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🇧🇷 Espécie Brasileira
Aratasaurus museunacionali
Cretáceo Carnívoro

Aratasaurus

Aratasaurus museunacionali

"Lagarto nascido do fogo (Museu Nacional)"

Período
Cretáceo · Albiano
Viveu
113–108 Ma
Comprimento
até 3.12 m
Peso estimado
34 kg
País de origem
Brasil
Descrito em
2020 por Juliana M. Sayão, Antônio Á.F. Saraiva, Arthur S. Brum, Renan A.M. Bantim, Rafael C.L.P. Andrade, Xin Cheng, Flaviana J. Lima, Helder P. Silva e Alexander W.A. Kellner

O Aratasaurus museunacionali é um pequeno terópode celurossauro basal do Cretáceo Inferior (Albiano, ~110 Ma) da Formação Romualdo, na Bacia do Araripe, em Santana do Cariri (Ceará). Descrito por Juliana Sayão e colegas em 2020, o holótipo MPSC R 2089 corresponde a um membro posterior direito articulado (extremidade distal do fêmur, extremidade proximal da tíbia, metatarsais parciais, várias falanges e três garras) de um indivíduo juvenil com aproximadamente 4 anos de idade, estimado em 3,12 metros de comprimento e 34 kg. O nome significa 'lagarto nascido do fogo', em referência ao incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro em setembro de 2018, pouco antes da publicação do artigo. O Aratasaurus expande a diversidade conhecida de pequenos terópodes da Bacia do Araripe, junto com o Santanaraptor, Mirischia, Irritator e Angaturama, e é um raríssimo celurossauro basal do Gondwana.

Formação Romualdo (antigo 'Membro Romualdo' da Formação Santana), parte do Grupo Santana, Bacia do Araripe. Idade albiana (~110 Ma, base datada em 110,5 ± 7,4 Ma a partir de dentes de peixes). Litologia dominada por argilitos, folhelhos e concreções calcárias, com preservação tridimensional excepcional de vertebrados e invertebrados. Konservat-Lagerstätte de classe mundial. A fauna inclui terópodes (Aratasaurus, Santanaraptor, Mirischia, Irritator, Angaturama), pterossauros (Anhanguera, Tropeognathus, Tapejara, Thalassodromeus, Tupuxuara), cerca de 25 espécies de peixes (Dastilbe, Vinctifer, Rhacolepis, Cladocyclus, Mawsonia), além de tartarugas, crocodilomorfos e vegetação preservada. O Aratasaurus vem especificamente da base da formação, em nível estratigráfico cerca de 2,5 metros acima do contato com a Formação Ipubi.

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Habitat

Planície costeira semi-árida em torno de um mar epicontinental raso no interior do Nordeste do Brasil, durante o Albiano (~110 Ma). A Formação Romualdo representa a fase transgressiva de uma bacia rifte, com lagoas hipersalinas e concreções calcárias onde ocorria a preservação excepcional de fósseis. Vegetação composta por coníferas, cicadáceas e gnetófitas tolerantes à aridez, com pulsos mais úmidos durante a transgressão.

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Alimentação

Pequeno terópode carnívoro, com dentes e garras adaptados à predação. Como juvenil, provavelmente se alimentava de pequenos vertebrados (lagartos, mamaliaformes, peixes encalhados) e invertebrados. Em adultos, a dieta provavelmente incluiria presas maiores ou carcaças. O tamanho reduzido o colocava como possível presa dos grandes espinossaurídeos (Irritator, Angaturama) do mesmo ecossistema.

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Comportamento e sentidos

A osteohistologia indica crescimento rápido, típico de celurossauros, interrompido pela morte aos ~4 anos. Não há evidência direta de integumento ou comportamento social, mas por analogia com outros celurossauros basais é provável que o Aratasaurus apresentasse penas ou protopenas, fosse termorregulador ativo e vivesse em estilo de vida cursorial no terreno semi-aberto do Araripe.

