dentro de Coelurosauria.

Cladograma recuperando Megaraptoridae, incluindo Australovenator, dentro de Coelurosauria.

2000

A new carnosaur (Dinosauria: Theropoda) from the Lower Cretaceous of Japan

Azuma, Y., Currie, P.J. · Canadian Journal of Earth Sciences

Azuma e Currie descrevem Fukuiraptor kitadaniensis, terópode do Cretáceo Inferior do Japão. Inicialmente tratado como carnossauro, Fukuiraptor é recuperado em diversas análises filogenéticas posteriores, como Hocknull et al. (2009) e Rolando et al. (2022), como táxon-irmão ou parente próximo de Australovenator wintonensis, sustentando a ideia de uma linhagem de megaraptoranos distribuída entre o Japão, Austrália, América do Sul e Antártida. O artigo é publicado em revista comercial; as figuras aqui são substituídas pelo cladograma de Hocknull 2009 e por figura comparativa de Rolando 2022 que inclui Fukuiraptor no contexto filogenético.

Imagem comparativa: cladograma estratigraficamente calibrado de Hocknull et al. (2009), incluindo Fukuiraptor entre os parentes próximos de Australovenator.

Imagem comparativa: cladograma estratigraficamente calibrado de Hocknull et al. (2009), incluindo Fukuiraptor entre os parentes próximos de Australovenator.

Imagem comparativa: filogenia de Megaraptora em Rolando et al. (2022), onde Fukuiraptor aparece próximo a Australovenator e taxons australianos relacionados.

Imagem comparativa: filogenia de Megaraptora em Rolando et al. (2022), onde Fukuiraptor aparece próximo a Australovenator e taxons australianos relacionados.

1981

An allosaurid theropod dinosaur from the Early Cretaceous of Victoria, Australia

Molnar, R.E., Flannery, T.F., Rich, T.H.V. · Alcheringa

Molnar, Flannery e Rich descrevem um astrágalo de terópode recuperado em Dinosaur Cove, Victoria, no Cretáceo Inferior australiano. Originalmente comparado a alossaurídeos, o osso foi depois reinterpretado por Benson et al. (2010) como pertencente a Megaraptoridae, o que o tornaria, junto com Lightning Claw, um dos primeiros indícios de que o grupo tem raízes profundas no registro australiano. O artigo antecede em quase três décadas a descrição formal de Australovenator e compõe a base histórica do debate sobre grandes terópodes da Austrália. Artigo comercial; figuras substituídas por material de Rolando 2022.

Imagem comparativa: elementos axiais de um megaraptorídeo patagônico em Rolando et al. (2022), ilustrando morfologia comparável ao material australiano de Victoria.

Imagem comparativa: elementos axiais de um megaraptorídeo patagônico em Rolando et al. (2022), ilustrando morfologia comparável ao material australiano de Victoria.

Imagem comparativa: elementos apendiculares adicionais em Rolando et al. (2022), contextualizando o astrágalo de Dinosaur Cove no ambiente gondwaniano.

Imagem comparativa: elementos apendiculares adicionais em Rolando et al. (2022), contextualizando o astrágalo de Dinosaur Cove no ambiente gondwaniano.

2003

Reassessment of Allosaurus? from Dinosaur Cove, Victoria (with historical review)

Rich, T.H., Vickers-Rich, P. · Records of the Australian Museum / Alcheringa

Rich e Vickers-Rich sintetizam uma série de trabalhos que revisaram o astrágalo NMV P150070 de Dinosaur Cove ao longo dos anos, reinterpretando o material à luz de novas descobertas australianas. A discussão anteciparia a reatribuição formal a Megaraptoridae em Benson et al. (2010) e prepararia o terreno para a descrição de Australovenator em 2009. Material comercial; figuras substituídas por Rolando 2022 e por figura adicional de Hocknull 2009.

Imagem comparativa: elementos adicionais de megaraptorídeo em Rolando et al. (2022), usados aqui como análogo ao astrágalo de Dinosaur Cove.

Imagem comparativa: elementos adicionais de megaraptorídeo em Rolando et al. (2022), usados aqui como análogo ao astrágalo de Dinosaur Cove.

Imagem comparativa: vértebras de Australovenator em Hocknull et al. (2009), contexto australiano para a revisão do material de Dinosaur Cove.

Imagem comparativa: vértebras de Australovenator em Hocknull et al. (2009), contexto australiano para a revisão do material de Dinosaur Cove.

2010

A new clade of archaic large-bodied predatory dinosaurs (Theropoda: Allosauroidea) that survived to the latest Mesozoic

Benson, R.B.J., Carrano, M.T., Brusatte, S.L. · Naturwissenschaften

Benson, Carrano e Brusatte propõem Neovenatoridae, um novo clado de alosauróides de grande porte que persistiram até o Cretáceo tardio, incluindo explicitamente Australovenator wintonensis, Neovenator salerii e táxons gondwanianos como Megaraptor. O trabalho também refere o astrágalo NMV P150070 de Dinosaur Cove a Megaraptoridae, integrando o registro australiano mais antigo ao novo clado. Esta é a hipótese alosauróide concorrente à hipótese tiranossauroídea apresentada por Novas et al. (2013). Artigo comercial; figuras substituídas por material open-access de Hocknull 2009 e White 2013.

Imagem comparativa: elementos apendiculares do holótipo de Australovenator em Hocknull et al. (2009), usados em análises como Benson et al. (2010).

Imagem comparativa: elementos apendiculares do holótipo de Australovenator em Hocknull et al. (2009), usados em análises como Benson et al. (2010).