Fisiologia e crescimento

O holótipo juvenil permite uma das poucas análises histológicas detalhadas de um celurossauro do Gondwana, mostrando crescimento rápido e metabolismo elevado, consistente com a imagem atual de pequenos terópodes ativos e endotermos. Os ossos longos apresentam sucessivas linhas de crescimento detido, compatíveis com estações sazonais da planície costeira do Araripe.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Cretáceo (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma

Durante o Albiano (~113–108 Ma), Aratasaurus museunacionali habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.

Completude estimada 10%

O holótipo preserva apenas o membro posterior direito articulado: distal do fêmur, proximal da tíbia, metatarsais parciais, várias falanges e três unguais pedais. Apesar da baixa completude, a articulação do material e a presença de características diagnósticas no fêmur, tíbia e metatarsais permitiram a atribuição a um novo gênero de celurossauro basal. A histologia óssea mostrou que o espécime é juvenil (~4 anos).

Encontrado (6)
Inferido (9)
Esqueleto de dinossauro — theropod
Sayão et al. 2020 (Wikimedia Commons) CC BY 4.0

Estruturas encontradas

extremidade distal do fêmur direitoextremidade proximal da tíbia direitametatarsais I–IV parciaisvárias falanges do pétrês garras pedais (unguais)membro posterior direito articulado

Estruturas inferidas

crâniomandíbulapescoço e troncocintura escapularmembros anterioresmaioria do esqueleto axialpelvetíbia e fíbula completaspé esquerdo

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

2020

The first theropod dinosaur (Coelurosauria, Theropoda) from the base of the Romualdo Formation (Albian), Araripe Basin, Northeast Brazil

Sayão, J.M., Saraiva, A.Á.F., Brum, A.S., Bantim, R.A.M., Andrade, R.C.L.P., Cheng, X., Lima, F.J., Silva, H.P. e Kellner, A.W.A. · Scientific Reports

Descrição original do Aratasaurus museunacionali, primeiro celurossauro reportado da base da Formação Romualdo, na Bacia do Araripe. O material é um membro posterior direito articulado, atribuído a um juvenil com aproximadamente 4 anos segundo análise osteohistológica. Compara o fóssil com Zuolong salleei (China) e com os demais celurossauros brasileiros, e propõe relação sistemática próxima a celurossauros basais do Gondwana.

Figura 10 do artigo: reconstituição em vida do Aratasaurus museunacionali por Maurilio Oliveira, apresentando o pequeno celurossauro juvenil na paisagem costeira do Araripe no Albiano.

Figura 10 do artigo: reconstituição em vida do Aratasaurus museunacionali por Maurilio Oliveira, apresentando o pequeno celurossauro juvenil na paisagem costeira do Araripe no Albiano.

Figura 7 do artigo: análise osteohistológica do fêmur e da tíbia, base para a conclusão de que o holótipo MPSC R 2089 é um juvenil de cerca de 4 anos, ainda em crescimento.

Figura 7 do artigo: análise osteohistológica do fêmur e da tíbia, base para a conclusão de que o holótipo MPSC R 2089 é um juvenil de cerca de 4 anos, ainda em crescimento.

1999

Short note on a new dinosaur (Theropoda, Coelurosauria) from the Santana Formation (Romualdo Member, Albian), northeastern Brazil

Kellner, A.W.A. · Boletim do Museu Nacional, Nova Série, Geologia

Descrição original do Santanaraptor placidus, o primeiro celurossauro reportado da Bacia do Araripe, com base em um esqueleto parcial com tecidos moles preservados (MN 4802-V). Referência central para a sistemática e a paleobiogeografia dos celurossauros basais brasileiros, contextualizando posteriormente a descrição do Aratasaurus.

Santanaraptor placidus, celurossauro basal da Formação Romualdo descrito originalmente por Kellner em 1999 a partir do holótipo MN 4802-V, com tecidos moles preservados.

Santanaraptor placidus, celurossauro basal da Formação Romualdo descrito originalmente por Kellner em 1999 a partir do holótipo MN 4802-V, com tecidos moles preservados.

Reconstituição em vida do Santanaraptor, o primeiro celurossauro reportado da Bacia do Araripe e referência direta de comparação para a posterior descrição do Aratasaurus.

Reconstituição em vida do Santanaraptor, o primeiro celurossauro reportado da Bacia do Araripe e referência direta de comparação para a posterior descrição do Aratasaurus.

1996

First Early Cretaceous dinosaur from Brazil with comments on Spinosauridae

Kellner, A.W.A. e Campos, D.A. · Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie, Abhandlungen

Descreve Angaturama limai, grande espinossaurídeo da Formação Romualdo, e estabelece o registro mais antigo de dinossauros cretáceos brasileiros. Oferece o enquadramento faunístico em que mais tarde seriam descritos pequenos terópodes como Santanaraptor, Mirischia e Aratasaurus.

Esqueleto reconstruído de Angaturama limai, grande espinossaurídeo da Formação Romualdo descrito por Kellner e Campos em 1996 a partir da parte anterior do crânio.

Esqueleto reconstruído de Angaturama limai, grande espinossaurídeo da Formação Romualdo descrito por Kellner e Campos em 1996 a partir da parte anterior do crânio.

Reconstituição comparativa dos espinossaurídeos, grupo ao qual Angaturama pertence. O artigo de 1996 estabeleceu o registro mais antigo de dinossauros do Cretáceo brasileiro.

Reconstituição comparativa dos espinossaurídeos, grupo ao qual Angaturama pertence. O artigo de 1996 estabeleceu o registro mais antigo de dinossauros do Cretáceo brasileiro.

2000

Skeletal remains of a small theropod dinosaur with associated soft structures from the Lower Cretaceous Santana Formation of northeastern Brazil

Martill, D.M., Frey, E., Sues, H.-D. e Cruickshank, A.R.I. · Canadian Journal of Earth Sciences

Primeira descrição dos restos de Mirischia asymmetrica, outro pequeno celurossauro da Formação Romualdo, com tecidos moles associados. Estabelece, junto com o Santanaraptor, a diversidade de pequenos terópodes conhecidos na Bacia do Araripe antes do Aratasaurus.

Fóssil do pequeno celurossauro hoje conhecido como Mirischia asymmetrica, descrito em 2000 por Martill e colegas com base em uma concreção calcária da Formação Romualdo, com tecidos moles associados.

Fóssil do pequeno celurossauro hoje conhecido como Mirischia asymmetrica, descrito em 2000 por Martill e colegas com base em uma concreção calcária da Formação Romualdo, com tecidos moles associados.

Mirischia e Santanaraptor lado a lado: os dois pequenos celurossauros da Formação Romualdo que formavam o contexto faunístico para a posterior descrição do Aratasaurus.

Mirischia e Santanaraptor lado a lado: os dois pequenos celurossauros da Formação Romualdo que formavam o contexto faunístico para a posterior descrição do Aratasaurus.

2004

Ecology, systematics and biogeographical relationships of dinosaurs, including a new theropod, from the Santana Formation (?Albian, Early Cretaceous) of Brazil

Naish, D., Martill, D.M. e Frey, E. · Historical Biology

Nomeação formal de Mirischia asymmetrica, revisão da ecologia e biogeografia dos dinossauros da Formação Santana (hoje Romualdo). Discute a assimetria pélvica do gênero e a posição sistemática entre celurossauros basais, contexto direto para a posterior descrição do Aratasaurus.

Holótipo de Mirischia asymmetrica. Naish, Martill e Frey (2004) nomearam formalmente o gênero e a espécie, baseando-se na assimetria entre o ísquio esquerdo e o direito.

Holótipo de Mirischia asymmetrica. Naish, Martill e Frey (2004) nomearam formalmente o gênero e a espécie, baseando-se na assimetria entre o ísquio esquerdo e o direito.

Mirischia em cena paleoambiental reconstruída, contexto ecológico e biogeográfico do Cretáceo Inferior do Araripe discutido por Naish e colegas em 2004.