Imagem comparativa: membro posterior de Australovenator em White et al. (2013), citado por análises subsequentes que retomam a discussão iniciada por Benson et al. (2010).

Imagem comparativa: membro posterior de Australovenator em White et al. (2013), citado por análises subsequentes que retomam a discussão iniciada por Benson et al. (2010).

2016

New Australian sauropods shed light on Cretaceous dinosaur palaeobiogeography

Poropat, S.F., Mannion, P.D., Upchurch, P., Hocknull, S.A., Kear, B.P., Kundrát, M., Tischler, T.R., Sloan, T., Sinapius, G.H.K., Elliott, J.A., Elliott, D.A. · Scientific Reports

Poropat e colaboradores descrevem novo material de saurópodes da Formação Winton e analisam a biogeografia dos dinossauros cretáceos da Austrália. Para Australovenator wintonensis, o trabalho é relevante por atualizar a lista de fauna contemporânea, com saurópodes titanossauriformes como Diamantinasaurus e Savannasaurus, e por discutir como Austrália, América do Sul e Antártida mantinham conexões continentais no Cretáceo médio, compatíveis com a distribuição de Megaraptoridae. Artigo com figuras abertas em Nature; aqui usamos figuras adicionais de Hocknull 2009 relacionadas à mesma formação.

Imagem comparativa: vértebras cervicais de Australovenator em Hocknull et al. (2009), contextualizando a fauna do Winton revisada por Poropat et al. (2016).

Imagem comparativa: vértebras cervicais de Australovenator em Hocknull et al. (2009), contextualizando a fauna do Winton revisada por Poropat et al. (2016).

Imagem comparativa: reconstruções artísticas dos três táxons do Winton em Hocknull et al. (2009): Australovenator, Diamantinasaurus e Wintonotitan, compondo o ecossistema analisado por Poropat et al. (2016).

Imagem comparativa: reconstruções artísticas dos três táxons do Winton em Hocknull et al. (2009): Australovenator, Diamantinasaurus e Wintonotitan, compondo o ecossistema analisado por Poropat et al. (2016).

2010

A reappraisal of the Cretaceous non-avian dinosaur faunas from Australia and New Zealand: evidence for their Gondwanan affinities

Agnolin, F.L., Ezcurra, M.D., Pais, D.F., Salisbury, S.W. · Journal of Systematic Palaeontology

Agnolin, Ezcurra, Pais e Salisbury revisam as faunas de dinossauros não aviários do Cretáceo da Austrália e Nova Zelândia e sustentam afinidades gondwanianas fortes para o registro australiano. Australovenator é tratado dentro de Megaraptora, reforçando o laço com táxons sul-americanos como Megaraptor e Aerosteon. O artigo é comercial; imagens substituídas por material complementar de Hocknull 2009.

Imagem comparativa: elementos cranianos e pós-cranianos de Australovenator em Hocknull et al. (2009), contexto anatômico para a revisão biogeográfica de Agnolin et al. (2010).

Imagem comparativa: elementos cranianos e pós-cranianos de Australovenator em Hocknull et al. (2009), contexto anatômico para a revisão biogeográfica de Agnolin et al. (2010).

Imagem comparativa: detalhes anatômicos adicionais em Hocknull et al. (2009), referências para a análise de afinidades gondwanianas apresentada por Agnolin et al. (2010).

Imagem comparativa: detalhes anatômicos adicionais em Hocknull et al. (2009), referências para a análise de afinidades gondwanianas apresentada por Agnolin et al. (2010).

AODF 604 (Banjo) — Australian Age of Dinosaurs Museum, Winton

PaleoEquii, CC BY-SA 4.0

AODF 604 (Banjo)

Australian Age of Dinosaurs Museum, Winton

Completude: esqueleto parcial 20-25%
Encontrado em: 2006
Por: David Elliott e equipe AOD

Holótipo de Australovenator wintonensis, apelidado de Banjo em homenagem ao poeta australiano Andrew Banjo Paterson. Foi encontrado no sítio AODL 85, na estação Elderslie, associado ao esqueleto do saurópode titanossauriforme Diamantinasaurus matildae, o Matilda, em 2006. O material inclui dentário, vértebras cervicais, dorsais e caudais, elementos do membro anterior (úmero, rádio, ulna, carpais, metacarpais, falanges, unhas), ílio, tíbia, fíbula, astrágalo, metatarsais e falanges do pé. Campanhas posteriores entre 2012 e 2015 recuperaram novos ossos, consolidando Australovenator como o terópode australiano mais completo. Preservado e exposto no Australian Age of Dinosaurs Museum of Natural History, em Winton, Queensland.

Dinosauria
Saurischia
Theropoda
Tetanurae
Megaraptora
Megaraptoridae
Australovenator
Primeiro fóssil
2006
Descobridor
Equipe Australian Age of Dinosaurs
Descrição formal
2009
Descrito por
Hocknull, S.A., White, M.A., Tischler, T.R., Cook, A.G., Calleja, N.D., Sloan, T., Elliott, D.A.
Formação
Formação Winton
Região
Queensland (Winton, AODL 85 - Elderslie Station)
País
Austrália
📄 Artigo de descrição original

Curiosidade

Apelidado de 'Banjo' em homenagem a Andrew 'Banjo' Paterson, poeta australiano autor de 'Waltzing Matilda', a canção sobre a qual o fazendeiro local cantarolava no momento da descoberta. É um dos dinossauros carnívoros mais completos já encontrados na Austrália.