Mirischia em cena paleoambiental reconstruída, contexto ecológico e biogeográfico do Cretáceo Inferior do Araripe discutido por Naish e colegas em 2004.

2002

Irritator challengeri, a spinosaurid (Dinosauria: Theropoda) from the Lower Cretaceous of Brazil

Sues, H.-D., Frey, E., Martill, D.M. e Scott, D.M. · Journal of Vertebrate Paleontology

Descreve Irritator challengeri, espinossaurídeo da Formação Romualdo, com base em crânio bem preservado. Oferece contexto sobre os grandes terópodes do ecossistema do Araripe que dividiam os ambientes com pequenos celurossauros como Santanaraptor e, posteriormente, Aratasaurus.

Holótipo de Irritator challengeri, crânio bem preservado da Formação Romualdo redescrito em detalhe por Sues e colegas em 2002, firmando o gênero dentro de Spinosauridae.

Holótipo de Irritator challengeri, crânio bem preservado da Formação Romualdo redescrito em detalhe por Sues e colegas em 2002, firmando o gênero dentro de Spinosauridae.

Reconstituição em vida de Irritator challengeri. O artigo de 2002 fornece o enquadramento anatômico do grande predador que coexistiu com pequenos terópodes como Santanaraptor e Aratasaurus.

Reconstituição em vida de Irritator challengeri. O artigo de 2002 fornece o enquadramento anatômico do grande predador que coexistiu com pequenos terópodes como Santanaraptor e Aratasaurus.

1996

A new crested maniraptoran dinosaur from the Santana Formation (Lower Cretaceous) of Brazil

Martill, D.M., Cruickshank, A.R.I., Frey, E., Small, P.G. e Clarke, M. · Journal of the Geological Society

Descrição original do Irritator challengeri (antes de Sues et al. 2002 redescrever a espécie em detalhe). Uma das primeiras descrições de terópodes na Bacia do Araripe e referência clássica para o ecossistema onde viveu o Aratasaurus.

Crânio holótipo de Irritator challengeri, descrito originalmente por Martill e colegas em 1996 como um 'manirraptor cristado' antes da revisão de Sues et al. 2002.

Crânio holótipo de Irritator challengeri, descrito originalmente por Martill e colegas em 1996 como um 'manirraptor cristado' antes da revisão de Sues et al. 2002.

Reconstituições de espinossaurídeos, família onde Irritator foi posteriormente realocado. O artigo de 1996 é uma das primeiras descrições de terópodes da Bacia do Araripe.

Reconstituições de espinossaurídeos, família onde Irritator foi posteriormente realocado. O artigo de 1996 é uma das primeiras descrições de terópodes da Bacia do Araripe.

2025

The coelurosaur theropods of the Romualdo Formation, Early Cretaceous (Aptian) of Brazil: Santanaraptor placidus meets Mirischia asymmetrica

Delcourt, R., Grillo, O.N., Hendrickx, C., Kellermann, M. e Langer, M.C. · The Anatomical Record

Redescrição conjunta dos dois celurossauros mais conhecidos da Formação Romualdo, Santanaraptor placidus e Mirischia asymmetrica. Estabelece o enquadramento anatômico-filogenético mais recente para celurossauros brasileiros do Cretáceo, essencial para reavaliar a posição do Aratasaurus dentro de Coelurosauria.

Santanaraptor placidus, um dos dois táxons redescritos por Delcourt e colegas em 2025, em análise conjunta que atualizou a posição filogenética dos celurossauros brasileiros.

Santanaraptor placidus, um dos dois táxons redescritos por Delcourt e colegas em 2025, em análise conjunta que atualizou a posição filogenética dos celurossauros brasileiros.

Mirischia asymmetrica, o segundo táxon redescrito em 2025. O estudo estabelece o enquadramento anatômico mais recente para reavaliar a posição do Aratasaurus dentro de Coelurosauria.

Mirischia asymmetrica, o segundo táxon redescrito em 2025. O estudo estabelece o enquadramento anatômico mais recente para reavaliar a posição do Aratasaurus dentro de Coelurosauria.

2020

A maned theropod dinosaur from Gondwana with elaborate integumentary structures

Smyth, R.S.H., Martill, D.M., Frey, E., Rivera-Sylva, H.E. e Lenz, N. · Cretaceous Research

Descrição original do Ubirajara jubatus, pequeno terópode com estruturas tegumentárias elaboradas, da Formação Crato (imediatamente subjacente à Romualdo). Artigo retirado em 2022 (o nome é hoje considerado indisponível), mas relevante para contextualizar o debate em torno dos pequenos terópodes do Araripe na mesma época da descrição do Aratasaurus.

Reconstituição em vida de Ubirajara jubatus, pequeno terópode da Formação Crato descrito em 2020 com estruturas tegumentárias elaboradas. O artigo foi retirado em 2022 e o nome é hoje considerado indisponível.

Reconstituição em vida de Ubirajara jubatus, pequeno terópode da Formação Crato descrito em 2020 com estruturas tegumentárias elaboradas. O artigo foi retirado em 2022 e o nome é hoje considerado indisponível.

Diagrama esqueletal de Ubirajara jubatus mostrando os elementos preservados. O debate em torno do espécime contextualiza a descrição do Aratasaurus na mesma época.

Diagrama esqueletal de Ubirajara jubatus mostrando os elementos preservados. O debate em torno do espécime contextualiza a descrição do Aratasaurus na mesma época.

2021

Paleoenvironmental evolution of the Aptian Romualdo Formation, Araripe Basin, Northeastern Brazil

Varejão, F.G., Warren, L.V., Perinotto, J.A.J., Neumann, V.H., Freitas, B.T., Assine, M.L. e Simões, M.G. · Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology

Revisão paleoambiental da Formação Romualdo, com novas datações e análise das transgressões marinhas que moldaram a Bacia do Araripe durante o Albiano. Fornece o contexto estratigráfico e paleoecológico em que o Aratasaurus foi encontrado, próximo à base da formação.

Mapa da Bacia do Araripe mostrando a distribuição da Formação Romualdo e dos demais membros do Grupo Santana, cenário geológico revisado por Varejão e colegas em 2021.

Mapa da Bacia do Araripe mostrando a distribuição da Formação Romualdo e dos demais membros do Grupo Santana, cenário geológico revisado por Varejão e colegas em 2021.

Afloramento da Formação Romualdo com interpretação estratigráfica, tipo de exposição analisada por Varejão e colegas para reconstruir o paleoambiente albiano em que o Aratasaurus viveu.

Afloramento da Formação Romualdo com interpretação estratigráfica, tipo de exposição analisada por Varejão e colegas para reconstruir o paleoambiente albiano em que o Aratasaurus viveu.

2007

The Crato Fossil Beds of Brazil: Window into an Ancient World

Martill, D.M., Bechly, G. e Loveridge, R.F. (editores) · Cambridge University Press

Livro de referência sobre a paleobiota da Formação Crato, imediatamente inferior à Formação Romualdo na Bacia do Araripe. Oferece o contexto geológico, paleoambiental e sistemático essencial para entender o ecossistema em que, posteriormente, viveu o Aratasaurus.

Penas fossilizadas e o peixe Dastilbe, dois dos tipos de fósseis excepcionais documentados no livro de Martill, Bechly e Loveridge (2007) sobre a paleobiota da Formação Crato.

Penas fossilizadas e o peixe Dastilbe, dois dos tipos de fósseis excepcionais documentados no livro de Martill, Bechly e Loveridge (2007) sobre a paleobiota da Formação Crato.

Cladocyclus, peixe ictiodectiforme da Formação Crato, ilustra a diversidade ictiológica descrita em detalhe no volume de referência sobre o Lagerstätte do Crato.

Cladocyclus, peixe ictiodectiforme da Formação Crato, ilustra a diversidade ictiológica descrita em detalhe no volume de referência sobre o Lagerstätte do Crato.

2008

Dolomite pipes in the Crato Formation fossil lagerstätte (Lower Cretaceous, Aptian), of northeastern Brazil

Martill, D.M., Loveridge, R.F. e Heimhofer, U. · Cretaceous Research

Análise sedimentológica dos pipes de dolomita da Formação Crato e sua relação com a preservação excepcional de fósseis na Bacia do Araripe. Complementa o entendimento do ambiente deposicional que favoreceu fósseis de Aratasaurus, Santanaraptor e Mirischia.

Afloramento das Formações Ipubi e Romualdo na Bacia do Araripe. O artigo de 2008 analisa as feições diagenéticas (pipes de dolomita) ligadas à preservação excepcional no pacote sedimentar.

Afloramento das Formações Ipubi e Romualdo na Bacia do Araripe. O artigo de 2008 analisa as feições diagenéticas (pipes de dolomita) ligadas à preservação excepcional no pacote sedimentar.

Ambientes deposicionais e estratigrafia de sequência da Bacia do Araripe, enquadramento onde se posicionam os pipes de dolomita discutidos por Martill e colegas.

Ambientes deposicionais e estratigrafia de sequência da Bacia do Araripe, enquadramento onde se posicionam os pipes de dolomita discutidos por Martill e colegas.

2017

The transgressive-regressive cycle of the Romualdo Formation (Araripe Basin): Sedimentary archive of the Early Cretaceous marine ingression in the interior of Northeast Brazil

Custódio, M.A., Quaglio, F., Warren, L.V., Simões, M.G., Fürsich, F.T., Perinotto, J.A.J. e Assine, M.L. · Sedimentary Geology

Reconstrução do ciclo transgressivo-regressivo da Formação Romualdo, documentando a entrada e saída do mar no interior do Nordeste do Brasil durante o Cretáceo Inferior. Oferece a base paleogeográfica diretamente aplicável à interpretação do ambiente em que viveu o Aratasaurus.

Ciclos de nível do lago e do mar nas formações Crato, Ipubi e Romualdo, parte do ciclo transgressivo-regressivo reconstruído por Custódio e colegas em 2017.

Ciclos de nível do lago e do mar nas formações Crato, Ipubi e Romualdo, parte do ciclo transgressivo-regressivo reconstruído por Custódio e colegas em 2017.

Síntese dos ambientes deposicionais da Bacia do Araripe, que registra a entrada e saída do mar durante o Cretáceo Inferior. Contexto paleogeográfico direto para o ambiente em que viveu o Aratasaurus.

Síntese dos ambientes deposicionais da Bacia do Araripe, que registra a entrada e saída do mar durante o Cretáceo Inferior. Contexto paleogeográfico direto para o ambiente em que viveu o Aratasaurus.

2011

Mesozoic dinosaurs from Brazil and their biogeographic implications

Bittencourt, J.S. e Langer, M.C. · Anais da Academia Brasileira de Ciências

Revisão abrangente dos dinossauros mesozoicos brasileiros e suas implicações biogeográficas para o Gondwana. Síntese de referência para situar o Aratasaurus no conjunto dos terópodes brasileiros já conhecidos.

Santanaraptor placidus, um dos terópodes brasileiros revisados por Bittencourt e Langer (2011) na síntese sobre dinossauros mesozoicos do Brasil e suas implicações biogeográficas no Gondwana.

Santanaraptor placidus, um dos terópodes brasileiros revisados por Bittencourt e Langer (2011) na síntese sobre dinossauros mesozoicos do Brasil e suas implicações biogeográficas no Gondwana.

Reconstituição de Pycnonemosaurus, abelissauro da Bacia Bauru, exemplo do segundo grande grupo de terópodes brasileiros (junto com os celurossauros do Araripe) discutido na síntese de 2011.

Reconstituição de Pycnonemosaurus, abelissauro da Bacia Bauru, exemplo do segundo grande grupo de terópodes brasileiros (junto com os celurossauros do Araripe) discutido na síntese de 2011.

2002

On a theropod dinosaur (Abelisauria) from the continental Cretaceous of Brazil

Kellner, A.W.A. e Campos, D.A. · Arquivos do Museu Nacional

Reporta um terópode abelissauro do Cretáceo continental brasileiro (Bacia Bauru), relevante como ponto de comparação paleobiogeográfica entre os terópodes do Gondwana e o Aratasaurus. Oferece panorama sobre diversidade e distribuição dos terópodes no Cretáceo do Brasil.

Diagrama esqueletal de Pycnonemosaurus nevesi, abelissauro da Bacia Bauru nomeado por Kellner e Campos em 2002, o foco principal do artigo sobre terópodes do Cretáceo continental brasileiro.

Diagrama esqueletal de Pycnonemosaurus nevesi, abelissauro da Bacia Bauru nomeado por Kellner e Campos em 2002, o foco principal do artigo sobre terópodes do Cretáceo continental brasileiro.

Reconstituição em vida de Pycnonemosaurus. O artigo de 2002 permite a comparação paleobiogeográfica entre os grandes abelissauros do interior brasileiro e os pequenos celurossauros da Bacia do Araripe, incluindo o Aratasaurus.

Reconstituição em vida de Pycnonemosaurus. O artigo de 2002 permite a comparação paleobiogeográfica entre os grandes abelissauros do interior brasileiro e os pequenos celurossauros da Bacia do Araripe, incluindo o Aratasaurus.

MPSC R 2089 (holótipo) — Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, Universidade Regional do Cariri (URCA), Santana do Cariri, Ceará, Brasil

Sayão et al. 2020 (Wikimedia Commons, CC BY 4.0)

MPSC R 2089 (holótipo)

Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, Universidade Regional do Cariri (URCA), Santana do Cariri, Ceará, Brasil

Completude: Membro posterior direito articulado: distal do fêmur, proximal da tíbia, metatarsais I–IV parciais, várias falanges e três unguais pedais (~10% do esqueleto)
Encontrado em: 2008
Por: Coletado na Mina Pedra Branca (pedreira de gesso), Santana do Cariri (CE); a obtenção do espécime é creditada a Plácido Cidade Nuvens (falecido em 2016)

O museu foi fundado por Plácido Cidade Nuvens em 1985, doado à URCA em 1991 e abriga cerca de 7.000 fósseis em exposição, incluindo o holótipo do Aratasaurus. A descrição osteohistológica de Sayão et al. (2020) mostrou que o animal morreu jovem, com aproximadamente 4 anos, ainda crescendo.

Dinosauria
Saurischia
Theropoda
Coelurosauria
Primeiro fóssil
2008
Descobridor
Coletado na Mina Pedra Branca (pedreira de gesso), Santana do Cariri (CE); Plácido Cidade Nuvens, falecido em 2016, foi creditado pela obtenção do espécime
Descrição formal
2020
Descrito por
Juliana M. Sayão, Antônio Á.F. Saraiva, Arthur S. Brum, Renan A.M. Bantim, Rafael C.L.P. Andrade, Xin Cheng, Flaviana J. Lima, Helder P. Silva e Alexander W.A. Kellner
Formação
Formação Romualdo (Grupo Santana, Bacia do Araripe)
Região
Ceará
País
Brasil
📄 Artigo de descrição original

Curiosidade

O Aratasaurus é o único dinossauro brasileiro cujo nome homenageia uma tragédia: o incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro em 2 de setembro de 2018, que destruiu parte do acervo paleontológico do Brasil. Ara é 'nascido' em tupi, atá é 'fogo', e -sauros é 'lagarto' em grego, formando 'o lagarto nascido do fogo'. O epíteto museunacionali complementa a homenagem à instituição destruída, enquanto o holótipo, guardado em Santana do Cariri (Ceará) e não no Museu Nacional, sobreviveu ao evento. A descrição foi publicada em 2020, pouco mais de um ano e meio após o desastre.